Déficit primário do setor público atinge R$ 188,6 bi em junho

Déficit primário do setor público atinge R$ 188,6 bi em junho
Déficit primário do setor público atinge R$ 188,6 bi em junho

O setor público consolidado, que considera Governo Central, estados, municípios e estatais (com exceção à Petrobras e Eletrobras), teve um déficit primário de R$ 188,68 bilhões em junho deste ano. Segundo a divulgação do Banco Central (BC) nesta sexta-feira (31), esse é o maior rombo fiscal em um único mês na história da autoridade monetária central do País.

O resultado primário consiste no saldo das receitas fiscais correntes, menos os gastos públicos correntes, exceto o juros da dívida. Representa a geração de caixa do setor público. O déficit primário ocorre quando os gastos são maiores que as receitas.

Em maio, o déficit havia sido de R$ 131,43 bilhões. Os resultados negativos foram intensificados pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o que fez com que o governo federal e os governos regionais elevassem seus gastos — mesmo em meio à queda da receita — para sustentar a economia e os trabalhadores.

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O déficit primário consolidado de junho ficou fora do intervalo das projeções de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam um déficit de R$ 197,4 bilhões a R$ 218,07 bilhões. A mediana era negativa em R$ 199,1 bilhões.

No acumulado do semestre, as contas do setor público acumulam um déficit primário de R$ 402,70 bilhões, o equivalente a 11,64% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o BC. Nos últimos 12 meses, no entanto, o déficit primário é de R$ 458,835 bilhões, 6,38% do PIB.

Distribuição do déficit primário

O resultado fiscal do mês passado foi composto por uma contagem negativa em R$ 195,18 bilhões do Governo Central (BC, Tesouro Nacional e INSS). Os governos regionais (estados e municípios) apresentaram um seperávit de R$ 5,78 bilhões — os estados tiveram um resultado positivo em R$ 5,59 bilhões, enquanto os municípios contribuíram com R$ 187 milhões.

As empresas estatais, por sua vez, apresentaram um superávit primário de R$ 719 milhões em junho. A estimativa oficial do Tesouro para um rombo fiscal em 2020 é de R$ 787,4 bilhões, levando em consideração apenas o Governo Central.

Resultado nominal

Já em seu resultado nominal, o setor público consolidado registrou um déficit de R$ 210,16 bilhões em junho. No mês anterior, o déficit nominal havia sido de R$ 140,40 bilhões e, em junho do ano passado, de R$ 30,10 bilhões.

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Em junho deste ano, o Governo Central registrou déficit nominal de R$ 212,988 bilhões. Os governos regionais registraram um resultado positivo de R$ 2,570 bilhões, enquanto as empresas estatais apresentaram um saldo de R$ 2,770 milhões.

Segundo o BC, o setor público consolidado teve gasto de R$ 21,480 bilhões com juros em junho, após esta despesa ter atingido R$ 8,963 bilhões no mês anterior.

Diferentemente do déficit primário, o déficit nominal inclui os juros da dívida, após o recebimento das receitas e os gastos públicos. Em termos gerais, representa a necessidade de financiamento do setor público.

Jader Lazarini

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