RB Capital aposta no FIP-IE para levar pessoa física à infraestrutura

RB Capital aposta no FIP-IE para levar pessoa física à infraestrutura
RB Capital aposta no FIP-IE para levar pessoa física à infraestrutura

A queda da taxa básica de juros (Selic) a níveis historicamente baixos, aliada a uma nova regulamentação e necessidade de investimentos em infraestrutura, deve levar a iniciativa privada a avançar sobre esse setor. Para a RB Capital, os investidores pessoas físicas devem olhar com mais atenção os Fundos de Investimento em Participações em Infraestrutura (FIP-IE) como forma de entrar nesse mercado sem grandes montantes.

Para Thiago Lima, sócio e responsável pelo segmento de infraestrutura da RB Capital, o FIP-IE conseguirá oferecer ao investidor o crescimento de equity, aliado a previsibilidade que o setor de infraestrutura oferece.

“Hoje, pensando em pessoa física que quer participar desse investimento de infraestrutura porque gosta do setor, com alinhamento em longo prazo, tem dois instrumentos: debênture de infra e os FIPs-IE, que são uma nova classe de ativos, com uma legislação mais antiga (de 2007), entrando em um equity, mas sem porrada pra cima ou pra baixo, já que o fluxo de caixa é mais previsível e pode atingir até 30 anos em alguns casos”, disse ele.

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Dentro da infraestrutura, o setor de saneamento, que teve o marco legal do setor aprovado neste ano, deve surfar uma nova onda de investimentos dado a possibilidade de participação do capital privado.

“É um setor difícil historicamente porque ele sempre ficou a cargo dos municípios, e com as grandes companhias estaduais prestando os serviços. Agora [com o marco legal], você abre uma avenida gigantesca e em parceria com o capital privado, é um setor super interessante assim como o de energia”, afirmou.

“Quem paga no final é a conta de luz no setor. Água é a mesma coisa. Então te da uma tranquilidade muito grande porque sem água e luz ninguém fica”, disse.

Confira a entrevista do SUNO Notícias com Thiago Lima, sócio e responsável pelo segmento de infraestrutura da RB Capital:

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-Nos fale um pouco sobre a RB Capital
A RB é uma casa com sócios que estão juntos há mais de 20 anos. Ela nasceu fazendo desintermediação bancária e acabamos nos dividindo em dois grandes braços: um que atua como um banco de investimento, literalmente dando dinheiro para projetos, empresas, e outro que é de gestão de recursos de terceiros. Nesse, crescemos basicamente em três estratégias: crédito, imobiliário e infraestrutura.

A RB tem uma história muito grande no setor imobiliário e, em 2016, vendemos o controle do grupo para um grupo japonês Orix, que atua em 40 países, e esse grupo vem incentivando o nosso crescimento, dado que é um grupo que tem lá fora cerca de US$ 400 bilhões sob gestão e, assim, temos trabalhado para crescer essa parte de asset.

Temos praticamente R$ 3,5 bilhões sob gestão no Brasil, divididos nessas três linhas e aqui eu respondo pela infraestrutura, obviamente que temos uma transversal sempre que é o crédito. Eu venho da economia real, em um passado recente vim da Vale, com M&A dentro de uma estrutura de logística da Vale e o que obviamente facilitou a gente criar essa área de infra da asset da RB.

-Como o mercado de infraestrutura pode fazer parte do cotidiano do investidor?
Quando falamos de infra no Brasil, falamos de um negócio que durante muito tempo foi negligenciado sob a ótica de investimento. Tivemos diversos governos que investiam com dinheiro público, mas mesmo assim, historicamente sempre investimos pouco no setor. Então, uma forma de via de regra de infra no mundo é feita em parceria com entes privados, mas quando fazíamos, fazíamos de forma errada.

Sabendo disso, chegou-se a um cenário que desde o governo Temer pensamos em atrair capita privado para isso. Alguns setores já vinham de forma mais estruturada, pois você teve um ciclo de concessões de rodovias e do setor elétrico, agora outros setores estão vindo agora, como o de saneamento. O investidor privado está bastante interessado em colocar dinheiro nesses projetos.

O bolso pessoa física, por mais fundo que ele seja, ele tem um limite. E projetos de infra, geralmente, são muito grandes. Mas, em 2011, foi criado as debêntures de infra, com isenção de IR para pessoas físicas, como um instrumento para atrair a pessoa física para comprar ativos desse mercado e foi um negócio que deu super certo.

Nesse ano rompemos a barreira de R$ 100 bi em infra. Teve uma escalada muito grande, pro conta da pandemia, as emissões não devem ultrapassar o pico histórico do ano passado, mas também esse ano que é mais difícil a gente está quase batendo R$ 15 bi de emissões.

Com a debenture de infra, algumas emissões começam a não ser tão obvias. Quando a Vale emite, o investidor conhece a empresa, etc. Quando falamos de projetos Eólicos, tais como Serra das Vacas, ou Calango, aí é diferente.

Estamos em um momento de inflexão aqui. Quando a industria cresceu, com os fundos captando, de repente o País entrou nesse momento de crise e começou a redução da taxa de juros. Então o Brasil vive algo que nunca ocorreu antes e isso criou um problema a indústria de credito em geral principalmente pois a indústria de crédito normal que tem prazo de cerca de cinco anos.

A indústria cresceu, mas com a queda acentuada dos juros, e o investidor travou uma taxa psicológica até que, abaixo, a indústria não vendia. A correlação era spread mais NTN-B, só que o mercado se ajustou para isso e o spread abriu muito dado essa maior exigência de prêmio pelos investidores.

Os papéis então passaram a ter bastante premio. A consequência disso foi no preço, porque os papéis são marcados a mercado, isso impacta diretamente no preço. Isso fez com que a indústria machuca-se bastante nos últimos meses, mas com o movimento de marcação a mercado muito violento, alguns fundos começaram a render negativamente.

Essa indústria apanhou muito, mas estamos chegando a um ponto de inflexão que a coisa precisava se estabilizar. O mercado se estabilizou, os preços estão mais claros para todo mundo. É um movimento muito interessante e de timming inclusive para voltar a olhar esse produto.

O caminho mais óbvio, com a queda dos juros, foi a Bolsa e FIIs, saindo desses produtos que estavam apanhando, mas agora em uma composição de portfólio, vale a pena.

Agora, com a estabilização, não faz sentido não possuir no portfólio. A nossa aposta é na retomada desse mercado e isso vem muito casado com a indústria de infra, porque ela vai precisar se financiar, o governo tem uma iniciativa paralela que é criar um outro instrumento de infra para dar benefício no projeto.

-Os perigos que o Brasil corre, principalmente na parte fiscal, podem mexer na curva de juros novamente de forma violenta?
É exatamente pela questão fiscal do governo que tem uma oportunidade gigantesca da iniciativa privada trazer dinheiro para esses projetos. Por que o investidor gringo não vem? É pela insegurança que ele tem de vir. O governo tem trabalhado de uma forma forte para criar uma segurança jurídica, por isso o trabalho desses marcos para que o investidor tenha a tranquilidade de vir.

Sob a ótica fiscal, isso é um motivador que o privado traga mais recursos para a infra. São grandes montes e não faz sentido algum o governo ser dono de rodovia ou da rede elétrica. A mesma coisa da telefonia vai ocorrer no saneamento.

Já em relação a questão do crédito, a pandemia afetou diversos setores, mas o de infraestrutura está entre os mais resilientes. Temos contratos de longo prazo, a via de regra de bens essenciais para a população, e como o mercado se reinventa, se um setor perder de um lado, ganha do outro.

São setores que por serem utilidade pública tem uma resiliência muito maior e nós não tivemos nenhum evento, seja na carteira ou no portfólio, de crédito. É um setor que caso chegue um stress, é o primeiro que o governo socorre pois é de necessidade básica.

-Como você a RB Capital vê a infraestrutura no País daqui para frente?
A visão da RB Capital é que o setor que mais cresceu nos últimos anos foi o de energia. Então é um setor que precisou se organizar, ele tem uma regulação robusta, e acertou a veia. Se eu te falar de emissões de infra, nos últimos anos, praticamente 80% foi do setor de energia que era o setor mais organizado.

O setor de rodovias, lá atrás, tivemos algumas rodadas, assim como aeroportos, que você tem ainda uma questão da Infraero e se os aeroportos terão um ciclo de finalização das privatizações, mas a bola da vez agora é o saneamento.

É um setor difícil historicamente porque ele sempre ficou a cargo dos municípios, e com as grandes companhias estaduais prestando os serviços. Agora, você abre uma avenida gigantesca e em parceria com o capital privado, é um setor super interessante assim como o de energia.

Quem paga no final é a conta de luz no setor. Água é a mesma coisa. Então te da uma tranquilidade muito grande porque sem água e luz ninguém fica.

-E quais as possibilidades para o investidor pessoa física?
Sem dúvida nenhuma, as debentures de infra serão instrumentos e têm criado uma nova indústria e que o investidor pessoa física já esta se movimentando para ele que são os FIPs-IE. É uma indústria que tal qual o imobiliário cresceu, essa do FIB-IE a nossa expectativa é que alcance um volume de FII, muito por conta da isenção, mas também do tipo de projeto que ele investe.

O investidor precisa de um filtro muito grande, mas é a chance de o investidor participe do equity. O cenário favorece, com o juro muito baixo, em um cenário de infra com necessidade de investimentos, vide o marco que vai trazer muito investimento, e outras micro reformas que o governo tem trabalhado para fazer, como sobre a legislação de PPPs.

Hoje, pensando em pessoa física que quer participar desse investimento de infraestrutura porque gosta do setor, com alinhamento em longo prazo, tem dois instrumentos: debênture de infra e os FIPs-IE, que são uma nova classe de ativos, com uma legislação mais antiga, entrando em um equity, mas sem porrada pra cima ou pra baixo, já que o fluxo de caixa é previsto em 30 anos.

Uma coisa era o mercado com juros a 14% ao ano, a infra não pagava grandes prêmios porque são margens mais apertadas dada que são serviços públicos. Mas, em um cenário de juros baixos, isso ficou dento do dinheiro já que a margem ficou super interessante.

Entrevista com RB Capital

Vinicius Pereira

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