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Guerra comercial: empresas americanas arcam com tarifa de Trump, diz FMI

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As empresas americanas e, consequentemente, os consumidores é quem estão pagando os custos das tarifas de Trump à China e da guerra comercial. A análise é do Fundo Monetário Internacional (FMI) e confirma estimativas de analistas.

Dessa forma, o relatório divulgado pelo fundo contraria as afirmações do presidente Donald Trump de que as tarifas seriam custeadas pelos chineses. Segundo o órgão, como efeito da guerra comercial, “a receita tarifária arrecadada recaiu quase inteiramente sobre importadores dos EUA”.

De acordo com o FMI, algumas das tarifas foram repassadas aos consumidores em produtos como máquinas de lavar. Além disso, outra parte foi absorvida por empresas importadoras. Isso porque as margens de lucro ficaram mais baixas.  “Os consumidores dos EUA e da China são, inequivocamente, os perdedores das tensões comerciais”, afirma o órgão no relatório.

Entenda a guerra comercial

As tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China aumentaram quando os americanos acusaram o chineses de recuar em partes de um acordo. Com isso, o presidente Donald Trump decidiu aumentar as tarifas sobre importações chinesas. Desse modo, os produtos da China entram nos Estados Unidos com uma taxa de 25% e não mais 10%. Além disso, a medida atinge US$ 200 bilhões em mercadorias.

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Por sua vez, a China retaliou a medida e também aumentou taxas sobre US$ 60 bilhões de produtos americanos. A segunda investida de Trump foi sobre a gigante Huawei. O presidente americano assinou um decreto proibindo que empresas comprassem produtos de uma lista de companhias que inclui a Huawei.

Além disso, a chinesa de tecnologia também foi impedida de comprar componentes americanos sem autorização do governo. Dessa forma, a medida prejudica os negócios da Huawei, que depende da tecnologia americana em sua cadeia de produção.

Prisão de canadenses

Diante disso, a China criticou a medida de Trump e afirmou que reagiria de forma a proteger suas empresas. Assim, os chineses mandaram prender dois canadenses que estavam detidos no país acusados de espionagem. Isso ocorreu como retaliação porque o Canadá havia detido, dias antes, a diretora financeira da Huawei a pedido dos EUA.

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A guerra comercial entre as duas potências é apontada pelo FMI como um dos fatores que vão influenciar na redução do PIB global. “Esse tipo de cenário está entre as razões pelas quais nos referimos a 2019 como um ano delicado para a economia global”, escreveram os economistas do órgão.

O fundo reduziu a previsão de crescimento global para 3,3%. A taxa é a menor desde a crise financeira. Desse modo, o FMI destaca como fatores, além da guerra comercial, tarifas mais altas sobre o comércio e também a desaceleração de grandes economias no mundo.

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Beatriz Oliveira
Formada em Jornalismo pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, Beatriz Oliveira escreve para o portal de notícias Suno Research. Antes, passou pelas redações da Revista EXAME e da Rede Bandeirantes.