Dia da Mulher: Conheça o Grupo de Mulheres Investidoras (GIMI)

Dia da Mulher: Conheça o Grupo de Mulheres Investidoras (GIMI)
O Young Women in Investment foi cirado para despertar interesse das mulheres no mercado financeiro. Clique aqui para saber mais

A participação das mulheres na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) durante o mês de janeiro foi de 23,67% em comparação a 74,93% de atuação masculina. O baixo número de investidoras se deve a diversos fatores culturais, sociais e históricos.

No entanto, essa discrepância já foi muito maior e este cenário tende a melhorar ainda mais. O otimismo é fomentado ao conhecer histórias como a do GIMI, o Grupo de Mulheres Investidoras.

A associação é formada por quatro mulheres — Luciane Ribeiro, Marilene Bertoni, Regina Giacomelli e Simone Schapira — que buscam levar educação financeira e aumentar a participação feminina no mundo dos investimentos.

Como surgiu o GIMI

O GIMI foi idealizado em março de 2017 pela psicologa Regina Giacomelli. Para definir a criação do grupo, Giacomelli diz que o grupo surgiu “em função de um problema com ela mesma”. Isso porque foi nesta época que a psicóloga e sócia do GIMI se divorciou. Na ocasião, o ex-marido de Giacomelli cuidava das finanças da família. No entanto, após a separação a executiva precisou aprender a aplicar o dinheiro para garantir a liquidez.

“Quando eu me separei, fizemos uma partilha e eu fiquei com a parte líquida. Só que para saber viver com a liquidez, é preciso saber aplicar e reaplicar. Então eu pensei, ‘é bom eu aprender esse negócio, se não eu vou viver de que?'”, disse Giacomelli em entrevista ao SUNO Notícias.

Com isso, a psicologa buscou cursos de finanças em renomadas instituições de ensino da capital paulista, como a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Insper. Entretanto, Giacomelli não se adaptou aos cursos, visto que, em geral, as aulas possuem muitos termos técnicos, o que torna a aprendizagem difícil para pessoas que não atuam nesta área.

Como alternativa, Regina optou por montar um grupo de estudos, com o auxílio de um professor, ao lado de duas amigas — Marilene Bertoni e Simone Schapira, também sócias do GIMI — que já entendiam um pouco sobre o mercado financeiro. Para elas, os encontros, que aconteciam todas as sextas-feiras, eram uma oportunidade de conversar sobre um assunto que até então só era discutido pelos homens.

“Mesmo que elas (Bertoni e Schapira) já viviam no mundo de investimentos, elas não tinham ninguém para conversar. Por outro lado, os homens em qualquer roda de conversa estão falando sobre o dólar, a bolsa. A gente não tem muito esse espaço entre as mulheres”, afirmou Giacomelli.

Assim, desde março de 2017, as três idealizadoras do GIMI e mais três amigas, uma convidada por cada uma delas, passaram a se encontrar para aprender mais sobre investimentos. Regina salientou que as aulas tinham um tom mais informal, afinal, não eram aplicadas para profissionais da área. Os assuntos estudados eram escolhidos conforme o interesse das integrantes do grupo.

De seis pessoas, para mais de mil

Rapidamente, o grupo que surgiu por meio de uma situação delicada e que passou de três para seis pessoas logo no início, começou a receber novas membras. No final de 2018, já eram 20 mulheres, com faixa etária entre 50 a 65 anos, reunidas na casa de Giacomelli para estudar finanças pessoais. Contudo, elas não esperavam que aquilo era só o começo.

Em setembro de 2019, a jornalista Naiara Bertão, do jornal “Valor Econômico”, publicou uma reportagem contando a história das amigas investidoras. A ascensão do grupo aconteceu logo após a publicação da notícia, que foi parar na página inicial do veículo. Giacomelli relatou que até o final de 2019, mais de 1000 mulheres demonstraram interesse em participar do grupo, que se tornou conhecido após aparecer na mídia.

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A falta de espaço para reunir as centenas de mulheres interessadas em participar do grupo fez com que as idealizadoras precisassem pensar em novas formas de desenvolver os encontros. Foi neste momento que surgiu a ideia de montar uma escola para atender a alta demanda. No entanto, o fato de nenhuma delas atuar no mercado financeiro foi um empecilho, já que não contavam com o conhecimento acadêmico necessário.

A quarta sócia do grupo, Luciane Ribeiro, que atua a mais de 26 anos no mercado financeiro, entrou justamente para ocupar este lugar. Ribeiro foi apresentada para Giacomelli, Bertoni e Schapira por meio de um professor de finanças. Com a equipe completa, as quatro mulheres investidoras criaram o GIMI Network, uma escola que busca facilitar o acesso feminino ao mercado financeiro por meio da educação.

Como irá funcionar

O GIMI é um grupo que disponibiliza cursos para mulheres de todas as faixas etárias. As aulas são divididas em três módulos que buscam trilhar a evolução da estudante em relação ao mercado financeiro.

Os cursos são pagos e 100% presenciais. Segundo Giacomelli, a decisão de não fazer aulas virtuais ocorre por dois motivos. O primeiro deles é estabelecer uma conexão social com as outras integrantes do grupo, de modo a criar um espaço de pertencimento e compartilhamento de informações. Além disso, Regina ressaltou que a geração de mulheres que idealizou o grupo é analógica, ou seja, não tem tanta facilidade para aprender virtualmente.

As primeiras aulas acontecerão no dia 11 de março e já podem ser adquiridas por meio do site do GIMI.

Quem são as investidoras que fundaram o GIMI?

Regina Giacomelli

Regina Giacomelli é psicóloga, especialista em famílias e casais, com mais de 38 anos de experiência nas áreas clínica e empresarial. Giacomelli já atuou como gerente de recursos humanos e desenvolvimento organizacional no Grupo Abril. Além disso, é membro do Grupo de Estudos de Empresas Familiares da FGV- Direito, onde foi onde foi co-autora do livro sobre Governança e Planejamento Sucessório. A psicóloga é também colunista da Revista Pais e Filhos.

Simone Schapira

Simone Schapira é formada em nutrição e pós-graduada em Administração Hospitalar. Schapira é fundadora da Pró-Fórmula Farmacêutica, que foi vendida em 2006. Além disso, fez parte do Conselho da Medial Saúde entre 1997 e 2010, ano em que foi vendido. É também idealizadora e fundadora fundadora do site Agenda Saudável. A nutricionista escreveu ainda o livro “O ovo e o vovô”.

Atualmente, Schapira atua como Diretora e Conselheira da Divisão Feminina do Fundo Comunitário. Ademais, ela também faz parte do Conselho dos Amigos da Universidade de Tel Aviv, em Israel, e é conselheira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), cujo conselho administrativo presidiu entre 2017 e 2019.

Marilene Bertoni

Marilene Bertoni é sócia fundadora da Empresa Brasileira de Cápsulas Telefônicas e da Alchimie Empresa de Cosmético. Após a venda das duas empresas, em 1999, Bertoni passou a atuar no mercado imobiliário com a Berkshire do Brasil Empreendimentos Imobiliários. Em 2000, fundou a instituição PAPET, voltada para indivíduos portadores de necessidades especiais.

Luciane Ribeiro

Luciane Ribeiro é uma economista que atuou em alguns dos maiores bancos do planeta. Entre eles:

  • Boston;
  • Safra;
  • ABN-AMRO;
  • Santander;
  • Alfa.

Ribeiro foi responsável pela gestão da fortuna pessoal da família Safra durante 15 anos. Além disso, foi presidente da Asset Management do Santander de 2006 a 2016. Atualmente, a executiva é membro do Comitê de Investimentos do Fundo de Pensão da Organização das Nações Unidas (ONU), representando a América Latina. Além disso, a sócia do Grupo de Mulheres Investidoras (GIMI) é uma das conselheiras da Women in Leadership in Latin America.

Giovanna Oliveira

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