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BNDES fará pausa na venda de ações devido à volatilidade do mercado

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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, declarou nesta quarta-feira (11) que irá pausar a venda de ações em sua certeira. Segundo ele, a medida é resultado da volatilidade das bolsas de valores no Brasil e no exterior.

BNDES planejava ação em conjunto com a empresa de alimentos JBS para transações simultâneas na listagem de ações na bolsa dos Estados Unidos. O banco também pretendia vender sua participação de 21,3% da empresa.

Saiba mais: JBS e BNDES planejam listagem coordenada de ações nos Estados Unidos

“O momento agora é de espera e cautela porque o que vivemos hoje não é um choque financeiro e temos que aprender com o que está por vir”, afirmou o presidente do banco público de investimentos.

Em novembro do ano passado,  para coordenar a venda de ações no exterior o BNDES contratou os bancos:

  • Bradesco BBI;
  • BTG Pactual;
  • Itaú Unibanco;
  • Bank of America;
  • UBS.

O processo de venda dos ativos do BNDES

O carteira de renda variável foi destaque do BNDES no ano passado. O lucro de R$ 17,7 bilhões obtido em 2019 foi 164% maior do que o resultado do ano anterior, um recorde histórico. A venda de ativos de participação societária totalizou somou cerca de R$ 16,5 bilhões

A carteira do BNDES teve uma variação positiva de R$ 34,9 bilhões no ano passado. No entanto, os números registraram um prejuízo de R$ 30 bilhões, nos últimos 50 dias, sendo R$ 12 bilhões perdidos apenas na última segunda-feira (9).

“Com uma desvalorização substancial de agora e sem ter um preço mais estabilizado, não é trivial encontrar preços de referências para as ações”, declarou Montezano.

De acordo com o executivo, o BNDES não tem planos como abrir novas linhas de crédito para empresas. Da mesma forma, o banco não pretende reduzir juros dos empréstimos ou ampliar prazos de carência.

Tendo em vista a presença de liquidez nas linhas de crédito e funding, tais medidas não são necessárias no momento, ponderou o executivo.“A gente entende que nosso papel contracíclico nesse momento é manter as linhas abertas e inalteradas”.

“Se algum cliente que fosse fazer uma emissão de debêntures e o mercado fechar temporariamente, ele pode recorrer o banco e vamos financiar”, afirmou Montezano.

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No ano passado, o BNDES somou R$ 55 bilhões em empréstimos, este foi o menor patamar desde os 1996. O banco projeta R$ 60 a R$ 70 bilhões de desembolsos este ano.

Devido à crise no mercado financeiro, o BNDES avalia quanto que vai devolver cerca de R$ 17 bilhões ao governo em valores pré-aprovados este ano. No entanto, o presidente do banco defende que a instituição está sólida para eventuais necessidades.

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Arthur Oliveira
Arthur Oliveira escreve sobre política, economia e negócios para o portal de notícias da Suno Research. Atualmente, é estudante de jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.