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Coronavírus: confira as empresas da B3 com mais caixa do que valor de mercado

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A recente queda Bolsas, causada em grande parte pelos temores em relação às implicações que o coronavírus (covid-19) deve trazer à economia, reforçou também um fenômeno curioso no mercado em que empresas são negociadas por um preço abaixo daquilo que possuem em caixa.

De acordo com levantamento realizado pela consultoria Economatica, 18 empresas listadas na bolsa de valores de São Paulo (B3) possuem caixa superior ao próprio valor de mercado após a crise do coronavírus.

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Entre as dez empresas com maior relação entre caixa e valor de mercado, listadas pela consultoria estão:

EmpresasCaixa Vs Valor de mercado
PDG Real5,28
General Shoppings4,39
JSL2,21
GP1,75
Time for Fun1,69
Mangels1,53
Coteminas1,51
Marfrig1,45
Metalfrio1,37
BR Brokers1,24
Haga1,22
Le Lis Blanc1,18
Dommo1,14
Minerva1,13
Randon1,11
SulAmerica1,09
Positivo1,05
Oi1,00

O levantamento, realizado no dia 25 de março, leva em conta o último balanço disponível, já que os números do ano fechado de 2019 ainda não foram divulgados.

Apesar do indicador chamar a atenção, João Arthur Almeida, especialista de investimentos da SUNO Research, afirma que é necessário cuidado na análise pois algumas companhias podem ser o chamado “value trap”.

“Pode parecer uma boa opção de value investing por estar barata, mas
na verdade pode ser uma armadilha pois a empresa queima caixa”, disse.

“A empresa tem um caixa, mas a operação não rende. Então ela o utiliza para pagar as contas”, concluiu o especialista.

JSL, SulAmerica e Marfrig se destacam em meio ao coronavírus

Em relação as empresas em que a “sobra” de caixa é analisada de uma maneira positiva, a SulAmerica (SULA11), Marfrig (MRFG3) e JSL (JSLG3) se destacam, segundo análise de João Arthur Almeida.

De acordo com o especialista, a JSL possui um caixa grande, de cerca de R$ 6,3 bilhões, mas também uma dívida líquida na casa dos R$ 6 bilhões.

“Ela tem esse valor de caixa, mas também uma dívida líquida enorme. Contudo, é uma empresa ótima e deve se recuperar da crise”, disse.

Além disso, a SulAmerica, com um caixa de cerca de R$ 16,9 bilhões, tem por característica setorial um acúmulo de dinheiro para eventuais sinistros. Para Almeida, contudo, a companhia de seguros

“Mesmo assim, ter um caixa desse tamanho não é tão comum. E isso é positivo”, afirmou.

Em relação a Marfrig, João Arthur acredita que o fato de a companhia exportar commoditie deve auxiliar ainda mais o caixa, que já conta com 8,4 bilhões.

“A Marfrig, com dinheiro em caixa, deve sobreviver a crise do coronavírus“, completou.

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Vinicius Pereira
Vinicius Pereira foi repórter de economia da Folha de S.Paulo, stringer do jornal no Canadá e colaborador de VEJA. Já escreveu também para BBC Brasil, The Intercept Brasil e UOL.