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Epicentro do coronavírus, Hubei, na China, registra tumultos

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Um tumulto espontâneo eclodiu nesta sexta-feira (27) na fronteira entre as províncias de Hubei e Jiangxi, na região centro-sul China, epicentro da pandemia de coronavírus (covid-19). Dezenas de milhares de cidadãos atacaram os agentes de polícia e devastaram vários veículos das forças de segurança locais.

As imagens dos tumultos, gravadas por cidadãos com telefones celulares, foram veiculadas nas redes sociais, superando a censura imposta pelo governo da China. O tumulto começou no condado de Huangmei, em Hubei, na longa ponte que atravessa o rio Yangtze e leva à cidade de Jujiang, na província de Jiangxi.

A raiva popular explodiu no final da quarentena no território de Hubei, que tem cerca de 60 milhões de habitantes, 11 dos quais estão concentrados na metrópole de Wuhan, epicentro original da pandemia de coronavírus.

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O parcial afrouxamento das restrições ao movimento impostas à província chinesa (que em Wuhan durará até 8 de abril) permitiu, a partir da última quarta-feira (25), a retomada parcial da movimentação da população.

No entanto, as autoridades locais de Jiangxi condicionaram o acesso ao seu território somente aos residentes de Hubei que apesentassem um atestado médico. Na manhã desta sexta, a aplicação desta medida teria provocado a revolta.

Milhares de cidadãos do condado de Huangmei, desesperados após um isolamento de sessenta e dois dias que limitou fortemente suas liberdades individuais, seguiram para a ponte e atacaram com violência os policiais de Jiangxi.

O secretário do Partido Comunista de  Huangmei interveio para conter o tumulto, garantindo um confronto com as autoridades da cidade de Jiujiang para resolver o problema.

Dúvidas sobre número oficial de mortos na China

A agência de notícias norte-americana Bloomberg informou nesta sexta que há dúvidas sobre o número real de mortos por coronavírus divulgado pelo governo da China.

As longas pilhas de urnas para as cinzas das vítimas de coronavírus em Wuhan levantam dúvidas sobre o verdadeiro número de mortos no país asiático e sobre a transparência do governo chinês.

Segundo a Bloomberg, em pelo menos oito estruturas funerárias onde as cinzas foram entregues aos familiares das vítimas haveria milhares de urnas.

Entretanto, os dados oficiais do governo chinês indicam que apenas 2.535 pessoas morreram em Wuhan. Muitos na China e no exterior se mostraram céticos quanto à precisão da contagem oficial. Principalmente devido ao precário sistema de saúde local, às tentativas das autoridades de encobertar a epidemia em seus estágios iniciais e a várias análises de como os casos são contabilizados.

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Fotos mostrariam como nas últimas quarta e quinta-feira, cerca de 2.500 urnas deixaram as oito casas funerárias da cidade. Não está claro quantas foram de fato preenchidas. Algumas famílias disseram que foram forçadas a esperar várias horas para coletar as cinzas sem, no entanto, que ninguém fornecesse informações claras sobre o número de urnas.

No quarto trimestre de 2019 foram realizadas 56.007 cremações em Wuhan, de acordo com dados da agência de assuntos civis da cidade da China. Ou seja, 1.583 a mais do que no quarto trimestre de 2018 e 2.231 a mais que no mesmo período de 2017.

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Carlo Cauti
Editor-chefe do SUNO Notícias. Italiano, formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. Concluiu também um MBA em Finanças na B3. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.