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JBS: follow-on com ações do BNDES deve atrasar, diz jornal

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A saída do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) da JBS (JBSS3) deve atrasar. A oferta subsequente de ações (follow-on), que seria anunciada nesta semana, possivelmente não deve ser oficializada neste mês. As informações foram divulgadas pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

O motivo seriam os trâmites internos do banco estatal que não foram cumpridos. Inicialmente, era esperado que as ações da JBS fossem vendidas pelo BNDES em dezembro, mas também foi postergada.

Em um processo similar, no final de 2019 a instituição financeira se desfez dos papéis da Marfrig (MRFG3), captando R$ 2 bilhões no mercado secundário.

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Entretanto, neste caso, o BNDES foi “instigado” a desinvestir da JBS. A gigante das carnes faria, de qualquer forma, uma oferta para arrecadar recursos com o intuito de financiar a compra de um ativo. Dessa forma, o BNDES pôde embarcar na mesma oferta, segundo o jornal.

Na oferta da JBS, que será apenas secundária, o BNDES poderá vender metade de sua fatia na empresa.

JBS é acusada por fraudes no BNDES

No início de dezembro de 2019, o Ministério Público Federal (MPF) protocolou uma ação pública por improbidade administrativa contra a JBS e a J&F Investimentos. Além disso, 14 pessoas também são alvos da acusação por fraudes no sistema BNDES/BNDESpar.

As fraudes realizadas pela JBS teriam como objetivo a facilitação do processo de internacionalização da companhia do setor de carnes. O MPF está requerendo a devolução de 144.206.155 ações da JBS para o BNDESPar e outros ressarcimentos de danos.

Com isso, o órgão público ainda impôs uma multa a empresa do ramo de carnes, que junto ao valor total do processo chega aos R$ 21 bilhões.

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“A empresa JBS, por meio de seus donos e com uso de intermediários, pagou vultosas propinas a ocupantes de altos cargos na direção do governo federal para que estes cooptassem o presidente do BNDES e parte de seu corpo técnico”, disse Ivan Marx, procurador da República, um dos autores da ação.

” [Com isso] por meio dos crimes de gestão fraudulenta e de prevaricação financeira, a JBS obteria acesso a investimentos maiores do que o necessário e em sobreavaliações do preço das ações da empresa, além da dispensa indevida da cobrança de juros”, afirmou Marx em nota.

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Jader Lazarini
Jader Lazarini escreve sobre mercado financeiro, política e economia para o portal de notícias da Suno Research. Anteriormente, trabalhou na Unidas. Estuda Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi.