Política

Greve dos caminhoneiros: governo está “entre a cruz e a espada”, diz ministro

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O governo está entre “a cruz e a espada” sobre a greve dos caminhoneiros. A fala é do ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz. A decisão está entre questões políticas para evitar uma nova paralisação da categoria, e os limites da economia.

Santos Cruz defendeu que o governo busca uma saída para a possível greve dos caminhoneiros. Ele afirmou também que a categoria precisa ter consciência dos limites em que o governo pode ceder às reivindicações. O ministro defendeu, em entrevista ao “O Globo”, que o fanatismo atrapalha o governo.

Para Santo Cruz, todos precisam fazer “sacrifícios”. O ministro reconheceu as dificuldades da situação do transporte de carga no Brasil e a importância das exigências dos caminhoneiros. Contudo, Santos Cruz afirmou que a categoria tem que entender que o setor não vive uma conjuntura difícil de forma isolada.

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“Tem problemas, e o governo tem de procurar ajudar na solução, mas a categoria também tem de entender que isso tudo existe dentro dos limites do contexto econômico, de legislação, que precisa ser entendido também”, afirmou Cruz para “O Globo”.

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Intervenção na Petrobras

Santos Cruz reafirmou os limites da equipe econômica para interferir na política de preços da Petrobras. “Não tenho os números todos na minha cabeça, mas o 0,1% que você mexe no valor de frete, no valor do combustível, acaba tendo um impacto. O resumo de tudo isso é matemático”, disse.

A afirmação vem depois de uma polêmica entorno da decisão do governo de pedir o recuo da estatal no aumento do preço do diesel. Bolsonaro solicitou que a Petrobras voltasse atrás nos 5,7% de alta anunciada no dia 11 de abril.

A estatal atendeu ao pedido presidencial e viu suas ações despencarem na Bolsa de Valores. A companhia chegou a perder R$ 32 bilhões em valor de mercado. Depois das críticas ao episódio e ao posicionamento do governo, a Petrobras anunciou um aumento de R$ 0,10 no preço do diesel. O valor desagradou os caminhoneiros, que falam de uma articulação por uma nova greve.

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Reforma da Previdência

O ministro-chefe da Secretaria de Governo não considera o adiamento da votação da Reforma da Previdência na CCJ como uma derrota para o governo. Para ele, a decisão faz parte do processo Legislativo.

Cruz defende que não é apenas o Executivo que quer a aprovação das mudanças na Previdência. Segundo ele, o Legislativo também tem buscado o mesmo resultado.

Santos Cruz não deu detalhes sobre as emendas que o governo pretende liberar em troca do apoio dos parlamentares para a reforma. Contudo, ele disse que a distribuição dos valores deve ocorrer a médio prazo.

O ministro defendeu ainda seu posicionamento contra o fanatismo. Nesse sentido, Cruz afirmou que o governo de direita busca a honestidade com recursos públicos. Para ele, o fanatismo é prejudicial independente se for de esquerda ou de direita.

Caminhoneiros divididos sobre a greve

Com um anúncio de uma greve para o dia 29 de abril, a categoria dos caminhoneiros se divide quanto ao assunto.

Segundo a Agência Estado, o representante dos caminhoneiros, Wanderlei Alves, conhecido como Dedéco, teria afirmado que a nova greve começará a meia-noite do dia 29.

“A maioria dos grupos de caminhoneiros já decidiu pelo dia 29 e abril, tem uns ou outros que acham que é pouco tempo, que devemos esperar ainda, mas a maioria concorda sobre o dia 29 porque chegamos num ponto que não tem mais condições de trabalhar”, afirmou Dedéco, “Isso não é decisão só minha, foi decidido em grupo por várias lideranças de caminhoneiros”.

O líder dos caminhoneiros afirmou que a greve deverá atingir todo o território nacional. Nos mesmos moldes do que ocorreu no ano passado, crescendo à medida que os dias passam.

“Com esse aumento no óleo diesel não tem mais condição”, afirmou Dedéco, “os caminhoneiros estão cientes que, dentro de 14, 15 ou 16 dias, vai ter outro aumento do diesel, e esse aumento de R$ 0,10/litro já afetou em R$ 1 mil no lucro mensal, e o frete continua o mesmo”.

O líder dos caminhoneiros denunciou violações no pagamento do frete tabelado. “Se estivessem pagando o piso mínimo, o aumento do óleo diesel não iria nos afetar. Mas não estão cumprindo”, afirmou Dedéco.

Segundo a lei vigente, sempre que houver um reajuste no preço do diesel superior a 10% no mercado nacional a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) deverá rever os pisos mínimos.

Dedéco salientou como o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, interrompeu o diálogo com parte dos caminhoneiros. “Somos uma espécie de linha-dura da categoria e exigimos nossos direitos. Não vemos sentido em pedir esmola para quem elegemos. Brasília foi feita para atender os anseios da população. E é esse grupo linha dura que o governo quer isolar”, afirmou o líder dos transportadores.

A mobilização e a greve dos caminhoneiros deveriam ser organizadas através de grupos de WhatsApp fechados apenas a categoria. Segundo Alves, o efeito da greve na economia nacional poderia ser evitado. “O que eu vejo é o seguinte: o prejuízo da paralisação da economia é o valor que o governo poderia desembolsar para oferecer subsídio no diesel até que o piso mínimo do frete funcionasse para valer”, afirmou o líder dos caminhoneiros.

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Beatriz Oliveira
Formada em Jornalismo pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, Beatriz Oliveira escreve para o portal de notícias Suno Research. Antes, passou pelas redações da Revista EXAME e da Rede Bandeirantes.