Mercado

Cotação do minério de ferro sobe na China após desastre de Brumadinho

0

A cotação do minério de ferro continua subindo na China por causa dos efeitos da tragédia de Brumadinho (MG). O mercado internacional  está preocupado pelo fornecimento da commodity após o rompimento de barragem da Vale. 

Saiba mais: VALE3: Análise sobre suas ações após o acidente em Brumadinho

A Vale é a maior exportadora mundial de minério de ferro. E, segundo alguns analistas, o fornecimento do produto poderia ser afetado pelas consequência do acidente.

Saiba mais: Tragédia da Vale gera efeitos mundiais no preço do minério de ferro 

Por isso, as cotações de futures do minério de ferro com entrega em maio subiram nesta segunda-feira (11) na Bolsa de Valores de Dalian. As contratações atingiram  recorde de 652 iuanes (US$ 96,26) por tonelada.  O mercado futuro de minério de ferro voltou a funcionar na China após uma semana de feriado nacional.

Além disso, as cotações dos contratos para entrega em março, julho, setembro e novembro também subiram.

As cotações do vergalhão de aço também subiram mais de 4% na Bolsa de Futuros de Xangai. Os preços fecharam com um aumento de 2,4%, a 3.825 iuanes por tonelada (cerca de US$ 564). Também nesse caso, o temor é de uma escassez do produto nos próximos meses.

Efeitos de Brumadinho

A Vale já esta sentido os efeitos do desastre de Brumadinho em sua produção de minério de ferro. A empresa foi intimada pelo governo brasileiro na semana passada para que parasse de usar oito barragens de resíduos, depois que uma represa se rompeu em 25 de janeiro em sua mina Córrego do Feijão, deixando centenas de mortos e desaparecidos.

Saiba mais: Justiça bloqueia maior mina da Vale em Minas Gerais 

Esses fechamentos reduzirão 9% da produção anual de minério de ferro da Vale. A produção da mineradora já tinha sido afetada pelo desastre de Brumadinho, que paralisou as atividades da mina de Córrego do Feijão. Por isso, a empresa poderia ser obrigada assim a descumprir seus contratos por causas de força maior.

A Justiça de Minas Gerais também ordenou o bloqueio das operações da mina de Brucutu, da Vale.

A mina de Brucutu é a maior unidade de produção de minério de ferro em Minas Gerais. A mina é uma das maiores de propriedade da Vale. Localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), é operativa há treze anos, e produz 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

O desastre de Brumadinho

A Barragem 1 de rejeitos da mina de Córrego do Feijão estourou no dia 25 de janeiro. A mina, localizada na área metropolitana de Belo Horizonte, é de propriedade da Vale.

Saiba mais: Fitch rebaixa nota de crédito da Vale de BBB+ para BBB- 

Segundo o Corpo de Bombeiros, ao menos 165 pessoas morreram e 160 estão desaparecidas.

O acidente gerou uma avalanche de lama, que liberou em torno de 13 milhões de metros cúbicos (m³) de rejeitos. A lama destruiu parte do centro administrativo da empresa em Brumadinho, e arrastou casas e até uma ponte.

A barragem rompida faz parte do complexo de Paraopeba. A mina é responsável por 7,3 milhões de toneladas de minério de ferro do terceiro trimestre de 2018. O volume corresponde a 6,2% da produção total da mineradora.

A Vale informou em nota o início de uma sindicância interna para apurar as causas do rompimento da barragem. “Os resultados preliminares foram compartilhados hoje com as autoridades federais e estaduais que estão acompanhando o caso”, informou a mineradora no documento.

Esse é o segundo desastre com barragem em que a Vale se envolve em três anos. Em 2015 ocorreu a tragédia de Mariana, com o rompimento da barragem da Samarco. Naquele desastre morreram 19 pessoas e a lama destruiu centenas de casas e construções.

A Samarco é controlada pela Vale e pela mineradora anglo-australiana BHP Billiton, cada uma com 50% das ações. As duas empresas produtoras de minério de ferro se tornaram alvo de ações na Justiça por conta do desastre. As pessoas afetadas ainda esperam por reparação.

Compartilhe a sua opinião

Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.