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Entenda o que é uma fintech e saiba quais são as 3 maiores do Brasil

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O termo fintech é a junção de Financial e Technology (finança e tecnologia). Como o nome já diz, são serviços prestados por novas empresas (startups) que utilizam a tecnologia como ferramenta principal para atrair clientes.

As fintechs oferecem serviços que já existem em bancos e instituições financeiras tradicionais. Entretanto, a velocidade e agilidade oferecida pelas fintechs é muito maior do que a de bancos comuns. Além disso, essas empresas trabalham com redução de custos e corte de taxas que são, normalmente, muito elevados em quase todos os bancos.

Segundo o Radar Fintechlab, no Brasil o número de fintechs e novas instituições de cunho financeiro subiu de 453, no segundo semestre de 2018, para 604 no começo de junho de 2019.

Em entrevista ao portal SUNO Notícias, o professor de administração da Fundação Instituto de Administração (FIA), Álisson Sávio Siqueira, falou sobre o que difere uma fintech de uma instituição como, por exemplo, um banco já consolidado no mercado.

“A fintech consegue oferecer um serviço mais direcionado, sem a obrigação de contratação de serviços adjacentes, e com isso traz uma vantagem maior para o cliente”, explicou o professor.

Segundo Siqueira, o termo fintech está sendo ampliado e usado para outros serviços.  “O Mercado Livre, por exemplo, lançou o Mercado Pago (serviço de pagamento da plataforma). Hoje a mídia o classifica como uma fintech. Não está errado, mas o termo está sendo ampliado”, analisa o professor.

Nubank

A maior fintech do Brasil é o Nubank. Muito conhecido pelo seu cartão de crédito de cor roxa, o banco ganhou fatias de mercado nos últimos anos graças a ausência de anuidade em seu produtos. Além disso, a startup também utiliza serviços muito facilitados graças a suas ferramentas altamente tecnológicas. Seu cartão de crédito também conta com a vantagem de ser nacional e internacional ao mesmo tempo.

A simplicidade do Nubank tem início na forma de adesão da plataforma. Para requerer os serviços é necessário, apenas, baixar o aplicativo da empresa no smartphone e fazer um cadastro. Entretanto, há uma análise de crédito para averiguar a vida financeira do cliente. O cadastro pode demorar para ser aprovado. O prazo varia entre horas e até três meses, dependendo da saúde financeira do candidato.

Atualmente, o Nubank é a maior fintech brasileira. “No Brasil, pagamos as tarifas e os juros mais altos do mundo pelos piores serviços bancários. Nós sabemos que tecnologia e design podem resolver esse problema”, informa o Nubank. A ideia da fintech, desde o começo, foi mudar a relação de pessoas com o dinheiro.

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Além do serviço de cartão de crédito, o Nubank conta com o serviço NuConta, que dá ao cliente a liberdade de fazer transferências gratuitas e ilimitadas, para todos os bancos. Também há o Rewards, e os empréstimos. O Rewards é um serviço que busca recompensar o cliente com pontos que podem ser trocados em lojas parceiras da marca. Os empréstimos no Nubank também atraem os clientes pela transparência, já que pode ser realizada uma simulação sempre antes de contratar o serviço.

Creditas

Em segundo lugar entre as maiores fintechs do Brasil, a Creditas é maior fintech de empréstimo com garantia do Brasil. A empresa busca ajudar seu cliente a combater o endividamento com crédito de qualidade. A companhia surgiu em 2012, com o nome de Bankfacil.

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A Creditas foi avaliada em US$ 750 milhões no começo de julho, após receber um investimento de US$ 231 milhões. Hoje a empresa é a maior fintech de empréstimos com garantia no Brasil.

O empréstimo com garantia também é conhecido como refinanciamento. Este é um tipo de crédito em que se utiliza um bem, como um veículo ou um imóvel, como garantia do pagamento do seu empréstimo.

Como a taxa de inadimplência no modelo de negócio é menor, as taxas de juros também são menores, na comparação com os juros cobrados pelos grandes bancos.

Com uma taxa de inadimplência menor que 2%, a Creditas cobra juros a partir de 1,09% ao mês. A média cobrada pela fintech é de:

  • Empréstimo com garantia de veículo: 2%.
  • Empréstimo com garantia de imóvel (home equity): 1,25%.

Segundo o Banco Central (BC), a taxa média de juros cobrada pelo sistema financeiro é de:

  • Média geral:  25,3% ao ano.
  • Pessoas físicas: 31,7% ao ano.
  • Pessoas jurídicas: 15,8% ao ano.

Guiabolso

Em terceiro lugar entre as maiores fintechs do Brasil está o Guiabolso, que também deu os seus primeiros passos em meados de 2012. A fintech iniciou o trabalho dando consultoria a clientes que informavam suas situações financeiras. A ideia era entender como o brasileiro lida com as finanças e assim criar uma startup voltada para este tema. Em 2014 a empresa lançou um aplicativo para smartphones da Apple, que sincronizava a conta das pessoas.

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O aplicativo do Guiabolso foi desenvolvido um ano depois, em 2015, e ajudou a empresa a crescer ainda mais. Os serviços prestados pela startup visam ajudar as pessoas a organizarem suas finanças e reduzir dividas. O Guiabolso tem parcerias com outras fintechs e bancos, que permite que seus usuários façam empréstimos com taxas reduzidas.

Banco x Fintech

Os bancos e as fintechs acabam fornecendo serviços parecidos, às vezes. Dessa forma, fica no ar uma incógnita: será que as fintechs ameaçam os bancos consolidados no mercado?

“Os bancos digitais têm muito serviços juntos. Já as fintechs, são um pouco mais especializadas. Isso até um tempo atrás poderia parecer um problema para os clientes que estão acostumados a terem tudo em uma plataforma só. Entretanto, com o uso mais racional dos recursos e de oferta de serviços, isso deixou de ser um problema na cultura e hoje muita gente já começa a migrar de forma bastante significativa para as fintechs, que oferecem serviços mais específicos”, afirma o professor Siqueira.

Siqueira ainda finaliza dizendo que o mercado de fintechs deve ter uma consolidação ainda maior nos próximos cinco anos, já que a capacidade dessas pequenas empresas se reinventarem é enorme.

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Juliano Passaro
Juliano Passaro escreve sobre política, economia e negócios para o portal da Suno Research. Antes da Suno, trabalhou no Portal da Band. É formado em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.