Kadima ignora coronavírus e se pauta em algorítimos na crise

Kadima ignora coronavírus e se pauta em algorítimos na crise
Occam

O coronavírus (covid-19) e a crise gerada desde sua chegada têm feito com que gestores de fundos quebrem a cabeça para identificar quais empresas devem se recuperar melhor. Não na Kadima.

Obviamente, isso não quer dizer que os gestores da Kadima não estão trabalhando duro. Só que a gestora, com R$ 1,2 bilhão sob gestão, não tenta adivinhar quais empresas devem se destacar por uma análise de balanços ou técnica, por exemplo.

Confira também: Especial SUNO Notícias – Entrevistas com gestores

“Não analisamos ou previmos cenários. A gente não vai se diferenciar tentando adivinhar cenário ou quando vai acabar o coronavírus ou não. Não é isso. Nossa forma de investir não é tentando prever cenário, mas sim buscar estratégias robustas”, afirmou Rodrigo Maranhão, sócio da Kadima Asset Management.

Eles apostam em modelos, com algorítimos, para identificar oportunidades -forma ainda pouco tradicional no Brasil.

“Nossa filosofia de investimentos é fazer a gestão pautadas nesses modelos de algoritmos desenvolvidos lá dentro da Kadima. O que sempre buscamos são modelos robustos, ou seja, que funcionem em muitos cenários diferentes. Que nos ruins não sejam desastrosos e nos bons, compensam os ruins”, disse Maranhão.

Confira a entrevista exclusiva do SUNO Notícias com Rodrigo Maranhão, sócio da Kadima Asset Management:

-Me fale um pouco da história da Kadima e quanto vocês tem sob gestão.
Começamos em 2007. A Kadima é uma casa um pouco diferente das tradicionais, temos muitas casas macro, de ações, com análise, e a Kadima é a pioneira de uma casa quantitativa. Em 13 anos, passamos por todos os cenários, otimismo, crise, recuperação e o histórico que construímos com tantos resultados diferentes, sem ruptura e resultado desastroso, é um diferencial que temos.

Nossa filosofia de investimentos é fazer a gestão pautadas nesses modelos de algoritmos desenvolvidos lá dentro da Kadima. O que sempre buscamos são modelos robustos, ou seja, que funcionem em muitos cenários diferentes. Que nos ruins não sejam desastrosos e nos bons, compensam os ruins.

Hoje temos cerca de R$ 1,2 bi sob gestão e temos sete tipo de fundos diferentes, com todos eles seguindo essa filosofia, mas com objetivos e públicos diferentes.

-Como funcionam esses algoritmos?
A principal coisa de fazer essa gestão é que você ao invés de tomar decisões com base em uma interpretação humana, você passa a tomar decisões se baseando em regras pré-definidas.

Essas regras são modelos desenvolvidos para que olhe para alguns dados e o modelo dirá quando comprar, vender os ativos, zerar, qual tamanho de cada boleta, etc. Então, com isso, você tira a parte subjetiva do processo de investimento e a torna muito mais sistematizada. É uma abordagem diferente que também é válida.

E tem vantagens e desvantagens. As vantagens é que você tira emoções. Por mais experiente que seja, um pessoa sentirá medo ou ganância e isso te atrapalha. Na abordagem sistemática, você deixa a emoção de lado do processo.

Além disso, podemos operar muito mais ativos para operar, por exemplo, pois você precisa de uma equipe grande para ter um profissional especializado em cada ativo. Já com esse modelo, você consegue operar, por exemplo, um índice de ações da Ásia e o daqui.

Já a desvantagem, que nem sempre é uma desvantagem, é que um gestor tradicional possa estudar um tema muito afundo e com a convicção grande, pode fazer uma aposta grande e ganhar muito na análise.

Em nossa abordagem, ela não ganhará na qualidade da análise. Ela não faz uma grande aposta, mas sim, diversas pequenas apostas, usando estatística. Com nossa abordagem, você baseia em dados e evidências estatísticas e replica esse experimento a seu favor.

Somos puro sangue.

-Como você vê essa crise atual?
Na verdade não somos um único modelo. Temos milhares de modelo que vão sendo rodados em paralelo aos outros. Atravessamos essa crise com relativa tranquilidade. Os fundos multimercados estão muito bem no ano, atravessando a crise com ótima rentabilidade.

Os fundos de previdência e de renda variável estão sofrendo pouco mais, mas estão todos de acordo com o que deveria acontecer em um cenário como esse que está vendo.

-Não importa até onde a crise do coronavírus vá?
Seria muita presunção achar que criamos um modelo em cima do coronavírus, por exemplo. Na nossa filosofia, quando montamos os algoritmos, olhamos base de dados de décadas, e montamos pensando nisso.

Os modelos têm que, dentro dos seus mandatos e parâmetros de risco, eles têm que perder pouco e ganhar compensar aquilo.

Não analisamos ou previmos cenários. A gente não vai se diferenciar tentando adivinhar cenário ou quando vai acabar o coronavírus ou não. Não é isso. Nossa forma de investir não é tentando prever cenário, mas sim buscar estratégias robustas.

-No Brasil, esse tipo de abordagem é comum?
Lá fora, a maioria dos grandes hedge funds usam esse tipo de abordagem. Essa abordagem é mega difundida, quando se fala de hedge fund, esse é o padrão lá fora. É o fundo quantitativo.

Aqui no Brasil ainda é bem menor, mas é uma questão de tempo para os investidores se acostumarem com esse tipo de abordagem.

Entrevista com a Kadima Asset

Vinicius Pereira

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