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Crédito passa por revolução no Brasil, diz Carlos Maggioli, da Quasar

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O Brasil passa por uma mudança radical no mercado de capitais, mas, apesar da recente euforia, nem tudo são flores. Na busca por diversificação e diminuição de risco, o mercado de crédito é a bola da vez, segundo a avaliação dos gestores da Quasar Asset Management.

Para o CEO da Quasar, Carlos Maggioli, o investidor está sendo tentado a tomar risco, mas há a necessidade de se proteger contra imprevistos. Por isso, a gestora aposta no crédito como forma de entregar rentabilidade aos clientes.

“Se eu pudesse destacar algo, falava para as pessoas tomarem cuidado com os altos e baixos da bolsa e, por isso, diversificarem os investimentos”, disse o CEO da Quasar.

Para o Maggioli, uma das formas de diversificação é apostar no crédito, que deverá ter uma alta da demanda após a diminuição dos aportes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no mercado.

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“No lado do crédito, há uma revolução no ativo. Alguém tem que suprir [a saída do BNDES]. Mas o banco privado fala que vai apenas ao limite do portfólio. Não vai ser ele que vai suprir tudo isso”, disse.

Os fundos geridos pela Quasar oferecem às empresas linhas de crédito com prazos maiores e flexíveis que, segundo a gestora, são “adequadas aos ciclos específicos de cada grupo econômico e que permitam o crescimento de seus negócios”.

CCR, Localiza, Marisa, Smart Fit, C6, Daycoval, BTG fazem parte da lista de empresas que captam dinheiro com a Quasar.

Pelo lado do investidor, os fundos são oferecidos a pessoas físicas por meio de gestores independentes e plataformas como a XP, por exemplo.

Ao todo, R$ 4,8 bilhões estão sob gestão da Quasar, divididos em cinco fundos, com diferentes níveis de risco, e que renderam entre 107% e 145% do CDI desde o início da operação.

Para Quasar há otimismo com os sinais de retomada

Para os executivos da Quasar, já há sinais de uma retomada, mesmo que tímidos, na economia brasileira.

“Há pequenos sinais marginais do setor de serviços contratando mais, tudo é melhora tímida, mas são sinais antecessores de uma melhora”, afirmou Marcia Ramus Lima, head de Relacionamento com Investidores.

A quem aposta tudo em uma retomada do mercado, porém, deve ficar atento. Segundo os gestores, fatores imprevisíveis podem (e devem) ocorrer a qualquer momento no Brasil.

Por isso, a gestora considera uma estratégia conservadora a fim de proteger o capital desses eventos disruptivos.

“O crédito mais high-grade e líquido possível que temos, que mira 110% do CDI, com um CDI a 3,75% é pouco, mas ai de você se não tiver. Se você estiver inteirinho na Bolsa e acontecer um “Joesley Day”, vai evaporar 20% do seu patrimônio”, explicou o CEO da Quasar.

Confira a entrevista completa:

SUNO Notícias: quais os diferenciais da Quasar em relação aos seus concorrentes?

Marcia Ramus Lima: as grandes gestoras têm fundos muito parecidos. Obviamente que os fundos são muito importantes para a gente, mas hoje estamos muito mais focados em produtos estruturados.  São todos os fundos que envolvam risco de crédito.

-Qual é o perfil de investidor da Quasar?

Eu diria que todos. Com a projeção de Selic a 3,75% no ano que vem, o investidor está cada vez mais disposto a sair do título público, então todo os ativos terão demanda.

Do ponto de vista do cliente, o passivo hoje é Pessoa Física basicamente porque as plataformas [como a XP, por exemplo] deram bastante oportunidade a gestores independentes. Mas sentimos, do ponto de vista de análise de perfil, que todos eles têm muito espaço para investir em crédito.

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Carlos Maggioli: em relação ao passivo, é um passivo da viúva do CDI, histórico, que suprem nossas necessidades de carrego. Toda nossa demanda de vida era suprida pelo CDI e criou-se no país uma alocação de capital.

Hoje, você começa a causar uma revolução de alocação de capital completa no Brasil. O que vai acontecer é que o investidor ainda está sendo tentado ao fator de risco. Os juros estão indo para 3,75%, dizem alguns, então a orientação é: sai do mercado de crédito e vai pra Bolsa.

-Há mercado para isso?
Eu acho que tem pessoas que vão cair na falácia que bolsa só sobe, que não tem volatilidade, só ganha, e não é. O Brasil é um país do “Joesley Day”. Em 26 anos de carreira, não teve um sem algum evento. Não há aqui a bonança americana. Tudo muda.

Vem greve dos caminhoneiros, aí depois vem a discussão sobre a prisão em segunda instância. E se derrubar a segunda instância, você tem uma revolução social? Se libertar o Lula, você tem uma revolução social? Não sei. Não é impossível. É impossível o [presidente] Bolsonaro sofrer o impeachment? Não, nada disso é impossível. No Brasil, tudo é possível.

Então o que eu acho é que a vocação tem que ser regida sempre pensando no perfil do indivíduo. Tem que ter crédito. O nosso crédito do D+1, por exemplo, mais high-grade e líquido possível, que mira 110% do CDI, com um CDI a 3,75% é muito pouco, mas ai de você se não tiver. Se você estiver inteirinho na Bolsa e acontecer um “Joesley Day”, vai evaporar 20% do seu patrimônio.

-E como explicar isso aos clientes?

Educação financeira. Se eu pudesse destacar, falava para as pessoas tomarem cuidado, diversificarem. Você está tendo a revolução do passivo, tendo oferta em dólar constante, já já oferta em euro.

No lado do crédito, há uma revolução no ativo crédito: tem que ser dos bancos. O BNDES tinha R$ 800 bilhões em carteira. Agora vai ter R$ 200 bilhões, R$ 300 bilhões e olhe lá. Alguém tem que suprir. Mas o banco privado fala que vai apenas ao limite do portfólio. Não vai ser ele que vai suprir tudo isso.

Veja nas curvas que é crédito pessoa física crescendo vertical e PJ morto. Porque o spread médio de um é 30% a.a. E o outro é 9% a.a. Isso é super pulverizado. Na PF, o cara tem conta corrente, cartão de crédito, investimento, seguro.

A empresa jurídica é um outro bicho, do qual você não consegue nem usar estatística. Se você pegar o Itaim e considerar o local um ‘cluster’ de crédito pessoa física e determinar uma curva normal, uma modelagem estatística permite você ser muito eficiente para o conglomerado Itaim. Por que? Porque o preço do m² aqui é alto, as pessoas ganham bem e, na média, eu empresto dinheiro baseado nisso.

No PJ, a empresa que produz aço plano Usiminas é completamente diferente da empresa que produz aço plano CSN. O crédito não tem nada a ver uma com a outra. Mas são completamente diferentes uma da outra. Você tem que entender esse ativo.

-Quais são os ativo de banco, portanto?

Os bancos não querem mais dar crédito a empresas. Eles vão para pessoas físicas e serviços. Mercado de capitais é literalmente mercado de capitais, crédito. BNDES não volta nunca mais, Caixa é outro bicho, BB é banco como Itaú, Santander e Bradesco e eles terão que tourear crescimento de carteira PJ empurrando para o mercado de capitais.

Tem R$ 2,3 trilhões sentados em cima de Tesouro que terão que migrar. Se o ciclo brasileiro virar, está nos fundos e não mais nos bancos. Banco não vai quebrar. Se fundo comprar crédito mal, quem vai quebrar são os fundos. Se você escolheu mal uma empresa que vai quebrar, quem vai se dar mal é empresa e o fundo. O banco não mais.

-Os bancos irão se tornar grandes brokers?

Sem dúvida, eles vão emprestar no limite do portfólio. Existe um portfólio médio nos bancos. Tudo aquilo que a gente ouve dizer das gestoras, sobre diversificação, exposição, etc, o banco também faz hoje.

Banco está fazendo portfólio. Todo excedente [da demanda de crédito PJ] vai para o mercado de capitais.

-E os bancos não vão perder rentabilidade com isso?
Não, ele vai ganhar. Ele fica pagando dividendo pra caramba. O payout dos bancos é 90%. Está vindo uma “perestroika” brasileira pela frente. Se o Salim Mattar [atual secretário de Privatizações] acertar a mão, está vindo uma “perestroika”. Eu estou lendo o diário do Gorbachev por isso.

-A questão, então, é explicar aos clientes que o Brasil está mudando e que eles têm que aceitar um risco que nunca correram. Você acha isso possível?

Acho que é.

-Como?

O exemplo é a XP. Eles vão ser dez vezes maiores do que são atualmente. Ainda mais agora com CDI baixo, você vai ter que falar para o seu filho: vai para o jogo. Não tem mais a moleza do dia a dia.

A Quasar matou o compasso do passivo e do ativo. Se você está buscando um ativo high yield de crédito, para nós o fundo é fechado pois um ativo desse, de R$ 40 milhões, não tem liquidez no secundário.

-Por que não tem mercado secundário neste tipo de fundo de crédito?

Tem secundário para ativos mais high grade. Mas a comparação é muito do que acontece com a bolsa. Você vai lá e faz um IPO de Vivara, por exemplo. Se fosse R$ 500 milhões, você irá negociar os R$ 500 milhões para investidores. Serão R$ 5 milhões a R$ 10 milhões por dia. É a mesma coisa do crédito. Se você pega a emissão que fizemos recentemente, que é Usiminas, são R$ 2 bilhões em Usiminas. Então é isso na mão do mercado que você espera que negocie até R$ 30 milhões por dia, que dá liquidez no secundário.

Em uma emissão de R$ 40 milhões, é R$ 40 milhões. É imediato, não há liquidez de R$ 40 milhões porque só há isso disponível. E para piorar, geralmente só uma pessoa comprou.

Marcia Ramus Lima: mesmo o mercado de crédito high grade é naturalmente concentrado na mão de pequenas instituições. Esse mercado é concentrado, mas já melhorou muito.

-A migração para o mercado acionário não demonstra apenas a transição de capital do que, de fato, mudanças reais na economia?

Carlos Maggioli: há sinais que a economia começa a demonstrar uma retomada. Pequenos sinais marginais do setor de serviços contratando mais, tudo é melhora tímida, mas são sinais antecessores de uma melhora. Não é só uma transmissão de capital para a Bolsa. Mas, acho que tudo indica que há sinais antecessores de uma melhora que é crescimento do PIB.

-O governo precisa fazer algo além para essa retomada acontecer?

Sendo justo com um governo que é caótico, ao menos o Ministério da Economia está tentando. Liberdade econômica, medidas e portarias, governo está tentando, ambiente de negócio está tentando. O que puxam nossos red lines é o Bolsonaro fazendo as dele e o STF fazendo as deles. Isso dá muito red line.

A economia está fazendo o dever dela de baixo para cima, com a microeconomia. Aumentar oferta de crédito no mercado de capitais. Tudo indica que vai melhorar. Se não melhorar e a gente estiver errado, o investidor tem que estar diversificado, com dólar, euro, Japão e crédito.

-Como vocês veem a receite saída dos estrangeiros da Bolsa?

Isso é uma previsão que a gente precisa pagar para ver. A gente está pagando para ver, estamos aqui e realocando para Bolsa. A Bolsa já foi para 105 mil pontos, é o terceiro ano que ela está valorizando e o dólar ainda não está ajudando.

-Por que pode ser melhor agora?

Acho que o câmbio assuste e não volta. O patamar é esse. Se o juro real é 0, você vai para real ou dólar? Você tem que avaliar a economia inteira. BC agora está com medo da dolarização da economia? Vai acontecer, tarde demais para ele.

-Isso não pode fazer com que o Brasil vire uma Argentina, com todos os problemas cambiais que eles têm?

Eu penso mais que pode virar em Moscou, que é dolarizado para caramba, com uma economia quase aberta. A Argentina é 100 anos perdidos e os próximos 100 anos perdidos novamente.

-Por que as empresas aceitam se endividar na crise?

Marcia Ramus Lima: na realidade, as empresas não estão tão óbvias, redondinhas. E conversa muito com o mercado de high grade você não viu tanta empresa investindo, você viu empresa rolando dívida ou eventualmente e diminuindo serviço, então eu diria que o contexto foi menos de investimento e mais de um restruturação, com troca de credor, alongamento de prazo.

O que idealizamos lá atrás foi esse fundo high yield, disruptivo, pois não havia um fundo para olhar, então a nossa ideia é, dentro dos diferentes fatores de risco, é ter um fundo, um passivo e um ativo, que conversem.

Ele funciona muito parecido com privaty equity. Comprometemos cerca de R$ 460 milhões e, a medida que a gente origina ativo a gente faz capital call para não onerar o cotista na taxa de administração se não é um capital investido. Ele nasceu como profissional, mas nossa ideia é, a medida que a gente termine de alocar esse fundo, a gente faça uma estrutura, que chamamos de vintage, criando famílias de fundo com a mesma estratégia.

Foi um aprendizado, começou em 2016, nosso primeiro fundo ficou em pé em março de 2018, então foram aí quase dois anos empreendendo e no meio do caminho a gente desenvolveu outras estratégias sempre focada em crédito e que fossem complementares.

Temos R$ 4,5 bilhões em ativos que chamamos de high grade, mercado de capitais tradicional, que são as empresas com bancos de investimentos, vindo ao mercado com ofertas públicas, emitindo debêntures, notas promissórias, FIDCs, então é isso que chamamos de mercado tradicional.

Todas as outras áreas da Quasar nós temos uma originação dentro de casa e é onde achamos que há muitas oportunidades.

Por que? Porque você tira um intermediário importante ou ao menos diminui a participação, que é o banco, que ainda tem muita estruturação de dívida, e consegue em uma empresa uma taxa de juros melhor e passar ao cotista um retorno mais interessante.

Isso é o que chamamos de desintermediação do crédito, que é algo que acreditamos que vai acontecer em um futuro próximo, é a gestora que deixa de intermediar e faz um papel mais interessante para a gente no custo de dívida e mais interessante ao investidor de um retorno e esse fundo estruturado tem 460 mi, já chamamos aproximadamente R$ 300 milhões e estamos em fase de alocação até o final do ano. A ideia é terminar de alocar até o final do ano.

-No caso do mercado de fundos estruturados, quantas empresas tem em cada um de vocês?

Não se compara por enquanto. Nosso fundo tem uma regra de política de investimento de concentração máxima de 5%, então no mínimo eu tenho que ter 20 empresas lá dentro. Então a gente está focando no limite máximo pois eu quero alocar o mais rápido possível o capital éramos bem mais otimista da velocidade com a qual está acontecendo, conversando com essa economia que está andando meio de lado.

Querendo ou não, no ano passado, tínhamos a previsão de que o país crescesse na casa dos 3% e que a reforma da Previdência ia passar no primeiro trimestre, eventualmente. Não dá para a gente esquecer que muitas coisas foram adiadas e muitas coisas foram revistas para baixo, principalmente PIB, inflação, Selic…

Então estamos tendo conversas com as empresas e, de fato, elas não estão investindo ou estão investindo muito pouco.

-Por que, mesmo com os juros tão baixos, as empresas não voltaram a investir?

Acho que a resposta óbvia é a demanda, que não veio ainda, e também a segunda é a opção de graça de esperar mais um mês sempre para ver se a Previdência passa.

-A Previdência passou. Haverá um aumento significativo dos investimentos?

Acredito que sim. Acho que as mini reformas são relevantes, ajuda muito as empresas, a tributária seria mais complexa, vai ser menos óbvia, vai ajudar, mas Providência vai ajudar muito sim.

Tivemos o “Joesley Day” que derrubou a única coisa certa do governo Temer. Então acho que isso fica na cabeça do empresário e tem muita gente com projeto na gaveta esperando a Previdência, então acredito sim que vai melhorar.

-No fundo High Yield, a proposta é de 5% de concentração máxima de investimento.

Isso. Nele eu tenho até 20 emissores. Já no high grade, de alta qualidade de crédito, que são os fundos da família Advantage, a gente tem mais de 60 emissores em mais de 120 emissões. Tudo no Brasil, consideramos sim ter uma parcela offshore, pois você está com os dois mirando um juro real muito próximo de 0, então a gente começa a avaliar sim ter uma estratégia offshore e quais estão sendo desenvolvidas na Quasar, mas que não estão com produtos de pé: o agro, com a estratégia de tratar silo, armazém, tanques, etc como imóveis, fazendo um contrato típico de aluguel e jogar isso em um fundo imobiliário; um fundo imobiliário real estate tradicional, basicamente para comprar recebíveis como CRI, e estamos desenvolvendo também um fundo de infraestrutura na linha dos marcos regulatórios que estão saindo, de saneamento, por exemplo, concentrado também em energia, até porque os leilões foram muito concentrados nisso, que vai ser um meio do caminho do mercado de debêntures incentivadas e um private equity. Nossa ideia vai ser não só eventualmente debênture de infraestrutura, mas também alavancagem de projeto. Não há bolso, funding, para todos esses projetos atualmente.

-Quanto vocês conseguem captar no mercado por mês nesse momento?

Eu diria que não dá para mensurar, não é um mercado tão transparente, pois se o banco lança e joga na carteira, você não vê. Pensemos hipoteticamente em um bancão que olha um projeto que paga DI+5%, origina a dívida, empresta dinheiro e coloca no balanço dele. Isso você não consegue monitorar, você só consegue monitorar quando é uma oferta pública, quando é uma empresa, contratando um banco de investimento, ainda que o banco fique com um pedaço, você só vê o que vai para o balanço.

-Vocês captam de pessoas físicas também?

Não. Mas hoje estamos em todas as plataformas, com nossos fundos abertos, e em alguns gestores relevantes. Estamos com espelhos no Itaú Personnalité. Somos uma das primeiras gestoras de crédito no Itaú e estamos conversando com outros bancos e fundos de pensão.

-Quais clientes vocês atingem?

Eu diria que são quase todos. Você tem um mercado de fundo de pensão que vai precisar entregar resultado. Taxa de carregamento não paga mais a conta. Entendemo que o fundo de pensão estão muito traumatizados com alguns eventos no passado que atingiram FDICs, por exemplo, então são produtos não tão óbvios para eles.

Acho que essa forçada e busca por diversificação e novas estratégias, se você falar para o cliente que iremos mirar qualquer coisa que pague CDI + 3%, temos certeza que vai ter demanda de quase todos os potenciais investidores. O único investidor que acho que não tem apetite por tomar risco são empresas que querem investir pois o financeiro nunca vai ser o CORE dela.

Então investidores PJ temos no nosso fundo D+1, que é o nosso fundo mais high grade e que dá qualidade de crédito e liquidez rápida. Porque rende pouco melhor com CDI, mas no final ela vai tirar o dinheiro para investir no negócio dela, onde ela ganha de fato, e tem que ser mesmo essa premissa. Então a gente não vê, pelas plataformas, quem são os clientes finais. Todos os códigos da XP vêm um código para mim e sei quanto eles têm, mas não quem são. Tem de tudo que a XP distribui.

-O investidor pessoa física quer investir, é possível?

Sim, por meio de plataformas, como a XP, é possível. Tem várias plataformas que vão bater em bancos, como o P2P, por exemplo, vai afetar os bancos.

-A carteira de vocês é pública?

Legalmente somos obrigados a abrir a carteira, mas utilizamos o delay permitido pela CVM de três meses para a divulgação.

-Quais são os tipos de empresas para quais vocês emprestam?

A base da pirâmide são empresas menores que, por enquanto, a gente não empresta. Temos o chamado middle market que, como high yield, que emprestamos a fundo fechados. A maioria você nunca ouviu falar. Temos mais de 20 empresas, mas acho que não chegaremos a mais de 50 no curto prazo. E também você tem as grandes empresas, que emitem oferta pública, e estão em nossa família advantage, que são os 65 emissores.

-Quem está aí?
CCCR, Localiza, Marisa, Smart Fit, C6, Daycoval, BTG. Essas daí são todas conhecidas e são riscos que quase todo mundo sabe qual é.

-Vocês estão vacinados a emprestar dinheiro a empresas que podem machucar os resultados?

Ele está contando com o mercado de capitais que está muito mais dispostos a comprar. A Quasar tem quase quatro anos de atuação e deu liquidez para esse papel. Não é a toa, contamos com uma conjuntura muito favorável com plataformas, bancos também abrindo plataformas, deu permissão para o investidor acessar plataformas independentes, e executivos que vieram empreender.

-Só falta a economia dar sinais de recuperação, certo?

Ainda que o crédito sofra menos porque as empresas estão com uma boa qualidade de crédito, as empresas estão melhorando o operacional e estão muito bem posicionadas. Então achamos que, ainda que as empresas estão posicionadas a entrar, elas estão com uma estrutura de capital muito tranquilas. Então dificilmente essas empresas vão dar algum problema pois fomos diligentes na compra dos ativos.

A ideia da Quasar é não fazer outra classe de ativo a não ser crédito. Tudo vai envolver crédito na Quasar, não nos propomos a fazer multimercado, equity e temos uma bandeira de identificar bandeiras no mercado.

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Carlo Cauti
Editor-chefe do SUNO Notícias. Italiano, formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. Concluiu também um MBA em Finanças na B3. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.