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Autoridades alemães analisam fusão entre Deutsche Bank e o Commerzbank

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As autoridades alemães estão analisando a possível fusão entre Deutsche Bank e o Commerzbank.

O Ministério das Finanças de Berlim solicitou ao regulador bancário alemão (BaFin) de compartilhar a análise de uma possível fusão entre o Deutsche Bank e o Commerzbank. Segundo o jornal britânico “Financial Times”, ministério está avaliando o potencial de fusão entre os dois bancos. O objetivo dessa união seria criar um banco alemão com capacidade de expansão internacional.

A situação das contas do Deutsche Bank continua sendo analisada de perto pelos analistas. Relatos de problemas financeiros continuam a aparecer e em 2018 as ações do banco perderam 50%. Isso tudo apesar doo gigante alemão ter superado os testes europeus de resistência do capital a cenários extremos com um ratio de 13,5%. O Deutsche Bank também está sob investigação por ter ajudado clientes a criar contas em paraísos fiscais e por outras irregularidades financeiras. Entretanto, no final de 2018 o presidente do banco alemão negou a necessidade do banco recorrer a “ajuda estatal” ou de precisar de uma fusão.

Da fusão entre Deutsche Bank e Commertzbank surgiria o terceiro maior banco da Europa. A nova instituição financeira teria quase 2 trilhões de euros em ativos. Desse valor, 1,47 trilhão de euros seriam do Deutsche Bank e 452,5 bilhões do Commerzbank. Um valor que colocaria o novo banco atrás apenas do britânico HSBC e do francês BNP Paribas. Hoje o Deutsche Bank é o primeiro banco alemão, mas está em quarto lugar na Europa em termos de ativos, depois do Crédit Agricole. O Commerzbank ocupa a 23º posição.

Essa é a segunda vez que o Deutsche Bank tenta se fundir com o Commertzbank. As primeiras tentativas de fusão, realizadas em setembro, falharam. Segundo o “Financial Times”,  o ministro alemão das Finanças e vice-chanceler, Olaf Scholz, não exclui uma fusão. O jornal informou que entre maio e dezembro do ano passado políticos alemães tiveram 23 reuniões com a chefia do Deutsche Bank. Entre os executivos do banco presentes, estavam o presidente executivo e outros diretores de primeiro escalão. Nessas reuniões teriam sido discutidas “opções estratégicas”.

Por outro lado, o executivo-chefe do Deutsche Bank, Christian Sewing, tinha declarado em setembro que uma grande fusão não estava no radar nos próximos 18 meses. Isso por causa dos esforços de reestruturação do banco.

Segundo o jornal alemão “Handelsblatt”, o governo da chanceler Angela Merkel estaria favorecendo a fusão.

Entretanto, nem o Ministério das Finanças, nem o BaFin, nem o Banco central alemão (Bundesbank) nem o Banco Central Europeu (BCE) quiseram comentar. O Deutsche Bank e o Commertzbank também não quiseram comentar.

Escândalo dos Panama Papers

O maior banco alemão está sendo investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro. As acusações contra o Deutsche Bank surgiram depois da divulgação na imprensa dos Panama Papers. Os funcionários do banco terão ajudado clientes a criar contas em paraísos fiscais para movimentar dinheiro de atividades criminais. Segundo a Reuters, somente em 2016, mais de 900 clientes teriam sido atendidos por uma controlada do banco sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Nessas operações teria sido movimentado um volume de 311 milhões de euros.

Em novembro, 170 agentes da polícia alemã entraram nos escritórios do Deutsche Bank em Frankfurt. A sede do banco foi alvo de busca e apreensão.

Saiba mais: Sede central do Deutsche Bank é alvo de operação policial 

Mas o caso dos Panama Papers não é o único inquérito que envolve o Deutsche Bank. Um outro caso apura o envolvimento da instituição no caso do dinamarquês Danske Bank. Segundo os investigadores, o Deutsche seria responsável por operações de lavagem de dinheiro e violação das regras de controle bancário naquele que é o 22.º banco da Europa. Um posição acima do Commertzbank, o banco ao qual o Deutsche Bank quer se unir.

 

 

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Carlo Cauti
Editor-chefe do SUNO Notícias. Italiano, formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. Concluiu também um MBA em Finanças na B3. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.