Contas públicas: Brasil terá rombo até 2025, estima FMI

Contas públicas: Brasil terá rombo até 2025, estima FMI
A dívida bruta, também como proporção do PIB, que atingiu 89,5% em 2019, deverá superar 100% neste ano.

O Brasil deverá registrar um déficit primário até 2025, quando o País passará a apresentar um resultado negativo de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O rombo nas contas públicas acontecerá, segundo o FMI, devido ao aumento emergencial de gastos públicos adotado pelo governo para diminuir o impacto da crise provocada pela pandemia do coronavírus (Covid-19).

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Segundo o FMI, o déficit primário (resultado entre os gastos do governo e a sua receita, desconsiderando as despesas com juros da dívida pública) deve aumentar de um resultado negativo, como proporção do PIB, de 1% em 2019 para 12% neste ano. Em abril desta ano, o FMI previa que o déficit primário neste ano ficaria em 5,2% do PIB.

Vale destacar que, até 2013, o Brasil vinha acumulando superávits primários. Isso significa que o País gastava menos do que arrecadava. Para a redução da dívida pública, este período foi extremamente importante. Além da importância em relação a dívida pública, o Brasil, consequentemente, acabou recebendo o selo de grau de investimento das agências de classificação de risco.

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A partir de 2014, entretanto, houve um descontrole dos gastos, e o Brasil acabou perdendo o selo de bom pagador, o que fez com investimentos externos diminuíssem. Se as projeções do FMI se concretizarem, o governo terá que arcar com uma sequência de 12 anos com gastos maiores que as despesas.

O FMI informou que, com a melhora do quadro econômico em 2021, dado que o PIB deverá passar de uma queda de 5,8% em 2020 para crescimento de 2,8% em 2021, haverá uma diminuição de gastos públicos, mas mesmo assim será registrado um nível elevado de despesas. A estimativa é de que o déficit primário chegará a 3,1% do PIB em 2021. O déficit, em proporção ao PIB, diminuirá para 2% no ano seguinte, atingirá 1,3% em 2023 e chegará a 0,6% em 2024.

Contas públicas: Déficit nominal e dívida bruta

O déficit nominal, que também considera o pagamento dos juros da dívida, crescerá de 6% do PIB em 2019 para 16,8% neste ano, bem acima dos 9,3% previstos em abril pelo Fundo para 2020. Em 2021, o indicador deverá cair um pouco, porém ficará em 6,5% do PIB, o que configura um nível acima do previsto anteriormente, de 6,1%.

O FMI prevê ainda que o resultado negativo das contas públicas, como proporção do PIB, deve diminuir para 5,6% em 2022, continuará em 5 6% em 2023, aumentará para 5,9% em 2024 e ficará estável em 5,9% em 2025.

As contas públicas ainda serão impactadas pela dívida bruta, que, como proporção do PIB, atingiu 89,5% em 2019, e deve passar de 100% em 2020, ficando em 101,4%. Em abril deste ano, o Fundo estimou que o indicador chegaria a 98,2% em 2020.

Com informações do Estadão Conteúdo

Juliano Passaro

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