Confira 5 ações para se proteger da alta da inflação

Confira 5 ações para se proteger da alta da inflação
Um dos maiores inimigos da economia de um país é a inflação. Os impactos negativos também influenciam os investimentos.

Um dos maiores inimigos da economia é a inflação. O aumento constante — e descontrolado — dos preços corrói o poder de compra da população, que, na maioria das vezes, não vê os salários aumentando na mesma proporção. Os impactos negativos da inflação também influenciam diretamente os investimentos.

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No Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelo ministro da Economia, ministro do Planejamento e o presidente do Banco Central (BC), define a meta de inflação e a autoridade monetária central do País pode utilizar a política monetária para perseguir tal meta de aumento dos preços. Uma das formas é alterando o patamar da taxa básica de juros da economia (Selic).

Em momentos de alta inflação, o BC, dentre outras formas de contenção, tende a aumentar a taxa de juros para controlar o consumo da população. Com menos crédito na praça, a menor demanda pelos produtos e serviços em circulação pode fazer com que os preços caiam.

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Por tabela, ocorre um outro aspecto importante no âmbito dos investimentos. Um aumento na Selic faz com que o ativo livre de risco nos investimentos se torne mais convidativo — presumindo que a possibilidade de inadimplência do Tesouro Nacional é próxima de zero –, podendo desfavorecer o investimento em renda variável.

No entanto, algumas empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) possuem características que protegem os investidores de um aumento descontrolado dos preços, que está no radar do mercado. Com base na avaliação do especialista em renda variável da SUNO Research, João Arthur Almeida, confira cinco empresas que podem ajudar o investidor em época de alta inflação, salientando que essa matéria não se trata de recomendação de investimento.

Taesa

De acordo com Almeida, a companhia de energia elétrica Taesa (TAEE11) é uma das ações que mais protegem o investidor em um período de alta inflação no Brasil. Isso ocorre porque a empresa possui contratos reajustados pelo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), método de cálculo da inflação realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Além disso, a receita da Taesa não está ligada à quantidade de energia transmitida, mas sim, na disponibilidade das linhas de transmissão. Dessa forma, a companhia adquire concessões para operar em determinados trechos que duram décadas, com um rendimento sempre acima da inflação.

Ademais, a companhia é considerada por muitos a empresa mais segura e menos volátil da bolsa brasileira. Aproximadamente nos últimos 12 meses, o desvio padrão (medida que expressa o grau de dispersão de um conjunto de dados) diário das ações da empresa foram de 0,015, enquanto o Ibovespa registrou 0,026 no mesmo período. A correlação da empresa com o índice acionário, expresso pelo Beta da ação, atualmente é de 0,39 — ou seja, quando o Ibovespa sobe, a Taesa sobe menos; quando o índice cai, a Taesa cai menos.

Vale

A Vale (VALE3), segundo Almeida, também é uma opção para momentos de estresse na inflação. Isso ocorre em função da receita da mineradora, que, em sua maioria, é dolarizada. Dessa forma, a empresa está menos exposta à inflação do real — que historicamente é mais alta do que a da moeda norte-americana. Além disso, está assegurada junto à moeda fiduciária que é utilizada como reserva de valor em períodos de crise.

Devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o dólar voltou a se fortalecer frente às moedas emergentes em todo o mundo neste ano. Em relação ao real, a moeda dos Estados Unidos atinge uma valorização de 32% em 2020, tendo atingido sua máxima em 17 de maio, cotado a R$ 5,86.

Isso também é refletido nos números da Vale. No segundo trimestre deste ano, período em que as empresas brasileiras foram mais impactadas pelo coronavírus, a companhia reverteu o prejuízo do mesmo período do ano passado e reportou um lucro líquido de R$ R$ 5,28 bilhões.

Petrobras

O mesmo ocorre com a Petrobras (PETR4), de acordo com os comentários do especialista da SUNO Research. A combinação das receitas da petroleira estatal são majoritariamente registradas em dólar, deixando a empresa pouco suscetível à inflação do real.

A companhia como um todo está exposta consideravelmente ao cenário externo — o resultado da empresa é diretamente influenciado pela cotação dolarizada dos barris de petróleo de WTI  e Brent. Parte das despesas da companhia também são em dólar, enquanto outra parte ocorre em real. No entanto, a maior fatia de suas dívidas também estão atreladas ao dólar, o que se torna prejudicial em um momento de alta.

Diferentemente da Vale, a Petrobras registrou um prejuízo de R$ 2,71 bilhões no segundo trimestre de 2020. O resultado reverte o lucro líquido de R$ 18,86 bilhões no mesmo período do ano passado.

Segundo a companhia, o resultado apresentado no segundo trimestre, é relexo, principalmente da “ausência de impairments no trimestre e ao ganho proveniente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS após decisão judicial favorável, que teve um efeito de R$ 10,9 bilhões no resultado . Excluindo esses fatores, o resultado teria sido pior devido aos impactos da Covid-19 em nossas operações, com reflexo nos preços, margens e volumes”.

Suzano

As ações de empresas exportadoras, como a Suzano (SUZB3), também são opções para investidores que procuram se proteger do aumento dos preços no Brasil.

Embora tenha sofrido com a oscilação do preço da celulose de fibra curta na China durante este ano, produto de grande representatividade em sua receita, as ações da empresa já se recuperaram do período pré-crise e são cotadas a R$ 45,60. No ano, os papéis da empresa apresentam uma alta de aproximadamente 12%.

Da mesma forma que a Petrobras, a Suzano também detém um passivo em dólar. Recentemente, a companhia anunciou que poderia captar até US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,64 bilhões) no exterior por emissão de dívidas. No segundo trimestre deste ano, a empresa apresentou um prejuízo de R$ 2,05 bilhões.

SulAmérica

De acordo com Almeida, o setor de saúde, sobretudo no que se refere a seguros, também pode ser um caminho para se proteger do aumento dos preços na economia, mas por uma razão diferente, e a SulAmérica (SULA11) é um exemplo. Segundo ele, um seguro de saúde trata-se de um item praticamente “essencial”, deixando o consumidor com poucas opções — ou acata o aumento dos preços, ou busca um concorrente. No entanto, se a inflação atingir toda a cadeia do setor, não há para onde correr.

Além disso, de acordo com o Banco Mundial, a expectativa de vida no Brasil, em 2018, era de 75,51 anos. Há 50 anos, a expectativa de vida era menor que 60 anos. No último meio século, o brasileiro, em média, tem vivido mais e melhor. Entre as principais razões que explicam esse resultado está o grande avanço da medicina no Brasil e o processo de precaução com a saúde, fazendo com que os seguros de saúde se tornem indispensáveis.

Na última quinta-feira (10), a empresa anunciou que concluiu a aquisição da Paraná Clínicas Planos de Saúde. A empresa adquirida é a quinta maior operadora do Paraná, com aproximadamente 90 mil beneficiários e receita de R$ 103 milhões no primeiro semestre, mostrando que a empresa não permanece estagnada durante a crise.

No segundo trimestre deste ano, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 498,3 milhões, equivalente a uma alta de 91% frente ao mesmo período de 2019, demonstrando sua resiliência em momentos de crise e inflação.

Jader Lazarini

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