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Fitch mantém rating do Brasil em BB- com perspectiva estável

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A agência de classificação de risco Fitch confirmou nesta sexta-feira (14) o rating do Brasil em ‘BB-’. A agência manteve a perspectiva estável sobre a classificação do País.

Em seu relatório, a Fitch salientou que a nota do Brasil é limitada pelo baixo crescimento e pelo crescente endividamento do governo. Além disso, a estrutura fiscal rígida, o fraco potencial de crescimento e um ambiente político difícil, com fragmentação do Congresso e questões relacionadas à corrupção, dificultam o avanço da agenda de reformas econômicas e fiscais necessárias para o País.

“A falta de estabilidade do governo Bolsonaro e falta de uma base confiável no Congresso pode fazer as reformas difíceis e mais demoradas, especialmente aquelas que requerem emendas constitucionais. As eleições municipais de 2020 podem diminuir a janela para reformas. Finalmente, as perspectivas da reforma podem sofrer caso a economia tenha um desempenho abaixo do esperado nos próximos meses”, diz o comunicado da Fitch.

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Para a agência de classificação de risco, o rating ‘BB-‘ é baseado na diversificação e ampla dimensão da economia brasileira. Além disso, a elevada renda per capita em relação aos outros países da região e a capacidade de absorver choques externos, graças ao regime de câmbio flutuante, também ajudaram na avaliação.

Outro fator que influenciou positivamente foram as contas externas e as reservas internacionais robustas, além de um mercado local de dívida pública muito forte.

Fitch explicou como o Congresso brasileiro aprovou recentemente a reforma da Previdência Social, considerada necessária para a estabilidade das contas públicas.

A reforma gerará uma economia de cerca de R$ 800 bilhões (cerca de 11% do PIB projetado para 2019) nos próximos dez anos.

Além disso, segundo a Fitch, o processo de desinvestimento de ativos públicos registrou avanços. Seja por parte do governo que por parte de empresas estatais, como a Petrobras, ou por bancos públicos, que venderam ativos nos últimos meses.

A agência de classificação de risco tinha atribuído a nota BB- ao Brasil em fevereiro de 2018. País perdeu o selo de bom pagador (investiment grade) em 2015, quando seu rating passou de BBB- para BB+.​

Fitch aponta desafios econômicos

Entretanto, a agência de classificação de risco salienta como o endividamento do governo continua alto. Atualmente a dívida pública federal representa cerca de 79% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019. Essa porcentagem deverá continuar crescendo na próxima década.

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Uma situação problemática, especialmente se comparada com outros países emergentes. A mediana dos países classificados com ‘BB’ é de 46,7%. Para a Fitch, será necessária uma melhora no resultado primário do orçamento de cerca de 3 pontos percentuais do PIB para a estabilização da relação dívida/PIB. Um desafio considerável no atual ambiente de fraco crescimento econômico e cenário político fragmentado.

Além disso, segundo a Fitch, o PIB brasileiro deverá ter um crescimento de 0,8% em 2019 e de 2% em 2020. As previsões são inferiores as médias de 3% e de 3,2%, para 2019 e 2020 respectivamente, dos demais países na faixa de crédito BB.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.