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Facebook cedeu dados de usuários a gigantes da tecnologia

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Facebook teria compartilhado outros dados pessoais de seus usuários com gigantes tecnológicos. A informação foi revelada nesta quarta-feira (19) pelo jornal norteamericano “The New York Times”.

Segundo o jornal, Facebook teria concedido os dados pessoais dos usuários para empresas como Microsoft, Amazon e Netflix. E essa divulgação de informações pessoas seria maior do que a empresa de Mark Zuckerberg tinha revelado até agora.

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O jornal nova-iorquino teve acesso a centenas de documentos internos do Facebook. Neles aparece como a empresa compartilhou os dados sem o consentimento dos usuários. A rede social teria baseado desta forma seu modelo de negócio através da publicidade.

Além disso, o The New York Times diz ter entrevistado cerca de 50 ex-funcionários e parceiros da rede social que confirmaram as informações.

No último ano, outras investigações apontaram que dados de usuários do Facebook haviam sido usados pela empresa britânica Cambridge Analytica. Esse dados pessoais foram utilizados para análises políticas e influenciar as eleições americanas de 2016.

No começo, as informações era de um vazamento de dados de 50 milhões de pessoas. Entretanto, em seguida o próprio Facebook confirmou que cerca de 87 milhões de contas foram atingidas.

Acordos com gigantes da tecnologia

Por exemplo, Facebook autorizou ao Bing, a plataforma de busca da Microsoft, a ver todos os nomes das amizades dos usuários do Facebook. A rede social permitiu que Netflix e Spotify ler as mensagens privadas de usuários.

Além disso, concedeu à Amazon acesso ao nome dos usuários e informações de contato e ao Yahoo ver publicações das amizades.

Algumas destas práticas ocorreram pelo menos até meados de 2018. Depois que o Facebook tinha dito publicamente que já não permitia tais ações. Declarações que foram feitas depois de múltiplos escândalos de privacidade que envolveram a rede social.

No total, segundo a reportagem, cerca de 150 empresas se beneficiaram destes dados.  A maioria delas voltada à área de tecnologia, mas também lojas on-line, montadoras e empresas de comunicação. O Facebook tem hoje 2,2 bilhões de usuários.

Os acordos, feitos a partir de 2010, estavam valendo em 2017, e alguns ainda continuavam neste ano.

A palavra com o Facebook

O diretor de privacidade do Facebook, Steve Satterfield, declarou que nenhuma parceria violou as regras de privacidade dos usuários. Além disso, Satterfield negou que essas práticas violassem os compromissos que a empresa assumiu com os reguladores federais.

“Nenhuma dessas parcerias ou recursos concedeu às empresas acesso a informações sem a permissão dos usuários, nem violaram nosso acordo de 2012 com a Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês)”, afirmou Konstantinos Papamiltiadis, diretor de plataformas de desenvolvedores e programas do Facebook.

“Sabemos que temos que conquistar a confiança das pessoas de volta”, continuou Papamiltiadis. “Proteger as informações das pessoas requer termos mais rígidos, uma melhor tecnologia e políticas mais transparentes, e é nisso que temos focado neste ano.”

Porta-vozes do Spotify e da Netflix informaram ao NYT que “não tinham conhecimento dos amplos poderes que o Facebook lhes concedeu”. Por sua vez, o Yahoo negou ter utilizado informações para publicidade.

Escândalos contínuos de privacidade

Facebook está enfrentando uma série de escândalos de privacidade, que estão manchando a imagem e reputação da empresa. Esses escândalos se somam a controvérsia que rodeia a rede social pela divulgação de mentiras e notícias falsas em processos eleitorais com o objetivo de influenciar nos resultados.

No caso concreto, nas eleições presidenciais nos EUA de 2016, Facebook estimou que cerca de 10 milhões de pessoas estiveram expostas aos mais de 3 mil anúncios pagos por contas falsas supostamente ligadas com a Rússia.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.