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Bolsa de NY: ETF recebe mais investimentos com cena política do Brasil

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As incertezas no cenário político brasileiro aumentaram o apetite por risco dos investidores. Contudo, os mesmos não estão aplicando no índice acionário Ibovespa, da B3 (Bolsa de São Paulo). Mas sim, em Exchange Traded Funds (ETF) da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). As informações são da “Bloomberg”.

Não se sabe se o movimento de apostas no ETF é de alta (bullish) ou de baixa (bearish). Afinal, é comum que fluxos de entrada sinalizem um cenário no qual: as cotas de um determinado fundo são criadas por operadores que acreditam em uma queda, para realizar o aluguel de ações, e então fazer a venda a descoberto.

O ETF Direxion Daily Brazil Bull 3X Shares (BRZU) obteve investimento semelhante a 32% de seu valor de mercado (US$ 388 milhões), nesta semana. Inclusive, houve injeção recorde de US$ 94 milhões em apenas um dia.

Tal ETF almeja retornos de 300% sobre o índice acionário MSCI Brazil Index.

Contudo, o MSCI Brazil Index desvalorizou para o menor nível do ano, na quarta-feira (27), provocando uma queda de cerca de 17% no ETF.

Nesta quinta-feira (28), a alta do ETF era de 7,03% a US$ 26,63 na NYSE.

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Será o momento certo?

O momento político do Brasil, com as discordâncias entre Jair Bolsonaro e os parlamentares, principalmente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) tem desestimulado os investidores do Ibovespa.

O principal motivo das farpas trocadas entre ambos é a articulação para aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional. Na véspera, Maia disse que o presidente da República está “brincando” de governante.

Somado a isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse também na véspera que não possui apego ao cargo político. Logo em seguida, afirmou que não é irresponsável ou inconsequente para sair do cargo na “primeira derrota”.

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A aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) previdenciária é aguardada pelo mercado. Afinal, a contabilidade pública aponta para grande déficit, futuramente, caso a PEC não seja aprovada.

Com o conturbado cenário político, o Ibovespa despencou 3,57% na última quarta-feira, chegando a 91.903 pontos. Dez dias após bater a marca histórica de 100 mil pontos.

O dólar, por sua vez, encerrou a R$ 3,9545 com alta de 2,273%.

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Movimento do ETF não é inédito

Esta é a segunda vez que os investidores utilizam o ETF Direxion Daily Brazil Bull 3X Shares para posicionar-se diante de crises políticas brasileiras.

A segunda maior injeção no ETF ocorreu em maio de 2017, quando o escândalo de corrupção da JBS (JBSS3), que envolvia o então presidente da República, Michel Temer (MDB), eclodiu. A empresa foi investigada por desdobramento da Operação Lava Jato.

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O que é ETF

Os ETFs são representações de um ativo que tem por objetivo reproduzir o desempenho de índices acionários específicos, como o Ibovespa, por exemplo. Ou ainda o desempenho de algum setor específico, como o de commodities.

Em outras palavras, os ETFs, que também são comumente conhecidos como Fundos de Índices, podem ser definidos como uma “cesta” ou “pacote” de ações com características predeterminadas em comum. Tais papeis são reunidos em um único ativo.

Desta forma, ao realizar a compra de um ETF, o investidor automaticamente está adquirindo um conjunto de ações com características semelhantes em algum aspecto específico e que são pertencentes ali em um único ativo. O que, de certa forma, contribui para a diversificação das aplicações desse investidor.

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Amanda Gushiken
Amanda Sayuri Gushiken escreve sobre finanças e negócios para o portal Suno Notícias. Antes, trabalhou selecionando notícias da imprensa para clientes do mercado financeiro. Também desenvolveu pesquisa acadêmica pela Universidade Anhembi Morumbi na área de Teorias da Comunicação e é fotógrafa nas horas vagas.