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Guerra comercial faz com que Huawei esteja à frente da Apple no mercado chinês

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A Apple deixou de ser uma das marcas preferidas do público chinês. A guerra comercial fez a companhia norte-americana despencar da 11ª posição para o 24º lugar dentre as 50 principais marcas do mercado chinês, segundo a consultoria Prophet.

De acordo com especialistas do mercado, a participação da Apple tem sido rejeitada por conta da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

A queda da empresa norte-americana se torna mais significativa quando viu a sua concorrente, especialmente no mercado asiático, a gigante Huawei, subir da 4ª para a 2ª posição, se tornando a sétima empresa a ocupar o top 10 do estudo.

Segundo a sócia-gerente da Arbor Ventures, uma fintech de investimentos internacionais fundada na Inglaterra, Melissa Guzy, essa onda nacionalista que permeia a guerra comercial é permanente.

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“É uma mudança de longo prazo. A maioria dos chineses acredita que seu país não precisa dos EUA para nada” afirmou a executiva.

O contexto da disputal comercial entre as duas potências econômicas é o estopim da crise da Apple na China. Além da economia da gigante asiática está ritmo desacelerado após décadas de expansão, a empresa estadunidense possui uma vasta operação produtiva neste que é seu maior mercado consumidor há 20 anos.

“A China é o coração e os pulmões da história de crescimento da Apple, mas um consumidor chinês não vai gastar a metade de seu salário em um iPhone”, disse Dan Ives, analista financeiro da corretora Wedbush Securities, de Los Angeles.

Guerra comercial impacta Huawei e economia chinesa

A chinesa Huawei não contratará gigantes de tecnologia dos EUA, disse o fundador da empresa, Ren Zhengfei, em meados deste ano.

A decisão da Huawei por quebrar o vínculo com o o maior banco de talentos de tecnologia do mundo é um sintoma de que a disputa comercial entre as duas maiores potências mundiais irá se prolongar mais do que o esperado – e que causará danos à economia chinesa.

O desenvolvimento chinês, liderado pelo forte investimento nos últimos 30 anos, elevou o crescimento econômicos a dois dígitos. Entretanto, esse processo endividou as empresas, famílias e governo a uma estimativa de 300% do Produto Interno Bruto (PIB).

Isso impactou diretamente o próprio crescimento econômico, que caiu ao menor nível em 30% no segundo trimestre deste ano.

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Ao passo em que Zhengfei disse que “se tiverem cidadania dos EUA, não os contrataremos” sobre os engenheiros estadunidenses, o banco UBS estima que restrições à transferência de tecnologia poderão ser prejudiciais aos chineses.

De acordo com o banco, esse processo de bloqueio ao intercâmbio de tecnologia pode reduzir a produtividade total dos fatores de modo a derrubar em 0,5% o crescimento anual do PIB pelos próximos dez anos.

Conflitos entre Huawei e governo norte-americano

Além disso, a Huawei comunicou no dia 4 de setembro que o governo norte-americano está coagindo os funcionários da companhia a vazarem informações contra a companhia.

A gigante chinesa afirmou que foram feitas diversas buscas por seus funcionários. A empresa, no entanto, salientou que alguns empregados chegaram a ser “visitados” pelo FBI em suas residências. Dessa forma, muitos acabaram sendo pressionados a revelar informações sobre a companhia de tecnologia.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, afirmou que repudiou a atitude dos EUA. “Esse tipo de comportamento não é apenas vergonhoso, mas também imoral”, disse Shuang, reafirmando as expectativas de que a guerra comercial está longe de acabar.

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Jader Lazarini
Jader Lazarini escreve sobre mercado financeiro, política e economia para o portal de notícias da Suno Research. Anteriormente, trabalhou na Unidas. Estuda Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi.