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Por que o Ibovespa cai mais que índices de outros países?

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A crise iniciada pelos temores sobre o que o coronavírus (covid-19) pode causar à economia trouxe um verdadeiro banho de sangue às bolsas de valores mundiais. O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores de São Paulo (B3), porém, viu sua queda ser ainda maior.

Enquanto que o Ibovespa caiu 46,82% desde o pico deste ano, atingido em 23 de janeiro, até 23 de março, quando o índice chegou ao nível mais baixo. No mesmo período, outros índices pelo mundo também tiveram quedas expressivas, mas menores que a do brasileiro.

O S&P 500, que reúne as quinhentas principais companhias americanas, caiu 32,11% desde então, enquanto que o Nasdaq, o índice das empresas de tecnologia, caiu 30,12%.

Já o alemão DAX caiu 38,22% e o japonês Nikkei despencou 31,12% do pico até o fundo do poço.

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Mas, afinal, por que a Bolsa brasileira caiu mais que as demais? Especialistas ouvidos pelo SUNO Notícias afirmam que os índices brasileiros são mais voláteis, ou seja, variam mais, para cima ou para baixo, em um determinado espaço de tempo.

Isso, contudo, não quer dizer que o Ibovespa amargue mais prejuízos que os demais índices mundiais. Mas, sim, que o principal índice brasileiro cai mais e sobe mais que todos, dada a maior volatilidade.

Volatilidade é marca da bolsa brasileira

De acordo com Alberto Amparo, analista de mercados internacionais da SUNO Research, o Brasil se assemelha aos demais países emergentes em relação a volatilidade pois é mais difícil precificar riscos políticos, cambiais ou financeiros.

Dados da Wealth of Common Sense mostram que o índice MSCI, dos mercados emergentes, em um período de tempo igual, varia muito mais que o S&P 500, por exemplo.

Enquanto que de 1994 a 1998, o MSCI caiu 38,5%, o S&P subiu 191%. Já de 1999 a 2007, o índice dos emergentes teve alta de 420%, enquanto o americano se valorizou 37%.

“No final das contas, em um período de 1988 a 2018, o retorno médio anual foi bem parecido, 11% emergentes contra 10,2% do S&P 500”, disse.

Assim, apesar das valorizações maiores e quedas mais bruscas, o resultado final do longo prazo é mais próximo do que muita gente imagina.

Ibovespa também é parte estrangeira

O nível de volatilidade do Ibovespa também ocorre pela injeção de capital estrangeiro nas empresas listadas por aqui.

De acordo com João Arthur Almeida, analista de investimentos do SUNO Research, a entrada e saída dos investidores estrangeiros da Bolsa brasileira ajuda a aumentar a volatilidade.

“Ainda temos muita participação do estrangeiro. Apesar de ter diminuído nos últimos tempos, eles ainda detém cerca de 50% do capital”, disse.

“Quando o estrangeiro vê qualquer problema, ele vai para a segurança, ou seja, compra títulos do tesouro americano e sai das bolsas emergentes”, afirmou. 

Assim, com uma crise do tamanho da causada pelas preocupações com o coronavírus, o Ibovespa tende a cair (e se recuperar) em maior proporção que os demais índices.

“E essa saída faz com que a nossa Bolsa seja mais volátil. Somos a caixinha de risco do estrangeiro. Quando ele quer assumir mais risco, ele traz investimentos para o Brasil. Quando azeda, ele vende sem medo”, concluiu sobre o Ibovespa.

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Vinicius Pereira
Vinicius Pereira foi repórter de economia da Folha de S.Paulo, stringer do jornal no Canadá e colaborador de VEJA. Já escreveu também para BBC Brasil, The Intercept Brasil e UOL.