Venda de reservas internacionais é uma opção para reduzir endividamento

Venda de reservas internacionais é uma opção para reduzir endividamento
Waldery Rodrigues apontou que a venda de reservas internacionais é uma opção para reduzir endividamento.

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, apontou que as operações feitas com reservas internacionais do Banco Central (BC) são opções do governo para diminuir a dívida bruta. A declaração aconteceu nesta sexta-feira (20), durante uma entrevista relacionada ao relatório bimestral de receitas e despesas.

“Esses são itens que entram no nosso cardápio de ações” disse Rodrigues comentando sobre reservas internacionais, bem como as vendas de reservas que o Banco Central fez ano passado e as devoluções antecipadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à União.

Nesse sentido, o secretário sinalizou que o governo tem a intenção de diminuir a relação da dívida bruta do governo geral com o Produto Interno Bruto (PIB) do País, no próximo ano.

“Fizemos em 2019 [redução do endividamento] e iremos fazer, dadas as intenções, em 2021”, destacou o secretário durante o evento.

Contudo, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia lembrou que “quem e pronuncia sobre vendas de ativos é a autoridade monetária. Uma vez que o BC decida tomar suas ações, há impacto positivo sobre o montante da dívida bruta“.

Vale lembrar que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, já havia comentado sobre a venda das reservas. Segundo o economista, “quando os investidores falam disso, eles consideram a reserva. Então do ponto de vista de percepção do risco, não faz diferença”.

Guedes fala em até vender um pouco de reservas internacionais

Além disso, o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na última quinta-feira (19), que fará “o que for necessário” para reduzir a dívida e citou, entre o cardápio de medidas para atingir esse objetivo, a possibilidade de “até vender um pouco de reservas”.

Enquanto participava de um evento promovido pelo Bradesco, o economista apontou que “nossa lógica é muito simples. A dívida tem que cair. E a maneira de fazer isso é vender ativos, privatizar, desalavancar bancos públicos, reduzir dívida interna e até vender um pouco de reservas”.

Segundo o ministro, um volume alto de reservas era necessário quando o real estava sobrevalorizado ante o dólar e a taxa de juros era mais elevada.

Cabe destacar que a dívida bruta do governo deve fechar o ano em 96% do PIB, de acordo com as projeções do Tesouro Nacional, com forte aumento provocado pelas despesas com o combate ao coronavírus.

A previsão do Tesouro é que a dívida continue crescendo e ultrapasse os 100% do PIB em 2025, para só então se estabilizar e começar a cair.

Ao mesmo tempo, o Brasil tem hoje US$ 355,5 bilhões em reservas internacionais. O governo já vendeu uma pequena parcela desse colchão de proteção contra choques externos, mas acabou recompondo parte do que havia sido vendido em meio à crise provocada pela pandemia. A gestão das reservas é feita pelo Banco Central, presidido por Roberto Campos Neto.

Com Informações do Estadão Conteúdo.

Laura Moutinho

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