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Presidente da B3 diz que vai “brigar” para que XP faça IPO no Brasil

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O presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, Gilson Finkelsztain, promete lutar para que a XP Investimentos faça sua IPO no Brasil.

A IPO é a oferta pública inicial de ações no mercado financeiro. Gilson Finkelsztain disse que vai “brigar” para que a XP Investimentos realize a operação no Brasil e não nos Estados Unidos. Segundo Finkelsztain, a empresa é brasileira e por isso deve fazer sua IPO na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. A informação é da Bloomberg.

“Na XP, vamos brigar para que eles se listem aqui no Brasil. Eles são brasileiros, com negócios aqui, deveriam se listar aqui. Nosso time comercial e eu pessoalmente vamos estar empenhados para isso”, disse em entrevista Finkelsztain,“A XP é emblemática, um enorme caso de sucesso que provou que há espaço para uma corretora independente no Brasil”.

A XP Investimentos é a maior corretora do Brasil para investidores de varejo. Segundo fontes próximas a empresa, a XP estaria considerando um IPO no Nasdaq. A oferta pública de ações seria uma solução para os investidores de private equity. Entre eles, a General Atlantic e a Dynamo Administração de Recursos.

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O sucesso registrado por outas empresas brasileiras que realizaram sua IPO nos EUA levou a XP a pensar em fazer sua oferta em Nova York. Somente em 2018 foram a PagSeguro Digital, a StoneCo, e a Arco Platform levantaram mais de US$ 5,34 bilhões na Bolsa de Nova York.

Além disso, no Brasil existem benefícios fiscais para empresas brasileiras domiciliadas no exterior. “Isso é algo que precisa de atenção”, disse Finkelsztain, que salientou como existem regras que impedem que essas firmas sejam negociadas na bolsa local.

“Estamos trabalhando com a CVM para tornar algumas regras mais flexíveis e o regulador é muito sensível ao que chamamos de exportação do mercado”, afirmou Finkelsztain.

Pelas regras vigentes, as empresas brasileiras domiciliadas no exterior, com mais de 50% da receita proveniente do Brasil, não podem emitir Brazilian Depositary Receipts (BDRs). Esses papeis são certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no Brasil, mas que representam valores mobiliários de emissão de companhias abertas com sede no exterior. Os BDRs são a versão brasileira dos American Depositary Receipts. Segundo Finkelsztain, uma solução poderia ser que essas empresas realizem uma listagem simultânea no Brasil e no exterior.

Razões para investir nos EUA

Muitas empresas preferem investir nos EUA por razões que vão além do bom preço inicial mais atrativo. Entre essas razões, está a concentração dos investidores especializados no setor de tecnologia.

“Esta é uma tendência internacional e afeta empresas do Japão a Israel e à Austrália”, explicou Finkelsztain, “E isso não é bom para os mercados brasileiros”.

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Segundo o presidente da B3, mesmo não existindo concorrentes brasileiros, “estamos competindo com bolsas de valores, com mercados em todo o mundo”.

Finkelsztain afirmou que está trabalhando junto a CVM para desenvolver “um ambiente mais amigável”. O objetivo é permitir que as empresas brasileiras negociadas na Bolsa de Nova York também sejam listadas no Brasil.

“Assim, os fundos locais não precisariam comprar dólares e ir aos mercados dos EUA para comprar ações dessas empresas brasileiras”, disse explicou o presidente da B3. 

Além disso, a B3 está estudando a possibilidade de permitir processos confidenciais para empresas menores. Isso aumentaria a atratividade dos IPOs locais. Dessa forma, a empresa pode recuar se o mercado se demostrar hostil, ou se o preço não for atraente. Uma retirada estratégica que não provocaria prejuízos a sua reputação, ao contrário de quanto uma desistência pública poderia trazer.

Crítica as empresas brasileiras

Por outro lado, Finkelsztain criticou as empresas brasileiras que decidem se listar nos EUA. Segundo o presidente da B3, algumas companhias do Brasil tentam se “disfarçar de empresas de tecnologia” quando se listam nos EUA. Uma estratégia útil para pegar atrair os investidores, cada vez mais interessado na indústria digital. “Mas os investidores logo perceberão isso e as empresas terão problemas”, afirmou Finkelsztain .

Além disso, segundo Finkelsztain, embora os preços iniciais das fintechs brasileiras cotadas em Nova York tenham sido muito atraentes, o desempenho de seus papéis desde os IPOs não foi tão bom.

As ações da PagSeguro subiram 2,42% desde o IPO. Enquanto a StoneCo, que atraiu em sua oferta os bilionários Warren Buffett e Jack Ma, perdeu 12%. Por outro lado, o preço das ações do Banco Inter mais do que dobrou em moeda local desde a IPO. A fintech bancária arrecadou R$ 672,4 milhões em abril, quando realizou sua oferta pública de ações na B3.

“As ações da PagSeguro e da StoneCo têm uma grande correlação com a Amazon.com”, explicou Finkelsztain. Segundo o presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, embora a maior parte da receita dessas empresas seja em moeda brasileira, elas tendem a reagir de forma maior a movimentos globais das ações de tecnologia do que a oscilações no real.

B3 prevê crescimento

Para Finkelsztain, o negócio de ações da B3 se beneficiará pelo crescimento econômico esperado no Brasil. Além disso, os resultados positivos serão impulsionados pela inflação sob controle e taxas de juros na mínima histórica. O presidente da Bolsa de Valores de São Paulo espera de 20 a 30 ofertas de ações neste ano, a partir de março. O trading de ações representa cerca de 40 porcento da receita da B3.

 

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.