Economia

Compulsório está muito elevado, diz presidente do Banco Central

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O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, declarou nesta terça-feira (18) que o nível dos compulsórios bancários é elevado. Por isso, existiria um projeto da instituição monetária central para diminuí-lo.

Segundo o presidente do Banco Central, desde o começo de seu mandato a instituição monetária central já liberou cerca de R$ 20 bilhões em compulsórios.

Campos Neto salientou como o dinheiro não foi necessariamente utilizado pelos bancos de varejo para ampliar as operações de crédito. “Mais recentemente, vimos que o dinheiro do compulsório está indo para o crédito, mais especificamente, para o imobiliário”, explicou o presidente do Banco Central, indicando como os recursos ficaram empossados.

O economista falou durante uma reunião com parlamentares da bancada do Democratas (DEM) na Câmara dos Deputados. Durante o evento foram discutidas uma série de questões, como a autonomia do BC. Esse projeto está tramitando na Casa há meses.

Banco Central estuda mudança na legislação das hipotecas

O Banco Central está preparando um projeto de alteração na legislação para o uso do mesmo imóvel como garantia em mais de um financiamento. Essa modalidade de crédito é comum em vários países, mas no Brasil o imóvel pago só pode ser garantia em um financiamento.

Segundo o BC, o financiamento teria uma taxa de juros mais baixa do que o empréstimo consignado, o qual é atrelado ao salário do trabalhador, e o imóvel poderia ser utilizado por instituições financeiras diferentes com prazos para pagamento diferentes.

Segundo o diretor de regulação da instituição monetária central, Otávio Damasso, em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, o avanço dessa modalidade de crédito faz parte da agenda do BC que quer estimular o crédito imobiliário, uma vez que a taxa básica de juros (Selic) da economia está no seu menor patamar da história.

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“O cenário macroeconômico não poderia ser mais propício para isso”, disse Damasso. Com tal proposta, uma estimativa conservadora do BC espera que o valor bruto de R$ 500 bilhões pode ser injetado no mercado de crédito no decorrer dos próximos anos. “É um uso eficiente de garantia que o brasileiro aciona pouco”, afirmou o executivo.

Damasso salienta que o financiamento se torna mais barato pela garantia ser real. “Ele se equipara, em muitos casos, ao financiamento imobiliário”, disse o diretor.

O imóvel como ferramenta de financiamento

A modalidade de crédito que utiliza o imóvel como garantia para financiamento é chamada de “home equity“. Essa categoria é considerada de difícil acesso e o estoque de concessão não passa de R$ 10 bilhões.

Para viabilizar a ampliação dessa modalidade no Brasil, o BC terá que realizar uma mudança na alienação fiduciária com garantia.

Para o diretor, o desafio para a autoridade monetária é fazer com que essa garantia possa servir para várias instituições financeiras. É como se a garantia do imóvel fosse fatiada. Em vez de uma única dívida, serão várias delas, atreladas a uma mesma garantia.

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“Estamos construindo o arcabouço jurídico para que se possa fazer essa primeira, segunda e terceira alienação com instituições diferentes”, disse Damasso.

No fim de 2019, o BC já concluiu alterações na legislação do home equity para facilitar a avaliação dos imóveis dados como garantia, sem a necessidade de vistoria de um perito. Atualmente, o objetivo se torna a alteração na lei para que o mesmo imóvel possa ser utilizado.

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Carlo Cauti
Editor-chefe do SUNO Notícias. Italiano, formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. Concluiu também um MBA em Finanças na B3. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.