Quanto as Bolsas do mundo perderam por causa do coronavírus

Quanto as Bolsas do mundo perderam por causa do coronavírus
Confira as small caps que mais desvalorizaram em maio

O novo coronavírus (covid-19) causou fortes turbulências nas Bolsas de Valores do mundo todo. Somente no Brasil, o Ibovespa chegou a perder mais de 50% de sua capitalização.

O coronavírus é considerado pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entretanto, o diretor-geral da Organização,Tedros Adhanom Ghebreyesus informou “A descrição da situação como uma pandemia não altera a avaliação da OMS da ameaça representada por esse vírus. Isso não muda o que a OMS está fazendo, nem o que os países devem fazer “. Algo que deixou ainda mais investidores e operadores econômicos com fortes incertezas.

Ao redor do mundo, várias medidas estão sendo tomadas para evitar que a doença se espalhe ainda mais e cause maiores danos. Algumas medidas tomadas foram o fechamento de fronteiras, paralisação das aulas, cancelamento de voos, entre outros.

Embora as medidas pareçam ser eficazes contra a propagação do coronavírus, algumas empresas estão sentindo os impactos negativos que elas trazem, como por exemplo empresas do setor de turismo.

Em meio a esses efeitos, o mercado financeiro também foi intensamente afetado pela pandemia. Nas últimas duas semanas a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) acionou 6 vezes o mecanismo de ‘circuit breaker’, interrompendo as negociações devido a quedas drásticas nos índices.

Para entender o impacto da crise, equipe do SUNO Notícias reuniu os principais índices das Bolsas de Valores ao redor do mundo para avaliar as variações desde o surgimento do novo coronavírus.

Como o coronavírus afetou as Bolsas

As variações das principais Bolas de Valores do mundo foram analisadas a partir do meio do mês de janeiro, quando a doença começou a chamar a atenção do mundo todo, até sexta-feira 20 de março.

Confira abaixo as variações:

  • A Bolsa de Milão: FTSE MIB apresentou uma queda de 37,31% (-9.716 pontos);
  • A Bolsa de Londres: FTSE 100 apresentou uma queda de 32,38%  (-2.594 pontos);
  • A Bolsa de Frankfurt: DAX-30 apresentou uma queda de 35,01% (-5.384 pontos);
  • A Bolsa de Paris: CAC 40 apresentou uma queda de 35,70% (-2.308 pontos);
  • A Bolsa do Japão: Nikkei 225 apresentou uma queda de 28,91%  (-7.479 pontos);
  • A Bolsa de Shangai: SSE Composite Index apresentou uma queda de 10,47% (-393 pontos);
  • A Bolsa de Nova Iorque: Nasdaq apresentou uma queda de 25,55% (-2.238 pontos);
  • A Bolsa de São Paulo, Ibovespa apresentou uma queda de 56,30% (-52.458 pontos).

Mesmo com essas fortes quedas registradas nas últimas semanas, o presidente da Securities and Exchange Comission (SEC), Jay Clayton, anunciou na última segunda-feira (16) que os mercados de ações continuarão operando mesmo frente a crise do coronavírus.

“Os mercados devem continuar funcionando em épocas como essa. Entramos em contato com as várias instituições” salientou Clayton.

Sangue frio em época de volatilidade

Segundo o analista de mercados internacionais da SUNO Research, Alberto Amparo, é necessário analisar o andamento das Bolsas em casos de epidemias passadas para tentar entender como irão reagir nesse caso.

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“O passado não é uma indicação do futuro, mas se olharmos algumas das epidemias passadas, vemos que não há uma correlação direta de desvalorização dos mercados em períodos de 6 meses ou 12 meses depois das epidemias”, explicou o analista.

Por exemplo, olhando para como o índice S&P 500 foi afetado em um período de 6 meses a um ano depois das últimas grandes epidemias do passado recente, é possível verifica que:

  • no caso da epidemia do HIV em 1981 o S&P 500 apresentou uma queda de 20% após seis meses, e 10.73% após um ano;
  • no caso da gripe aviária, em 2006, o S&P 500 apresentou um crescimento de 11,6% em 6 meses e de 18,36% em um ano;
  • no caso do ebola, em 2014, o S&P 500 apresentou um crescimento de 5,34% em 6 meses e 10,44% em um ano;
  • no caso da gripe suína, em 2009, o S&P 500 apresentou um aumento de 18,72% em 6 meses e 35,96% em um ano.

Segundo Amparo, é necessário manter sangue frio nessas situações de extrema volatilidade, ou o risco é fazer um péssimo negócio vendendo muito barato ações que poderiam voltar a subir em breve. “Em mercados de baixa, as ações retornam para seus donos verdadeiros”, explicou o analista, citando o investidor John Pierpont.

Uma frase que ilustra bem o momento atual de forte volatilidade que os investidores das Bolsas de Valores do mundo inteiro estão enfrentando por causa dos efeitos do coronavírus.

Laura Moutinho

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