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Exclusivo: China Mobile enfrenta pressão contra possível compra da Oi

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A possibilidade de compra da Oi (OIBR3; OIBR4) pela China Mobile, maior operadora de telefonia móvel do mundo, enfrenta pressões contrárias à realização do negócio.

O SUNO Notícias apurou que, mesmo que a aquisição da Oi pela China Mobile esteja apenas em estudo, fornecedores europeus e americanos já estariam atuando para que o negócio não seja realizado.

A ação seria dupla: de um lado um “lobby” para convidar operadoras europeias a entrar no mercado brasileiro e, eventualmente, comprar a Oi. Do outro lado, eles pressionariam as autoridades de regulamentação do setor de telefonia.

“A indústria fornecedora ocidental já faz pressão nas operadoras americanas, mexicanas, espanholas e italianas para que elas não deixem esse negócio acontecer”, disse uma fonte com grande conhecimento do setor.

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Fornecedores ocidentais contrários a compra da Oi pelos chineses

Tal pressão ocorre pois essas empresas temem que, com a possível realização do negócio, fabricantes e fornecedoras chineses tenham caminho livre para entrar no mercado brasileiro com mais força.

O SUNO Notícias apurou que, desde a primeira vez que o negócio foi ventilado, em 2017, houve uma corrida de representantes da “indústria ocidental de telefonia” às portas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O objetivo era verificar a real possibilidade que os chineses comprassem a operadora brasileira.

Entre as empresas que iniciaram conversas com a Anatel estão:

  • Nokia (finlandesa)
  • Ericsson (sueca)
  • Cisco (americana)

Quando alertados pela agência que havia um interesse real na compra da Oi, a atenção dessas empresa foi então direcionada às operadoras, como a Telecom Itália (TIMP3) e a Telefónica (VIVT4), que também estudam o negócio. A esperança era de que uma delas conseguisse antecipar as ações da chinesa.

Os motivos da pressão

São duas as razões dessa pressão. A primeira é a preocupação que a compra da Oi pela China Mobile abra o mercado brasileiro para produtores asiáticos de equipamentos para o setor telefônico, como softwares, estações de radiobase e data centers, entre outros. Atualmente, o mercado brasileiro é relativamente protegido dessa concorrência asiática.

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Em segundo lugar está o mercado de aparelhos. Fabricantes chinesas como a Huawei e a Xiaomi, por exemplo, poderiam ter vantagens se associando com a também chinesa China Mobile para conquistar pedaços importantes do mercado brasileiro.

Segundo dados da consultoria Teleco, a Oi possui 16% de market share no Brasil, com cerca de 37 milhões de celulares ativos no País. Uma fatia relevante do mercado que poderia ser conquistado pela China Mobile, a maior operadora de telefonia do mundo.

Em muitos casos, a venda da linha telefônica é realizada de forma conjunta com o aparelho. Dessa forma, segundo especialistas consultados pelo SUNO Notícias, a empresa fornecedora que consegue se alinhar com uma operadora de telefonia acaba tendo uma vantagem competitiva na disputa por novos clientes.

A pressão dos fabricantes, portanto, é fruto do medo de que a China Mobile faça uma parceria com empresas do mesmo país para trazer aparelhos e tecnologia de informação ao Brasil, acirrando a concorrência no mercado.

Oi em recuperação judicial

A Oi entrou em recuperação judicial em 2016, no então maior caso da história do Brasil, superado apenas pela recuperação judicial da Odebrecht em 2019.

Segundo os dados da consultoria Teleco, a China Mobile, por sua vez, detém atualmente 925 milhões de linhas de celulares ativas.

Desde 2017, a China Mobile tem um escritório no Brasil. O local é o centro dos negócios da empresa na América Latina, onde atua em diversos países.

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Segundo a companhia, o escritório auxilia a empresa a entender melhor o mercado da região. E nele deveria ser tomada a decisão se investir ou não na Oi. Procuradas, Ericsson, Nokia e Cisco não se pronunciaram sobre o caso. A China Mobile também preferiu não comentar.

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Vinicius Pereira
Vinicius Pereira foi repórter de economia da Folha de S.Paulo, stringer do jornal no Canadá e colaborador de VEJA. Já escreveu também para BBC Brasil, The Intercept Brasil e UOL.