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Ouro nas alturas: entenda as razões do pico da cotação do metal precioso

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A corrida do ouro continua implacável. O metal considerado o “bem refúgio” por excelência, atingiu nesta quarta-feira (14) sua cotação máxima nos últimos seis anos, atingindo US$ 1.535 (cerca de R$ 6.100) a onça.

Entre as causas que inflaram os preços do ouro estão eventos que acontecem simultaneamente em várias partes do mundo. Entre elas:

  • protestos em Hong Kong
  • crise política na Itália
  • reviravolta política na Argentina
  • guerra comercial
  • Brexit
  • PIB fraco na Europa

Esse contexto está colocando uma forte pressão sobre os principais mercados financeiros internacionais. Por isso, os investidores do mundo todo estão a procura por portos seguros, onde temporariamente deixar sua liquidez enquanto aguardam por um retorno da calmaria nos mercados.

Saiba mais: Ouro ultrapassa US$ 1.400 pela primeira vez desde 2013 

E um desses portos seguros é precisamente o ouro, cujas cotações chegaram a ganhar cerca de 20% do começo do ano até hoje.

Crescimento recorde do ouro

Um crescimento lento e gradual do metal, que sofreu uma primeira aceleração em junho passado. Naquela ocasião os preços chegaram acima do limite técnico de US$ 1.340-1.350. Um valor considerado muito importante entre os analistas do ouro.

A intensificação das tensões geopolíticas nos últimos meses contribuiu com o resto. E agora o ouro está subindo em direção dos US$ 1.600. Os analistas tinham previsto que o metal chegaria a esse nível de preço no final de 2019 ou no começo de 2020. Entretanto, o ouro parece estar superando todas as projeções.

A próxima meta de cotação é entre US$ 1.900 e US$ 2.000, conforme indicado pelo Bank America Merrill Lynch em seu último relatório “Quantitative failure and gold” (Falência quantitativa e ouro). Se esse cenário se concretizasse, com relação aos preços atuais haveria um ganho potencial entre 23% e 30%.

Entretanto, os maiores valores do ouro nos últimos 20 anos foram atingidos em 25 de julho de 2011, quando a cotação chegou aos US$ 1.837,68.

Bancos Centrais ajudam a inflar os preços

A cotação do ouro está subindo graças aos ventos de crises internacionais. Entretanto, além desses fatores geopolíticos, há também outras razões, mais estruturais, que estão inflando os preços do metal.

Saiba mais: Por que o ouro chegou a seu valor máximo em seis meses 

Entre elas, as políticas monetárias novamente acomodantes dos bancos centrais. A perspectiva de uma flexibilização monetária ainda mais agressiva realizada em muitos dos principais bancos centrais do mundo é um dos principais impulsos para o crescimento da cotação do ouro.

Devido à baixa inflação, o Reserve Bank of Australia e o Reserve Bank of New Zealand, os bancos centrais da Austrália e da Nova Zelândia, reduziram as taxas de juros no mês passado.

O Banco Central europeu também está orientado a continuar a política de expansão quantitativa, que levou as taxas básicas de juros ao território negativo.

Na última reunião, realizada no final de julho, o Federal Reserve também cortou os juros em 25 pontos-base. Agora os mercados esperam mais três cortes do mesmo tamanho nos próximos nove meses.

Historicamente os preços do ouro se movimentam de maneira inversa em comparação com os juros reais dos EUA. Por isso, a perspectiva de menores taxas dos EUA significa uma evolução positiva para o metal.

Além disso, o ouro também está se beneficiando das guerras cambiais e da intensificação das tensões comerciais. Durante 2018, enquanto a retórica da guerra comercial entre EUA e China aumentava de intensidade, houve uma estranha venda de ouro nos mercados. Entretanto, atualmente as coisas mudaram. A cotação do metal se beneficiou da deterioração das negociações comerciais entre as duas principais economias do mundo e voltou a ser negociado como um refúgio seguro diante dos temores sobre o futuro do comércio global.

Vale a pena investir em ouro?

Para o fundador da SUNO Research, Tiago Reis, mesmo com essa grande valorização o ouro nem sempre vale a pena como investimento. “Eu não gosto de ouro como investimento. É um investimento de retorno inferior ao longo do tempo. Existem alternativas de maior retorno no longo prazo, como são as ações e imóveis”, explicou o economista.

Para Reis, o ouro é, em alguns casos, um ativo que se valoriza em momentos de volatilidade. E alguns investidores estariam procurando o metal precioso neste momento de aumento de turbulências nos mercados internacionais.

“O grande risco de se investir em ouro é que ele é um ativo volátil também e possui um retorno histórico que não é satisfatório, fora em alguns momentos específicos”, concluiu Reis.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.