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Exclusivo: BTG estuda comprar Guide e Rio Bravo da Fosun

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Como parte da estratégia de disputar o mercado de investimentos de forma mais agressiva, o banco BTG Pactual (BPAC11) estuda adquirir o controle da plataforma Guide e da gestora Rio Bravo.

O SUNO Notícias apurou que a negociação entre BTG e os chineses da Fosun, que controlam as duas empresas do mercado financeiro, já ocorre de maneira sigilosa há alguns meses. O interesse do BTG, portanto, é na carteira do grupo e não na marca Guide, que seria descontinuada.

Para o BTG, a aquisição visa aquecer a estratégia de concorrer com a XP Investimentos no principal campo de batalha entre as duas empresas: o de plataforma aberta de investimentos, tentando trazer para as corretoras os clientes dos chamados “bancões”.

Com dinheiro em caixa, a aquisição aumentaria a força do BTG nesse campo -algo que o banco de André Esteves já vem fazendo ao tentar captar grandes escritórios de agentes autônomos da concorrente fundada por Guilherme Benchimol. As duas corretoras, inclusive, travam uma disputa na justiça sobre o tema.

O BTG, contudo, nega o interesse na Guide.

Atualmente, a Guide possui cerca de 10% do número de agentes autônomos da XP, com destaque nas praças de Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde a empresa fez aquisições de pequenas corretoras nos últimos anos. Isso seria um peso relevante na disputa para o BTG.

Ao todo, são mais de 145 escritórios de agentes autônomos e cerca de 380 assessores em 40 cidades que operam com a Guide, segundo a assessoria da empresa.

Outro ponto que interessa ao BTG é o mercado chamado de participante de negociação (PN). Atualmente, a Guide atende clientes de corretoras que não possuem atuação no Brasil.

Já para a Fosun, uma venda seria positiva pois a empresa conseguiria sair do negócio, que exige grandes investimentos e entrega margens apertadas graças a uma concorrência brutal, com um lucro considerável.

Veja Também: BTG: BC aprova volta de André Esteves ao controle do banco

Na manhã desta quarta-feita (15), o jornal Valor Econômico antecipou que a Fosun pode vender a posição completa nas duas empresas ou, num primeiro momento, uma fatia de suas participações e se manter acionista.

A Fosun também possui alguns imóveis em São Paulo, mas, de forma geral, considera que a experiência de investimentos no Brasil não foi totalmente positiva.

Ao todo, a Fosun desembolsou para o banco Indusval, antigo controlador, cerca de R$ 170 milhões pela Guide, divididos em duas fatias: uma de R$ 120 milhões e outra de R$ 50 milhões.

Necessidade de investimento força venda da Guide para BTG

Em 2016, a Fosun comprou a Rio Bravo, do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, mas, em seguida, entenderam que a empresa precisava de captação. Assim, foram atrás da Guide.

Desde 2017, quando os chineses da Fosun compraram a Guide, ficou decidido que o comando seria dividido entre Alexandre Atherino, que faz a gestão do institucional; Aline Sun, que lidera a parte de produtos, e Fernando Cardozo, que fica com a gestão comercial.

Essa forma de gestão da companhia, porém, se demonstrou problemática, com diversas divergências políticas por poder dentro da equipe.

Além desse problema de gestão, que desagrada os chineses, o sistema de tecnologia de informação é uma das peças fundamentais de qualquer corretora.

Esse setor da Guide, desenvolvido há cerca de cinco anos, se tornou quase que obsoleto e demanda “centenas de milhares” de reais para ser atualizado, segundo fontes ouvidas pelo SUNO Notícias. Dinheiro que a Fosun não está disposta a investir.

Assim, uma venda ao BTG seria positiva aos chineses, que pagaram cerca de R$ 170 milhões na companhia que, atualmente, valeria cerca de R$ 600 milhões.

Procurada, a Fosun informou, em nota, que “não tem intenção de vender a Guide Investimentos, nem a Rio Bravo. Está buscando novos parceiros investidores para impulsionar seus negócios e torná-los ainda mais sólidos e mais competitivos no mercado nacional”.

Já o BTG negou veementemente o interesse.

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Vinicius Pereira
Vinicius Pereira foi repórter de economia da Folha de S.Paulo, stringer do jornal no Canadá e colaborador de VEJA. Já escreveu também para BBC Brasil, The Intercept Brasil e UOL.