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Confira quais empresas podem ser influenciadas pelo Brexit

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Nunca o Reino Unido esteve tão próximo de selar a sua saída do União Europeia (UE). O Brexit, proposta de retirada da Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales do bloco europeu, está em tramitação desde junho de 2016.

Durante esse processo, a ex-primeira-ministra Theresa May renunciou ao cargo após tentar um acordo para o Brexit e, por quatro vezes, não obter sucesso junto ao Parlamento. Substituindo James Cameron, que esteve na posição durante o início do movimento, também sem sucesso, May fracassou.

Boris Johnson, do Partido Conservador, se tornou o novo prêmie britânico no dia 24 de julho com a promessa de que o Reino Unido iria, definitivamente, sair da UE no dia 31 de outubro, com ou sem acordo.

Johnson chegou a anunciar um acordo no dia 17 de outubro. O primeiro-ministro, após novas negociações com a Comissão Europeia, afirmou que o “acordo traz de volta o controle” e que, após concluído o processo de saída da bloco europeu, o Reino Unido poderá focar nas demais áreas de preocupação nacional.

Veja também: Brexit: Conselho Europeu aprova adiamento para 31 de janeiro de 2020

No dia 22 de outubro, o Parlamento britânico aprovou o acordo proposto. No entanto, a moção que faria com que o processo fosse acelerado não foi aprovada. O Parlamento decidiu que necessita de mais tempo para concluir a saída do Reino Unido da UE. Após a solicitação de Boris Johnson, o Conselho Europeu aprovou o adiamento da saída do Reino Unido para 31 de janeiro de 2020.

Antes disso, todavia, acontecerão eleições gerais no Parlamento britânico. No final do mês passado, foi decidido, por 438 a 20 votos, que em dezembro os novos parlamentares serão escolhidos, o que pode influenciar no rumo das negociações do Brexit.

Brexit impacta a economia global

Além do cenário geopolítico, que decerto será influenciado, os desdobramentos do Brexit irão impactar a economia global, incluindo o Brasil, sobretudo as suas empresas exportadoras.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil exporta aos britânicos matérias-primas agrícolas, produtos agropecuários processados e, principalmente, manufaturados como autopeças e componentes de máquinas.

Nesse aspecto, duas das principais empresas que são fortes exportadoras e que são negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo, a Mahle Metal Leve e a Iochpe Maxion, comercializam produtos atrelados ao aço.

Segundo Felipe Tadewald, especialista em renda variável na Suno Research, “sem um acordo no Brexit, a expectativa é de que o Reino Unido entre numa forte recessão, que de acordo com a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), deve levar a economia britânica a uma retração de 3% e impactar também o Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia”.

Confira: Guerra comercial: Trump diz que acordo será o “certo” para os EUA

Segundo a CNI, se a retirada do Reino Unido do bloco europeu ocorrer sem um acordo, o País poderá perder mais de U$ 700 milhões em exportações.

“Como Metal Leve e Iochpe Maxion possuem parte relevante de suas receitas oriundas da Europa (47% das exportações da Metal Leve são para a Europa), esse cenário representaria uma queda nas vendas para esses mercados”, afirmou Tadewald.

Confira alguma das empresas que podem ser influenciadas, positivamente ou negativamente, pelo Brexit. É importante ser levado em consideração que diversos setores poderão ser impactados pela saída do Reino Unido da UE, não somente estes.

Mahle Metal Leve procura diversificar produção

Presente no Brasil desde a década de 1950, a MAHLE GmbH (LEVE3) é a companhia, de origem alemã, líder mundial em componentes para motores.

Dentre os principais produtos comercializados pela companhia estão alguns como pistão e kits, anéis, bronzinas, filtros e válvulas, dentre outros. Além disso, a MAHLE Metal Leve possui clientes de grande porte, como General Motors, Volskwagen e Ford.

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A empresa MAHLE adquiriu o grupo Metal Leve, Cofap, DANA, BEHR e Delphi Thermal, expandindo ainda mais seu ramo de operação. Além da Europa, a MAHLE possui unidades em diversos países, sendo os principais:

  • Estados Unidos
  • China
  • México
  • Índia
  • Japão
  • Brasil
  • Argentina

A empresa possui quase metade de sua receita atrelada à Europa. Por mais que esteja ligada a moedas fortes, como o euro e a libra, corre o risco de ter suas condições comerciais alteradas pelo Brexit.

“A Metal Leve já tem atuado para desenvolver novos produtos de maior valor agregado para atender melhor outros mercados, de forma a compensar a exposição à Europa”, disse Tadewald.

Iochpe-Maxion permanece atenta à economia internacional

A Iochpe-Maxion (MYPK3) é uma multinacional líder mundial na produção de rodas automotivas. Além disso, é um dos principais produtores de componentes estruturais automotivos no continente americano.

A empresa está em processo de internacionalização, procurando oportunidades de crescimento, seja orgânico ou por meio de aquisições. O foco da companhia está no desenvolvimento de sua produção no segmento de alumínio, onde o potencial de aumento de participação no market share é grande.

A Iochpe-Maxion possui 15 mil colaboradores, distribuídos em 31 plantas industrias em 14 países, com clientes em todo o mundo.

Fonte: Suno Research

Em meio às diversas possíveis consequências do Brexit, Tadewald afirmou que a companhia tem alinhado a sua estratégia de aquisição do mercado junto à variação dos mercados focais.

“Para se proteger, a Iochpe Maxion vem investindo em novos mercados, como na China, onde desenvolve hoje em parceria com uma montadora local, uma nova planta capaz de produzir 2 milhões de rodas de alumínio para veículos leves, para atender o mercado chinês”, afirmou o especialista.

Saiba mais: Iochpe-Maxion apresenta lucro líquido de R$ 124,8 mi no 3T19; alta de 33,5%

Tadewald ressaltou que a companhia também está expandindo capacidade produtiva na Tailândia, na Índia e no México onde já tem forte atuação.

Klabin se consolida como uma das maiores exportadoras do Brasil

A Klabin (KLBN11) é uma empresa de origem brasileira criada em 1899 e opera no setor de papel e celulose. Sua longa história demonstra a solidez do segmento e do modelo de negócios adotado.

A empresa é a maior produtora e exportadora de produtos de celulose do País. Em particular, a companhia foca na produção de:

  • Papéis e cartões para embalagens
  • Embalagens de papelão ondulado e sacos industriais
  • Madeira em toras

Um dos principais destinos da produção da Klabin é a Grã-bretanha. Dessa forma, a depender do destino que o Brexit seguir, as operações da companhia brasileira na Europa podem ser impactadas.

Klabin (reprodução)

Vale procura se recuperar pós-Brumadinho

A Vale (VALE3), criada em 1942 e privatizada em 1997, é uma das maiores mineradoras e operadoras logísticas do Brasil, além das vertentes em energia e siderurgia.

Sua grande participação do mercado de minério de ferro fez com que a empresa se tornasse uma grande exportadora. Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), em 2018, as vendas da commodity para o exterior somaram US$ 20,21 bilhões. A Vale possui cerca de 70% a 80% do montante do produto exportado.

No entanto, a Vale, na última segunda-feira (11), reduziu a projeção de vendas de minério de ferro e pelotas e a projeção para a produção de cobre neste ano.

Confira: Vale diminui projeção de vendas de minério de ferro para 2019

Na projeção anterior, a companhia estimava que as vendas ficariam entre 307 milhões e 332 milhões de toneladas. Na projeção atual, a faixa mais alta é de 312 milhões de toneladas, visto a maior visibilidade sobre as vendas previstas para o último trimestre que deverá ficar entre 83 milhões e 88 milhões de toneladas.

A empresa afirmou que, para o primeiro trimestre do ano que vem a expectativa é que produção e vendas fiquem entre 70 milhões e 75 milhões de toneladas, “em função da sazonalidade, do retorno gradual e seguro das operações e em linha com a estratégia de margem sobre volume”.

Dessa forma, sendo uma das grandes exportadoras à Europa, as incertezas sobre o Brexit, desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China e possíveis consequências legais sobre o caso de Brumadinho podem influenciar o resultado da empresa para os próximos trimestres.

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Jader Lazarini
Jader Lazarini escreve sobre mercado financeiro, política e economia para o portal de notícias da Suno Research. Anteriormente, trabalhou na Unidas. Estuda Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi.