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Como as manifestações em Hong Kong impactaram a economia global

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As recentes violências perpetuadas pelas autoridades chinesas contra manifestantes em Hong Kong provocaram reações por todo o mundo. Em diversos países houveram ações de apoio aos cidadãos da cidade asiática.

Entre os mais emblemáticos está o embate entre membros de grandes ligas esportivas norte-americanas, com a NBA, e a China. Além disso, no mundo dos games, a companhia desenvolvedora de videogames Blizzard enfrenta uma polêmica envolvendo a manifestação de “gamers” à favor dos protestos em Hong Kong.

Até a série animada South Park foi alvo de polêmicas após a exibição de seu episódio nº 300: “Band in China”. No capítulo do desenho, que é famoso pelo seu caráter provocador, os autores satirizaram empresas americanas que fazem de tudo para conquistar o mercado chinês.

Caso NBA

Os atritos entre a liga de basquete norte-americana (NBA) e a China começaram após o dirigente principal do time Houston Rockets, Daryl Morey, publicar em sua conta no Twitter uma foto em apoio aos protestos em Hong Kong.

Apesar de ter apagado rapidamente o tuíte, o posicionamento do dirigente foi o suficiente para que a China retaliasse a participação da liga no país. A postagem causou a perda de patrocínios da segunda maior economia do mundo, que vinha sendo muito lucrativa para a NBA.

No dia 9 de outubro, a televisão estatal chinesa cancelou a transmissão dos jogos de pré-temporada da NBA, o que elevou a pressão sobre o comissionário da liga, Adam Silver.

A liga de basquete divulgou um comunicado em que diz lamentar as colocações de Morey. Contudo, Silver afirmou que não cabe à NBA censurar a liberdade de expressão de atletas, empregados e donos de times.

“É inevitável que pessoas de todo o mundo –inclusive da América e da China– tenham pontos de vista diferentes sobre questões diferentes. Não é papel da NBA adjudicar estas diferenças”, disse o comissário.

De acordo com o jornal “USA Today”, a receita da NBA na China é de cerca de US$ 500 milhões anualmente. Uma estimativa que calcula apenas os acordos conhecidos publicamente. Além disso, em julho, a televisão estatal chinesa assinou um acordo de US$ 1.5 bilhão por cinco anos, para continuar sendo a principal parceira digital da NBA fora dos EUA.

Caso Blizzard

Os protestos que querem a independência de Hong Kong atingiram também os e-sports. No dia 7 de outubro, o atleta profissional Chung “blitzchung” Ng Wai foi banido do “Hearthstone Grandmasters”, equipe que participava, após ter se manifestado ao vivo a favor dos manifestantes de Hong Kong.

A decisão da Blizzard de banir o jogador gerou uma revolta em fãs, que começaram a boicotar os jogos da empresa e a utilizar a imagem da personagem Mei, do game “Overwatch”, para divulgar as manifestações.

O conflito, que não dá sinais de melhora, continua com punições da Blizzard em outros jogadores favoráveis à atitude de “blitzchung”. Na última quarta (16), a empresa baniu, por seis meses, um time universitário que protestou a favor de Hong Kong.

Caso South Park

Além de atingir a área esportiva e virtual, o conflito chegou às séries animadas, mais especificamente, ao desenho South Park.

No dia 8 de outubro, o episódio “Band in China”, juntamente com todo o resto da série, desapareceram da internet na China, após terem sidos exibido na semana anterior.

No capítulo, que critica empresas norte-americanas que atuam no mercado chinês, mostram-se trabalhos forçados em uma prisão chinesa. Além disso, a séria faz uma paródia das companhias que pensam apenas em seus interesses comerciais cedendo à censura e as pressões da ditadura chinesa.

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No Twitter chinês, o Weibo, e em outros sites de busca, não mostravam resultados referentes à pesquisas por “South Park, além de não ser possível assistir a nenhum dos episódios em sites de streaming.

Em nota divulgada em seu Twitter, os criadores da série, Trey Parker e Matt Stone, ironizaram em seu “pedido de desculpas”.

“Assim como a NBA, saudamos os censores chineses em nossas casas e em nossos corações. Nós também amamos dinheiro mais do que a liberdade e a democracia. Xi (Jinping) não se parece em nada com o Ursinho Pooh”, ironizaram os criadores comparando o presidente da China, Xi Jinping, ao personagem clássico da Disney.

Na nota sobre a polêmica envolvendo Hong Kong, completaram: “Vida longa ao Grande Partido Comunista da China! Que a colheita de sorgo deste outono seja abundante! Estamos bem com a China agora?”

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Rafael Lara
Rafael Lara cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Escreve sobre política, economia e negócios para o portal Suno Notícias. Antes, colaborou na TV Gazeta na produção do programa Edição Extra.