Boeing desiste de acordo bilionário com a Embraer

Boeing desiste de acordo bilionário com a Embraer
Boeing: "não era saudável continuar as negociações"

A Boeing desistiu do acordo bilionário com a brasileira Embraer (EMBR3) devido a crise da pandemia do novo coronavírus (covid-19). A negociação com a fabricante norte-americana de US$ 4,2 bilhões (R$ 23,8 bilhões) consistia na fusão das duas empresas, com participação de 80% da Boeing.

Além da crise do coronavírus, a companhia norte-americana sofre pressões políticas do presidente do Donald Trump com as medidas para manter a Boeing viva em meio as dificuldades. O acordo bilionário já havia sido aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e tinha até a última sexta-feira (24) para ser ratificado.

Suno One: O primeiro passo para alcançar a sua independência financeira

“A Embraer era uma fonte importante para os engenheiros para viabilizar a montagem de um novo Boeing do tamanho médio, mas não parece que esse projeto sairá do papel tão cedo”, disse o vice-presidente da consultoria de aviação norte-americana, Teal Group, Richard Aboulafia, à revista Veja.

“O único problema mais sério para eles é que não terão uma aeronave para concorer com a Airbus, que tem o modelo A220, mas isso não é uma prioridade para companhia”, completou Aboulafia.

A quebra do acordo, segundo vice-presidente, constitui em uma multa entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões.

A Embraer, por sua vez, confirmou neste sábado (25) a desistência do acordo e informou que a Boeing rescindiu “indevidamente” o tratado entre as empresas na área comercial. Além disso, a brasileira disse que a empresa norte-americana “fabricou falsas alegações como pretexto para tentar evitar seus compromissos de fechar a transação”.

O texto, divulgado pela Boeing, afirma que a norte-americana “exerceu seu direito de rescindir” acordo “após a Embraer não ter atendido as condições necessárias”.

No comunicado da Embraer, a empresa rechaça as acusações e diz estar em conformidade com suas obrigações, cumprindo todas as condições necessárias para o acordo. Além disso, buscará as medidas cabíveis contra a Boeing, pelos danos sofridos pela rescisão do acordo.

A fabricante norte-americana enfrenta grandes dificuldades decorrente da queda de duas aeronaves do 737 Max. A Boeing pediu ao governo dos EUA auxílio de US$ 60 bilhões para ultrapassar o momento.

Boeing diz que acordo com Embraer é importante

O vice-presidente financeiro da Boeing, Greg Smith, informou que a compra do controle da divisão comercial da Embraer é estrategicamente importante para a companhia. A declaração ocorreu no dia 24 de março em uma entrevista para a agência de notícias “Reuters”.

No entanto, o vice-presidente da Boeing afirmou que a companhia norte-americana estava evitando novas dívidas. Dessa forma, cenário pessimista criado pela pandemia da covid-19 pode interferir de forma negativa nas negociações da empresa com a Embraer.

Veja Também: Trump afirma que Boeing é uma “grande decepção”

Durante a entrevista, Smith ressaltou ainda que as negociações não serão concluídas neste momento. Isso porque, além da necessidade de evitar dívidas, o executivo falou sobre as turbulências dos mercados globais.

“Agora não. Os mercados estão basicamente fechados. Quero dizer, realmente não há muitas oportunidades para dívidas adicionais. Esse é um dos desafios”, informou o vice-presidente da Boeing.

Poliana Santos

Compartilhe sua opinião