Finanças pessoais

Finanças pessoais: Como organizar as contas do início de ano

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Após o período de férias, muitos complicam suas finanças pessoais logo no início do ano por conta das diversas contas “extras” do período entre janeiro e fevereiro. Faturas das viagens, o material escolar, o IPTU e o IPVA são alguns dos fatores que tiram o sono de muitos brasileiros todos os anos.

Por isso, o Suno Notícias falou com especialistas sobre planejamento financeiro para reunir dicas de como se organizar logo de início e não passar aperto nos meses seguintes. Veja as recomendações:

Segundo Luciana Ikedo, assessora de investimentos, o primeiro passo para ter um bolso saudável, durante todo o ano, é conhecer os seus números. “Planilhe todas as suas despesas e saiba exatamente o quanto ganha. Os principais erros das pessoas estão na falta de conhecimento de si e das próprias finanças, deixando de fora do orçamento despesas importantes que acontecerão. Outro erro, o maior de todos, é não ter um orçamento e ir gastando conforme a vida vai acontecendo”, indica a especialista.

De acordo com uma pesquisa sobre endividamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens (CNC), o percentual de famílias endividadas em dezembro chegou a 65,6%. Esse número engloba dívidas em diversas modalidades, como:

  • cartão de crédito;
  • cheque especial pré-datado;
  • crédito consignado;
  • crédito pessoal;
  • carnê da loja;
  • prestação de carro;
  • prestação da casa;

A pesquisa diz que o número de famílias com contas atrasadas diminuiu em dezembro do ano passado, em relação ao mês de novembro, saindo de 24,7% para 24,5%. Entretanto, na comparação anual, houve um aumento significativo de 22,8% de famílias inadimplentes.

Luciana destaca que decidir antecipadamente o quanto você quer destinar para cada área, como lazer, educação, moradia, férias, saúde, alimentação dentro e fora de casa, é algo fundamental. Além disso, é de suma importância controlar para se manter dentro do orçado, acompanhando as despesas mês a mês.

Sobre as despesas fixas de início de ano, como é o caso do IPTU e do IPVA, Luciana afirma que elas são pontuais, mas recorrentes. Por isso, é possível sempre estar programado para elas. “Algumas despesas são pontuais mas recorrentes. No próximo ano você terá novamente o IPTU, o IPVA, a matrícula do colégio, a compra de material escolar e por aí vai. Assim, já considere começar uma provisão para o pagamento dessas despesas olhando para 2021, pois elas chegarão novamente só que você estará preparado para recebe-las”, orienta.

O professor de economia da ESPM Adriano Gomes considera que, em casos de gastos recorrentes, pontuais e certos, o ideal é, ao longo do ano, realizar uma poupança para este fim específico.

“Por exemplo: uma família tem IPVA de R$ 1.500, IPTU de R$ 2.000, matrícula de R$ 800, material de R$ 400 e cartão de crédito de R$ 1.300. No total, dá R$ 6.000, um valor bastante elevado. Mas, se poupar R$ 500 mensais durante 12 meses, numa poupança específica, terá em janeiro o valor necessário para pagar à vista e sem sobressaltos”, explicou.

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Segundo o especialista em controladoria em finanças, o mesmo raciocínio vale para impostos. “O IPVA pode ser pago em 3 parcelas mensais sem o desconto que atualmente é de 3%. O IPTU, dependendo da cidade, pode oferecer um bom desconto à vista. Se possível, aproveite os descontos. Caso contrário, pague parceladamente”, analisou Gomes.

O professor de Finanças do Ibmec-SP George Sales afirma que um dos principais erros das pessoas no início do ano, na verdade, vem do ano anterior. “Mais precisamente, nos meses de novembro e dezembro, quando o 13º salário não é reservado para as grandes despesas de início de ano, como o IPTU, IPVA, matrícula do colégio, material escolar, entre outros grandes encargos.Outro erro é não fazer negociação, ou pelo menos, observar quais são os descontos ou não em relação aos pagamentos desses encargos de forma antecipada”, explica o especialista.

Organização nos investimentos

Os especialistas também recomendam que as pessoas que querem investir coloquem seus investimentos dentro de um orçamento, e não só as contas. “Ou seja, decida antecipadamente o quanto deseja investir e assim que receber a sua renda faça imediatamente as suas aplicações financeiras. Não espere o final do mês e a sobra, porque o dinheiro pode não existir”, diz Luciana.

A saúde das finanças pessoais das famílias é também uma das áreas de atuação do Banco Central. A instituição tem programas voltados à educação financeira. Para os especialistas do BC, se organizar bem financeiramente não significa restringir gastos e deixar de comprar. “Não se trata de fazer menos de tudo, mas sim fazer mais daquilo que é mais relevante, mais importante, que traz mais benefício para o indivíduo e a família, para sua realidade, seus anseios”, diz o texto sobre o assunto da autoridade monetária.

A orientação geral dos profissionais do BC, assim como os especialistas em finanças pessoais, é de que é necessário refletir sobre os gastos e avaliar se eles realmente  trazem benefício. Para o BC,algumas dicas  são válidas para o ano inteiro:

  • Mude seus hábitos, para consumir mais e melhor;
  • Tenha disciplina e compromisso. Ao controlar seus impulsos de consumo, o maior beneficiário será você mesmo;
  • Poupe todo mês, mesmo que seja um valor pequeno. Se você consegue pagar prestação de contas, também consegue poupar para não desequilibrar suas finanças pessoais.

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Juliano Passaro
Juliano Passaro escreve sobre política, economia e negócios para o portal da Suno Research. Antes da Suno, trabalhou no Portal da Band. É formado em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.