Negócios

Fitch rebaixa perspectiva de 83% dos setores econômicos para “negativa”

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A agência de classificação de risco Fitch Ratings revisou neste sábado (28) suas previsões setoriais por causa dos efeitos econômicos da pandemia de coroanvírus (covid-19). As novas perspectivas indicam que 83% dos setores estão com perspectiva “negativa”. No início de 2020 eram apenas 21%.

A atualização da Fitch é devida à rápida deterioração macroeconômica e do ambiente operacional a nível global. “Não há perspectivas setoriais positivas”, salientou em comunicado a agência de classificação de risco.

No comunicado é indicado como as perspectivas setoriais refletem as condições econômicas e de negócios e são mais sensíveis às mudanças no ambiente econômico comparadas às perspectivas de ratings.

Por outro lado, as perspectivas de desempenho de ativos refletem as tendências direcionais de performance subjacentes aos ativos de transações financeiras estruturadas.

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Além disso, segundo a Fitch, todas as previsões setoriais soberanas estão negativas, “como reflexo do choque sem precedente do lado da oferta, resultante de prolongados isolamentos ao longo das principais economias”.

Tudo dependerá da duração da crise do coronavírus

A agência indiciou como os efeitos de primeira e segunda ordem da pandemia de coronavírus estão já se traduzindo em uma deterioração macroeconômica em um ritmo e escala também sem precedentes nas últimas décadas.

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E o risco, segundo a Fitch, é respostas à crise com políticas fiscais de estímulos em larga escala acabem prejudicando “as contas fiscais para além do curto prazo”.

“Os mercados emergentes vão enfrentar riscos adicionais vindos da confluência de moedas enfraquecidas, saídas de capital, estresse de financiamentos e preços de commodities significativamente reduzidos”, salientou a agência, indicando também como “o choque dos preços do petróleo que vem de uma combinação de excesso de suprimento e demanda reduzida vai afetar particularmente as economias exportadoras de energia”.

Segundo a Fitch, o rebaixamento da nota de cada título é ligado a duração da crise econômica provocada pelo coronavírus, assim como “a velocidade de recuperação e do comprometimento dos soberanos de retomar as métricas de crédito para os níveis pré-crise, uma vez que a pandemia tenha sido contida”.

A Fitch revisou para “negativa” a previsão de quase todos os ativos financeiros estruturados. Uma decisão que reflete os efeitos das disrupções econômicas sobre os negócios e os tomadores pessoa física. “Devido à natureza global do choque do coronavírus, um desempenho fraco dos ativos é esperado em todas as regiões”, salientou a agência de classificação de risco.

Fitch reduz projeção de PIB global por conta do coronavírus

A Fitch reduziu na semana sua projeção de crescimento da economia global também por conta dos impactos do coronavírus. Com isso, a expectativa da agência é que o Produto Interno Bruto (PIB) seja reduzido em US$ 850 bilhões ante a previsão anterior.

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Conforme o relatório divulgado pela agência, a expectativa é que a economia global avance somente 1,3% em 2020. A projeção anterior, divulgada em dezembro do ano passado, previa um crescimento de 2,5%.

A Fitch salientou ainda que a redução será maior caso as economias do G7 apliquem medidas restritivas mais severas para contar a propagação da doença.

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Carlo Cauti
Editor-chefe do SUNO Notícias. Italiano, formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. Concluiu também um MBA em Finanças na B3. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.