Quanto valem os ativos intangíveis em Wall Street

Quanto valem os ativos intangíveis em Wall Street
Quanto valem os ativos intangíveis em Wall Street

Mais de US$ 35 trilhões (cerca de R$ 200 trilhões). É esse o valor dos ativos intangíveis da Bolsa de Valores de Nova York.

Segundo uma pesquisa da consultoria Brand Finance, os ativos intangíveis do mercado financeiro dos EUA representariam 76% do valor comercial total das empresas listadas.

Ou seja, três quartos do valor das empresas cotadas na maior Bolsa de Valores do mundo não seriam ativos físicos ou financeiros, nem teriam qualquer consistência material.

O valor dos ativos intangíveis chegou a seu maior nível desde 2006, mas esse crescimento progressivo não foi linear ao longo do tempo.

Em alguns anos, esse valor caiu, em outros, subiu rapidamente. Em 2010, por exemplo, os ativos intangíveis representavam cerca de 64% do valor total das empresas. Mas em 2015 saltaram para 73%. Enquanto em 2016 voltaram a cair.

Indicador de mudança profunda na economia

Os dados da Brand Finance sinalizam uma mudança profunda da economia moderna.

Um crescimento dos ativos intangíveis devido a grandes tendências.

A mais importante, sem dúvida, é o boom da Internet. A grande rede global, que tem suas raízes no século passado mas se estrutura com a chegada da banda larga no início de 2000, é a rodovia telemática pela qual viaja o capitalismo da informação.

A internet propiciou o surgimento de uma economia intangível que acelerou nos últimos anos, graças também ao crescimento exponencial do poder de cálculo dos computadores e a chegada do big data. Além do atraso da regulação em setores como as redes sociais.

E graças a internet foi possível o surgimento de gigantes tecnológicos que criaram valores imensos baseados em ativos intangíveis. Algo impossível de ser considerado na economia tradicional, onde a propriedade de recursos físicos era a base do cálculo do valor de uma empresa.

Poucos ativos intangíveis no Brasil

No Brasil se fala pouco sobre os ativos intangíveis das empresas. Isso também por causa da ausência de grandes grupos de tecnologia cotados na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

No Brasil, o valor intangível das empresas listadas chegou a 45,6% em 2020. Um aumento considerável, já que em 2008 essa porcentagem era de apenas 17,8%.

Mas o que isso significa em termos concretos?

Para fazer negócios, uma empresa precisa de ativos materiais (fábricas, maquinários) mas também de recursos intangíveis.

Esse podem se dividir, a princípio, em duas áreas. A primeira são os ativos que derivam de proteções legais: patentes, licenças até direitos autorais e marcas.

Os segundos, por outro lado, são os ativos imateriais, capazes de influenciar o desempenho da empresa. Isso, por exemplo, se reflete na capacidade de inovação até os processos organizacionais, passando pelo capital humano e a rede de relações com o resto do mundo.

Todos elementos fundamentais e essenciais para a vida e o desenvolvimento de uma empresa, e para sua capacidade de criar valor.

Os ativos intangíveis não se posicionam em contraposição com os ativos tangíveis. Principalmente diante da crescente importância da economia do conhecimento.

Entretanto, esse excesso de presença no mercado poderia criar problemas. Por exemplo, quantificá-lo contabilmente.

Complexidade na avaliação

Os ativos intangíveis caracterizam-se por uma grande complexidade na avaliação.

Uma dificuldade que aumenta ainda mais em casos de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês). Em operações como essas, sempre uma diferença entre o preço pago pela aquisição de uma empresa e o valor contábil da mesma. Essa diferença é o ágio e deveria ser lançada no balanço patrimonial. No entanto, nem sempre esse valor representa a capacidade da empresa em gerar um crescimento futuro, e isso deixa a contabilidade mais difícil.

Outro problema aparece, por exemplo, quando se calcula o Retorno sobre os ativos (Roa, na sigla em inglês).

Este indicador, muito utilizado pelos investidores, representa a relação entre o lucro líquido da empresa e seu ativo total. E quando os ativos intangíveis não são registrados nas demonstrações financeiras, o Roa tende a ser superestimado.

Além disso, mesmo no caso em que os ativos intangíveis sejam indicados a dificuldade em quantificar seu valor pode provocar um risco de manipulação.

Por isso, quando uma empresa se caracteriza por ter muitos ativos intangíveis, acaba sendo mais válido se basear em indicadores que vão além do balanço patrimonial, como a capacidade de gerar fluxos de caixa.

Carlo Cauti

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