Finanças pessoais

Caixa reduz juros do crédito, mas bancos do varejo ainda não acompanham

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A Caixa Econômica Federal realizou fortes cortes nos juros cobrados em cheque especial e de crédito pessoal sem consignação. No entanto, os concorrentes no varejo mantiveram as suas taxas praticamente estáticas.

De acordo com dados do Banco Central (BC), a Caixa reduziu os juros médios na opção de cheque especial na seguinte proporção:

  • Empréstimos para Pessoa Física: de 289% a.a. para 194% a.a.
  • Empréstimos para Pessoa Jurídica: de 353% a.a. para 217% a.a.

O banco estatal ainda pretende reduzir ainda mais as taxas nos próximos três anos, podendo fazer com que os juros cheguem próximo de 60% ao ano.

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Já os outros quatro grandes bancos de varejo do País mantiveram suas taxas superiores a 300% ao ano. A taxa pode variar de acordo com oscilações no perfil de risco e de relacionamento dos clientes que acessam essas linhas. São os bancos:

  • Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4)
  • Banco do Brasil (BBAS3)
  • Bradesco (BBDC3; BBDC4)
  • Santander (SANB3; SANB4)

Caixa larga na frente no corte de juros

Em um cenário de competição no mercado financeiro, os movimentos em relação às taxas de um grande ator do segmento costumam desencadear a reação dos concorrentes. Em 2014, por exemplo, foi a Caixa que iniciou um ciclo de alta dos juros, sendo seguida pelos demais bancos.

Entretanto, quando os altos juros são mantidos no mercado, é um sinal de falta de concorrência e competição do setor.

A Caixa também cortou os juros cobrados no crédito pessoal não consignado a desde agosto, que em termos médios saíram de 65% ao ano para 38% ao ano. As demais instituições bancárias de varejo mantiveram praticamente inalteradas as taxas cobradas nessas operações. Nesses bancos, as taxas podem variar de 54% ao ano a 83% ao ano.

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A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou ao jornal “Valor Econômico” que “a ação de um único participante de mercado não acompanhada pelas demais empresas não significa, necessariamente, falta de concorrência”.

Segundo a organização, no segmento de pessoas físicas, outros fatores podem afetar os preços, como o tempo de relacionamento com o cliente e o pacote de serviços oferecidos.

Além disso, especialistas afirmaram que o cheque especial normalmente possui um nível mais baixo de concorrência. Clientes assíduos dos grandes bancos não costumam trocar de instituição bancária em busca de juros menores nesse tipo de empréstimo.

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Sobre o forte corte nas taxas de juros, a Caixa argumenta que a redução está sendo conduzida de forma consistente, sem colocar em risco o balanço do banco. Hoje, o estoque dessa linha de cheque especial equivale a cerca de 1% do crédito da instituição estatal.

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Jader Lazarini
Jader Lazarini escreve sobre mercado financeiro, política e economia para o portal de notícias da Suno Research. Anteriormente, trabalhou na Unidas. Estuda Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi.