Gol (GOLL4) paga Delta em operação controversa com recursos da Smiles

Gol (GOLL4) paga Delta em operação controversa com recursos da Smiles
Gol (GOLL4) paga Delta em decisão controversa e mantém controle da Smiles

Em meio a crise do coronavírus (covid-19) que a impacta de maneira relevante, a Gol (GOLL4) anunciou nesta terça-feira (1) que realizou o pagamento do term loan, uma espécie de empréstimo de US$ 300 milhões que tinha como garantidora a companhia americana Delta Airlines.

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A decisão controversa, graças a forma que a companhia brasileira obteve o dinheiro, manteve o controle da Smiles (SMLS3) com a companhia brasileira, mas causou polêmica com os acionistas da empresa de fidelidade.

O xadrez começa já na tomada do empréstimo. Em agosto de 2015, a Gol utilizou a participação de 52% na Smiles  como garantia do empréstimo junto a Delta. À época, a companhia aérea passava por uma reestruturação completa e conseguiu captar dinheiro para dar sequência a gestão e a disputa com a Latam pelo mercado latino-americano.

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Como toda a operação, havia garantias para a Delta, que cederia o montante. O contrato do empréstimo previa então que, caso a Gol não conseguisse honrar o compromisso e pagar a dívida em 2020, a companhia aérea americana poderia executar a garantia e tomar parte dos papéis da Gol na Smiles.

Com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), a Gol, assim como diversas outras companhias aéreas, se viu em meio a uma queda sem precedentes na demanda por voos -o que impactou o financeiro da aérea brasileira de forma significativa. Apenas no segundo trimestre deste ano, a Gol registrou prejuízo de R$ 1,9 bilhão.

Com uma necessidade maior de caixa e sem a mesma receita, a Gol se viu em uma encruzilhada: ou pagava o empréstimo com a Delta, comprometendo ainda mais a já combalida situação financeira, ou poderia ver a Delta executar a garantia pelas ações da Smiles.

Gol buscou capital junto a Smiles

Para obter o capital necessário, a Gol realizou um acordo, visto como controverso por parte dos acionistas minoritários da Smiles. Sem muitas alternativas, a Gol foiàa própria Smiles e garantiu a compra antecipada de passagens aéreas no valor de R$ 1,2 bilhão.

O acordo, celebrado em julho, causou polêmica. Para os minoritários, o acordo “não está sendo realizada pelo interesse da companhia, mas da sua controladora”, e prometeram melar a negociação e judicializar a questão.

Mesmo com o impasse jurídico, a Gol obteve o montante necessário para realizar o pagamento do empréstimo de US$ 300 milhões e impedir que a Delta executasse a garantia de ações da Smiles.

Apesar do entrevero com os minoritários, o mercado parece ter apreciado o acordo e a manutenção da participação da Gol na Smiles. As ações da aérea subiram 5,20% nesta terça-feira (1), cotadas a R$ 18,82.

Para o analista Pedro Galdi, apesar da contestação por parte dos acionistas, a crise do coronavírus e o estado de exceção pelo qual as empresas passam justificam a ação.

“A empresa vive um momento fora da curva. Quando aconteceu a proposta com a Smiles os acionistas reclamaram, mas o conselho aprovou. É uma questão de sobrevivência. Não vejo risco para a empresa em relação a estas operações, mas sim o tempo que a economia demorar a volta ao seu normal”, disse o analista sobre a Gol.

Vinicius Pereira

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