Copom: conjuntura pede estímulos monetários, mas espaço é pequeno

Copom: conjuntura pede estímulos monetários, mas espaço é pequeno
Copom diz que há pouco espaço para estímulos monetários.

Segundo o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), “a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado”, mas o espaço para a política monetária, “se houver, deve ser pequeno”. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (11) por meio da Ata da 232ª reunião do comitê, realizada na última semana.

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“Consequentemente, eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva”, diz o documento.

Na última quarta-feira (5), o comitê composto pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e diretores colegiados da autoridade monetária central do País decidiu cortar taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,25 ponto percentual, trazendo-a para 2%.

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A realização de intensos estímulos econômicos pelo BC ocorre em função dos impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na economia do Brasil. O Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (10) espera uma queda de 5,62% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Caso as projeções do mercado se confirmem, esse ano registrará uma das piores quedas da economia brasileira na história.

Ao decidir renovar a mínima histórica da Selic, o Copom manteve a assimetria de balanço de riscos, conforme a Ata. Dessa forma, há chance da inflação ser mais alta que a projetada no horizonte relevante.

Em uma parte do balanço, continua o risco da elevada ociosidade da economia produzir inflação abaixo do estimado. “Esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional”, pontuou o BC.

Para o comitê, os programas de renda e crédito adotadas pelo governo podem estimular a demanda agregada do País. “Esse conjunto de fatores implica, potencialmente, uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, salientou a autoridade monetária.

Entretanto, o Copom considera que medidas de enfrentamento à crise que piorem a trejetória fiscal de forma prolongada podem elevar os prêmios de risco, resultando na assimetria do balanço de riscos.

Copom enxerga Selic perto do limite

Além disso, o BC também pontuou que a Selic está perto de um limite, onde, a partir disso, poderia provocar instabilidade nos preços dos ativos financeiros. Quanto aos demais cortes na taxa de juros futuramente, a autoridade afirmou que precisará de maior clareza sobre a atividade econômica e sobre a inflação prospectiva. Para o BC, essas reduções podem ser “temporariamente espaçadas”.

“Os juros baixos sem precedentes podem comprometer o desempenho de alguns mercados e setores econômicos, com potencial impacto sobre a intermediação financeira”, diz a Ata.

“Ao analisar o sistema financeiro de forma ampla, considerado as suas diversas indústrias, mercados, produtos e serviços financeiros, o comitê refletiu que um ambiente com juros baixos sem precedentes pode gerar aumento da volatilidade de preços de ativos e afetar, sem o devido tempo necessário de transição para um novo ambiente, o bom funcionamento e a dinâmica do sistema financeiro e do mercado de capitais”, informou o documento.

A Ata, entretanto, salienta que o Copom não prevê altas na Selic a menos que as expectativas e projeções para a inflação fiquem muito próximas das metas no seu horizonte relevante para a política monetária, que engloba 2021 e 2022 (em menor grau).

Jader Lazarini

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