ESGB11: ETF ESG do BTG Pactual estreia sem Vale, Petrobras e JBS

ESGB11: ETF ESG do BTG Pactual estreia sem Vale, Petrobras e JBS
O ETF com premissas ESG do BTG Pactual, ESGB11, estreia na Bolsa de Valores de São Paulo nesta segunda-feira.

O Exchange Traded Fund (ETF) com as premissas ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG) do BTG Pactual (BPAC11) estreia nesta segunda-feira (5) na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). O ativo, que é negociado sob o ticker ESGB11, contudo, não conta com três das maiores empresas do Brasil: Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e JBS (JBSS3).

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De acordo com as gestoras de renda variável do BTG Pactual Asset Management, a gestora do ESGB11, Andrea Cardia e Andrea Weinberg, a metodologia criada pela S&P Dow Jones Índices (S&P DJI) que deixou as gigantes brasileiras de fora do índice baseado em ESG é “robusta” e reconhecida globalmente, sendo a mesma utilizada pelo já consolidado Dow Jones Sustainability Index, lançado em 1999.

As gestoras explicaram que a Vale ficou de fora do índice por conta da tragédia de Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, enquanto Petrobras e JBS, citadas em conhecidos escândalos de corrupção anos atrás, não foram escolhidas devido à governança.

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Segundo a metodologia, o índice exclui empresa com base na sua participação em determinadas atividades comerciais (como, por exemplo, tabaco, armamento e carvão), no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU (UNGC, na sigla em inglês) e também empresas sem pontuação ESG da S&P DJI.

Na prática, qualquer tópico controverso em questões ambientais, sociais e de governança corporativa (como corrupção e fraudes), ou histórias questionáveis que podem enfraquecer a pontuação ou excluir uma ação do índice, e por consequência, do ETF.

Entretanto, se as companhias melhorem suas práticas, mudando a pontuação, também podem voltar para o índice, mesmo com porcentual pequeno de representatividade da carteira teórica. “Petrobras, Vale e JBS podem fazer parte da carteira no futuro”, comentaram as gestoras.

“Esse índice tem o potencial de fomentar boas práticas ESG no mercado brasileiro”, disse Andrea Weinberg. Segundo as gestoras, na Europa, o ESG já figura em 50% das decisões de investimentos, e nos Estados Unidos, em 25%.

Andrea Cardia, por sua vez, diz que o novo ETF reflete o índice S&P/B3 Brasil ESG, com 96 ativos de diferentes setores, sendo os mais representativos:

  • Bancos (23,6%);
  • Consumo discricionário (17,1%);
  • Indústrias (13,2%);
  • Utilidades públicas (10,4%);
  • Bens de consumo (10,2%).

Entre os principais ativos estão: Lojas Renner (LREN3), Banco do Brasil (BBAS3), Natura & Co (NTCO3), Itaúsa (ITSA4), Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Cemig (CMIG4) e Weg (WEGE3). “É um índice com muito menos commodities que o Ibovespa”, afirmou a gestora.

ESG e ETFs em expansão

Com o ETF ESG, a BTG Pactual Asset Management entra num setor do mercado ainda pequeno (5,2% de representativa entre os fundos de ações), mas que está em ascensão e que já possui participantes de peso, como Itaú, Blackrock, Bradesco e Caixa, totalizando R$ 26 bilhões em patrimônio em ETFs.

Logo de início, o fundo terá R$ 100 milhões em patrimônio líquido em cotas de R$ 100, enquanto ETFs já antigos do mercado, como o ISUS11, possuem patrimônio de cerca de R$ 30 milhões. “Os ETFs de Ibovespa pegaram, os outros não pegaram”, diz Weinberg. “Trouxemos um produto mais sofisticado num momento em que as pessoas procurando por bolsa de valores e por ESG”, salienta Cárdia.

Quanto à ainda baixa adesão ao mercado de ETFs no Brasil, elas argumentaram, por exemplo, que o ETF do Índice de Sustentabilidade é um excelente produto, mas só tem 35 ações, no máximo 40 ativos, ou seja, pouco diversificado, enquanto os ETFs de Ibovespa — que possuem maior apelo e têm liquidez — reúnem acima de 70 companhias.

Perguntadas sobre se há falta de procura dos investidores pessoas físicas por ETFs, ambas responderam que há muito potencial na categoria, com base nos volumes vistos em outros mercados. “Nos EUA, 20% do volume está em ETFs”, comenta Weinberg. “Vemos crescimento no Brasil, mas também estamos fomentando este tipo de investimento”, disse Cárdia.

Sobre planos do BTG em ETFs ou BDRs de ETFs, elas salientaram que este é o primeiro produto dessa natureza, e que precisam avaliar seu desempenho. “Mas é um mercado que vamos olhar” diz Weinberg. Cardia disse que o ESGB11 será distribuído nas plataformas do BTG, mas que terá amplo acesso. “ETF não tem dono, é de todo o mercado”, conclui a gestora, indicando que o produto estará disponível em todos os distribuidores do mercado. A taxa de administração do ESGB11 é de 0,50% ao ano.

Com informações do Estadão Conteúdo.

Jader Lazarini

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