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Em vídeo, Carlos Ghosn se diz inocente e denuncia complô

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O ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, gravou um vídeo salientando sua inocência. O vídeo foi divulgado nesta terça-feira (9) pelos advogados do executivo.

Na gravação, Carlos Ghosn acusa os diretores da Nissan de “traição”. “Não é uma história de ganância, de ditadura de um homem. É uma história de complô, de conspiração, traição”, afirmou o ex-presidente da Renault-Nissan em inglês.

“Sou inocente, esta é minha primeira mensagem. Não é algo novo, eu já afirmei: sou inocente de todas as acusações”, insistiu Ghosn. O vídeo foi divulgado durante uma entrevista coletiva em Tóquio. Entretanto, os nomes dos diretores acusados pelo executivo foram cortados do vídeo. Isso por causa do temor dos advogados de Ghosn que citar nomes poderia gerar novas ações judiciais.

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O principal advogado do executivo, Junichiro Hironaka, anunciou que apresentará na próxima quarta-feira (9) um recurso à Suprema Corte. O objetivo é tentar libertar novamente seu cliente.

Ghosn denuncia complô

Ghosn reiterou que as acusações são um “complô” contra ele. “Havia medo de que na próxima etapa da aliança a autonomia da Nissan seria ameaçada”, afirmou o executivo. Ele salientou como foi sempre um “ferrenho defensor da autonomia”.

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Relembre o caso Ghosn

Detido em Tóquio desde 19 de novembro, Ghosn é acusado de fraude e de uso indevido de recursos do grupo Renault-Nissan. Ele foi solto sob fiança no dia 5 de março pelo Tribunal de Tóquio. Os juízes japoneses determinaram uma fiança de 1 bilhão de ienes (cerca de R$ 33,8 milhões).

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O executivo de 64 anos foi acusado de fraude fiscal e uso de verbas da empresa para uso pessoal. Ele teria omitido em suas declarações de renda às autoridades da Bolsa de Valores nipônica. Além disso, Ghosn teria escondido quase R$ 167 milhões entre 2010 e 2015.

Seu braço direito, Greg Kelly, também foi acusado de ter ajudado a ocultar valores.

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Ghosn também é suspeito de ter repetido a fraude, entre 2015 e 2018, totalizando 4 bilhões de ienes (cerca de US$ 35 milhões). Esse ponto havia provocado uma primeira prorrogação do período de detenção.

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Além das acusações de não ter declarado sua renda real, a Nissan afirma que seu ex-presidente utilizou ilicitamente residências de luxo espalhadas em vários países do mundo pagas pela empresa.

Ghosn teria até organizado uma viagem no Rio de Janeiro durante o Carnaval paga pelas empresas. O executivo e sua esposa convidaram oito casais de amigos para passar a festa na capital fluminense em 2018. No total, a viagem custou US$ 260 mil (cerca de R$ 977,6 mil) e teria sido paga pelo grupo Renault-Nissan.

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A Nissan também é investigada como pessoa jurídica. A Promotoria suspeita da responsabilidade da empresa, que forneceu os relatórios falsos às autoridades da Bolsa de Valores.

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A detenção de Ghosn, que foi destituído da presidência da Nissan poucos dias depois de ser preso, resultou de uma investigação interna da empresa. O executivo também foi destituído da presidência da Mitsubishi Motors.

O executivo era considerado uma “estrela” no mundo do setor automotivo mundial. Principalmente por sua capacidade de restruturar empresas em crise e cortar custos. Ele salvou a Nissan, que no inicio dos anos 2000 estava prestes a falir. Ghosn chegou a ganhar um status de herói no Japão, tanto que sua trajetória foi ilustrada em mangás, as histórias em quadrinhos japonesas.

A prisão de Ghosn provocou uma crise na aliança entre a Nissan e a Renault. A aliança industrial entre as duas montadoras foi criada em 1999, costurada próprio por Carlos Ghosn. Com a entrada da Mitsubishi Motors, se tornou o maior grupo mundial do setor automobilístico.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.