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Presidente do Banco Central, há excesso de expectativas sobre o Brasil

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O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, declarou neste sábado (12) que as expectativas sobre o Brasil estão muito altas.

Ilan Goldfajn concedeu uma entrevista ao jornal suíço Les Temps, de Genebra. Segundo o presidente do Banco Central,  alerta sobre o excesso de otimismo com o Brasil vem sendo feito por muitos analistas do mercado financeiro. Entre eles, operadores brasileiros e estrangeiros.

“O desafio é de poder colocar na prática as medidas anunciadas e satisfazer o eleitorado”, declarou Goldfajn. Segundo ele, esse fator contribui para o clima de incertezas sobre o Brasil.

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“O mais importante é colocar em prática uma política monetária confiável, sabendo que o ambiente fiscal continua frágil. E esse sucesso depende da determinação de percorrer todo o caminho da reforma”, explicou o presidente do BC.

Tour europeu de Ilan

Goldfajn está na Europa por um tour de trabalho em vários países. Na terça ele terá uma apresentação no The Graduate Institute Geneve, e no dia seguinte será em Milão, na Universidade Bocconi. Nessa viagem ele também participará de reuniões bimestrais com os presidentes de outros bancos centrais em Basileia.

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Na entrevista, o Goldfajn explicou que vai deixar o Banco Central por motivos pessoais. O presidente ficou a frente do BC por dois anos e sete meses. Ele declarou que trabalhará em “outros setores”. Entretanto, Goldfajn reafirmou seu compromisso de permanecer no cargo até que o Senado confirme a nomeação do sucessor, Roberto Campos Neto.

“O mercado deve ver a continuidade na política monetária e nas reformas estruturais”, recomendou Goldfajn. O presidente do Banco Central considerou que a inflação está sob controle e que continuará assim nos próximos anos. Da mesma forma, a taxa de juros (Selic) também está em um nível baixo. Algo que, para ele, também é um bom estímulo para a atividade.

Goldfajn lembrou que o Brasil entrou em recessão em 2015, mas previu que 2019 será o segundo ano de recuperação do Produto Interno Bruto (PIB). “O crescimento (1,3%) foi fraco em 2018. Para este ano, esperamos uma taxa de 2,5%”, afirmou o presidente do BC. Segundo ele, o governo do presidente Jair Bolsonaro deve procurar levar adiante as reformas e aumentar a flexibilidade da economia.

“Se o novo governo colocar as contas em ordem, a economia se tornará mais produtiva”, afirmou Goldfajn. Para o presidente do BC, os mercados gostam de liberalização da economia, privatização, redução dos gastos públicos e, sobretudo, visibilidade e confiança.

Goldfajn minimizou os “medos” levantados por alguns setores políticos e da mídia sobre o governo Bolsonaro. Segundo o presidente do BC, o mais importante é levar adiante uma política monetária confiável. Isso pois o ambiente fiscal continua frágil. “E esse sucesso depende da determinação de percorrer todo o caminho das reformas”, explicou Goldfajn.

Ano complicado para emergentes

Para o presidente do BC, 2018 foi um ano complicado para os países emergentes, como o Brasil. Isso por uma série de fatores. Em primeiro lugar, nos anos passados houve um excesso de capital nos países ricos. Algo que gerou um fluxo em direção dos países emergentes, alimentando a inflação. Em seguida, ocorreu o aperto monetário nos Estados Unidos e na União Europeia. Algo que gerou o movimento oposto. “Vários países como a Argentina ou a Turquia viram uma desaceleração do crescimento. Outros países como a Índia, o Brasil e a Indonésia tiveram que se proteger. O Brasil havia feito reformas, o que ajudou a mantê-lo em curso para o crescimento”, disse Goldfajn.

Segundo ele, autonomia do Banco Central do Brasil do governo está assegurada. Ela é uma condição para a estabilidade do sistema monetário. “O Ministério da Fazenda pode ter prioridades próprias que não são as do Banco Central. Mas, neste momento, vejo apenas sinais positivos para os investidores”, afirmou Goldfajn, “Questionar sua independência é colocar em jogo sua credibilidade. Os mercados também precisam saber que os bancos centrais podem agir de forma independente quando uma situação o exige”.

 

 

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.