Entenda qual é o impacto da pandemia de coronavírus no esporte

Entenda qual é o impacto da pandemia de coronavírus no esporte
Gabriel Barbosa - artilheiro do Flamengo (foto: divulgação)

A pandemia de coronavírus tem afetado, fortemente, a economia de diversos países do mundo. No esporte, não é diferente. Desde a NBA, que pode perder R$ 9 bilhões em receita com o cancelamento da temporada, até a Libertadores, que suspendeu até dia 5 de maio a competição, o mundo esportivo tem sofrido com os efeitos da doença. Com isso, clubes, canais de TV e patrocinadores estão tendo cada vez mais prejuízos.

O especialista na área de comunicação esportiva, João Henrique Areias, ex-diretor de marketing do Flamengo nos anos 1987 e 1988, disse, em entrevista ao Suno Notícias, que não se lembra de uma crise tão forte relacionada ao âmbito esportivo. “Que eu me recorde, é a maior crise da história. Talvez, nas duas grandes guerras, tenha acontecido algo semelhante”, diz Areias.

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No futebol, a receita dos clubes brasileiros é alavancada quando os mesmos participam de competições internacionais, como é o caso da Libertadores. O campeonato é mais chamativo para os torcedores e possui melhores premiações para as equipes participantes, além de toda tradição envolvida.

O Palmeiras, por exemplo, no jogo realizado no dia 10 de março, contra o Guaraní, do Paraguai, arrecadou R$ 1,9 milhão apenas com o público presente no estádio, de 28.267 pagantes. Fora isso, há a venda de camisas em lojas oficiais, em dia de jogo, o movimento no comércio próximo ao estádio, bares e etc.

“Isso [crise relacionada a paralisação do futebol por conta do coronavírus] atinge desde o cara que vende coisas no entorno do estádio, até as vendas dentro do estádio. Você também perde receita com bilheteria e com as concessões. Isso já gera um impacto direto no ‘game day'”, diz Areias.

O Flamengo, considerando dados até a partida contra o Independiente Del Valle, no dia 26 de fevereiro, válida pela recopa Sul-Americana, possui uma arrecadação total de R$ 22,2 milhões apenas de bilheteria em 2020. O clube venceu a Libertadores do ano passado e o Campeonato Brasileiro, e é a equipe que tem a melhor saúde financeira entres as nacionais.

Flamengo
Flamengo é o atual campeão da Libertadores e possui a maior receita entre os brasileiros. (foto: divulgação/Conmebol)

Mesmo assim, o especialista alerta que não terá saída para nenhum clube, desde o menor até o de maior expressão. “Estou vendo um caos no esporte, não sei como os clubes vão buscar soluções para esse momento. O prejuízo será muito grande. A despesa já está aí e não existe uma receita [para cobrir]. Até o Flamengo vai sofrer, por ter feito investimentos muito altos”, diz o especialista em marketing esportivo.

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O especialista também destaca, o que, segundo ele, é o maior impacto relacionado ao esporte, que é a perda de faturamento da TV. “A emissoras de televisão não transmitem jogos, não faturam, precisam dar crédito aos anunciantes e então elas repassarão, de alguma forma, estes custos para o contrato realizado com os clubes”, afirma o especialista. Os canais de TV especializados em esportes estão sofrendo com a crise, já que a programação está cada vez mais escassa em questão de conteúdo. A saída, vista por muitos deles, é a reprise de partidas, que não gera, nem de longe, o mesmo engajamento de uma partida ao vivo.

Quanto o futebol brasileiro pode perder com a crise do coronavírus?

Levando em conta um faturamento anual (em média) de R$ 300 milhões de cada clube da elite do Brasileirão, com exceção de Flamengo e Palmeiras, que estão registrando faturamentos bem superiores nos últimos anos, a série A pode deixar de movimentar cerca de R$ 1,5 bilhão em três meses de paralisação. Vale destacar que a quantidade de meses e os valores são apenas projeções realizadas pelo Suno Notícias.

Sobre a relação do clube com o patrocinador, Areias diz que é provável que os patrocinadores exijam algum tipo de compensação dos clubes, nem que seja uma extensão do prazo de patrocínio. “Por exemplo, foram X semanas sem esporte, então os patrocinador pedirá X semanas a mais no acordo, mas cada clube tem seu contrato, vai depender de como foi acordado”, conclui o especialista.

Futebol Internacional também é atingido

Entre os grandes clubes de Portugal, as equipes admitem estar preocupadas com a forma de lidar com as finanças após a pandemia de coronavírus, de acordo com informações do jornal português “Sic Notícias”.

O Benfica já informou que possui uma almofada financeira (valor que as instituições possuem para lidar com causas excepcionais não previstas), mas vai repensar os gastos para a próxima temporada. Na Espanha e na Itália, há rumores de que os salários dos jogadores podem sofrer um corte de 30% a 50%.

De acordo com o jornal “La Vanguardia”, da Espanha, os salários dos jogadores de um dos clubes mais poderosos do mundo, o Barcelona, podem sofrer cortes por conta dos efeitos da pandemia de coronavírus. Vale destacar que os salários refletem 61% dos gastos da equipe ‘blaugrana’.

Messi
Lionel Messi comemora gol do Barcelona (Divulgação/FCB)

O jornal “Sport” estima que o Barcelona já perdeu cerca de R$ 332 milhões sem as vendas de ingressos, camisas e a paralisação de seu museu.

NBA também sofre com os efeitos do coronavírus

A NBA é uma das ligas mais ricas do esporte mundial e anunciou, no dia 11 de março, a paralisação do campeonato por 30 dias. Caso o prazo seja estendido e a temporada encerrada de forma definitiva, a liga norte-americana de basquete pode perder até R$ 9,7 bilhões em receita, de acordo com informações do veículo “USA Today”.

Alguns atletas da liga chegaram a fazer doações aos funcionários de seus clubes. O pivô Rudy Gobert, que testou positivo para o novo coronavírus, doou US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) para os funcionários do Utah Jazz, time da NBA pelo qual o atleta atua, e também para ajudar no combate ao vírus em Oklahoma. Vale destacar que Gobert foi o primeiro atleta da NBA a contrair o vírus.

Juliano Passaro

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