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IPO da Centauro rende R$ 772,2 milhões

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A Centauro captou R$ 772,2 milhões em sua primeira oferta pública inicial de
ações (IPO). A operação da loja de itens esportivos foi a primeira deste ano na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

No IPO, a Centauro vendeu 61,776 milhões de ações, cada uma com um preço de R$ 12,50. O valor foi levemente superior ao piso estabelecido no intervalo de preço, que ia de R$ 12,10 até R$ 14,70.

Houve mais demanda pelas ações pelo piso do intervalo de preço sugerido na oferta. Por isso, por decisão da empresa e dos bancos coordenadores, a ação acabou saindo R$ 0,40 mais cara, a R$ 12,50. Mesmo assim, o IPO da Centauro teve distribuição 100% primária. As ações da empresa de varejo, de propriedade do grupo SBF, deveriam começar a ser negociadas na B3 nesta quarta-feira (16).

Saiba mais: Grupo SBF, dono da rede Centauro, planeja fazer sua abertura de capital 

Estratégia de modernização

Os recursos levantados ingressarão diretamente no caixa da empresa, permitindo levar adiante a estratégia de reformar e modernizar cerca de cem lojas da rede física. Além disso, o grupo também quer ampliar os investimentos na plataforma digital e reforçar o capital de giro.

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A Centauro tem uma forte tradição de crescimento baseada em sua atual rede de lojas. Uma estratégia que já contribuiu para incrementar suas vendas.

Segunda tentativa

Após uma tentativa frustada realizada no ano passado, o grupo SBF retomou em 2019 o processo de abertura de capital e de emissão de ações. Entretanto, naquele momento foi registrada uma dificuldade de encontrar demanda de investidores. Por isso o IPO acabou suspenso.

O fundador da rede, Sebastião Bomfim Filho, os outros acionistas, assim como a gestora GP Investimentos tinham tentado uma venda de participação direta para outros investidores. Mas também essa investida não prosperou.

Para o IPO deste ano foram mantidos os mesmos bancos coordenadores de 2018. Esses bancos são:

  • Bradesco BBI,
  • Itaú BBA,
  • BTG Pactual,
  • Credit Suisse,
  • Goldman Sachs
  • Banco do Brasil.

Para ser a primeira empresa de 2019 a realizar um IPO no mercado, o balanço consolidado de 2018 foi fechado com antecedência. Uma escolha que teve como objetivo mostrar para investidores a melhoria em suas contas, como por exemplo a redução da dívida e o aumento da rentabilidade.

Saiba mais: Lucro da SBF, dona da Centauro, cai 38% e soma R$ 148,7 mi em 2018 

A Centauro registrou um crescimento de 16% na receita líquida, chegando R$ 2,28 bilhões no ano passado. Um montante que provém por 84% das lojas físicas e o restante da plataforma digital. A margem Ebitda ajustada foi de 10% registrado em 2017 para 11,5% obtido em 2018. Por sua vez, a dívida líquida, que beirou os R$ 500 milhões há três anos, se reduziu para R$ 115,8 milhões. Entretanto, a margem líquida diminuiu e o lucro caiu de R$ 241 milhões para R$ 148,7 milhões.

Uma das razões dos problemas encontrados pela Centauro com o IPO de 2018 foi o pedido dos investidores de reestruturação financeira. Além disso, outro ponto que gerou dúvidas era a pouca relevância da rede nas vendas on-line.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.