Black Friday: veja quanto ganhar em 5 anos investindo o que gastaria

Black Friday: veja quanto ganhar em 5 anos investindo o que gastaria
A Black Friday já está enraizada no nosso calendário. No entanto, é preciso considerar o custo de oportunidade desse gasto.

A Black Friday se tornou um dos grandes eventos de fim de ano no Brasil. A cultura importada dos Estados Unidos no início da última década movimenta bilhões de reais todos os anos, fazendo com que os consumidores brasileiros aguardem ansiosamente por essa época. Entretanto, os gastos podem se reverter em mais dinheiro no futuro caso os consumidores consigam resistir à tentação de consumir nesta data.

Segundo um levantamento da Ebit Nielsen, o gasto médio por consumidor na Black Friday do ano passado foi de R$ 602 (mais do que meio salário mínimo), uma leve queda de 1,1% sobre o registrado um ano antes, embora o comércio eletrônico tenha movimentado R$ 3,2 bilhões contra R$ 2,6 bilhões na mesma comparação. Segundo o site, o evento “já faz parte do calendário de compras do brasileiro, com acrescimo de ano a ano”.

Embora o período seja aparentemente mais convidativo para ir às compras em comparação ao restante do ano, a Black Friday brasileira não possui os descontos agressivos dos Estados Unidos. Além disso, ainda existe o “pague pela metade do dobro” — quando lojas, pouco antes do fim de semana do evento, elevam os preços justamente para baixá-los quando a demanda foi maior –, além de outros riscos.

Suno One: acesse gratuitamente eBooks, Minicursos, Artigos e Video Aulas sobre investimentos com um único cadastro. Clique para saber mais!

Antes dos consumidores se deixarem levar pelos banners de “OFF”, “desconto” e “oportunidade imperdível”, devem considerar a real necessidade das compras e o custo de oportunidade dos recursos dispostos.

Com isso, o SUNO Notícias compilou dicas de André Massaro, planejador financeiro, especializado em finanças, investimentos e economia, para esse período de Black Friday, e quanto os consumidores poderiam ganhar aplicando o ticket médio de R$ 602 em cinco anos, em diferentes modalidades de investimento.

Onde investir por 5 anos?

Massaro apontou três possibilidades de investimento, e os respectivos retornos após cinco anos. Confira:

Renda variável

  • Montante total em cinco anos: R$ 884,54.

Renda variável é uma forma de investimento cuja rentabilidade é desconhecida antes da aplicação. Dessa manieira, o investidor poderá ter prejuízo ou lucro ao fim da operação — como o nome diz, o resultado pode oscilar, sobretudo no curto prazo. Em outras palavras, investimentos dessa categoria levam consigo uma incerteza intrínseca relacionada à valorização de sua aplicação.

Aqui, o especialista em educação financeira considerou um retorno médio anual de 8% (líquido de IR), próximo da média do Ibovespa nas últimas décadas, em cada um dos cinco anos.

Vale destacar a convexidade no investimento em renda variável. Quando o investidor compra o ETF BOVA11, que replica o Ibovespa, por exemplo, a perda máxima possível, na maioria dos casos, é de 100%. No entanto, o ganho máximo é ilimitado (ainda mais considerando o poder dos juros compostos ao longo do tempo).

Exemplos de investimento em renda variável são: ações, fundos imobiliários, fundos de investimento, ETFs, mercado futuro e derivativos.

Tesouro IPCA+ 2026

  • Montante total em cinco anos: R$ 785,50.

Como citou Massaro, alguns setores da economia brasileira estão apresentando picos inflacionários. Segundo o Boletim Focus da última terça-feira (3), a expectativa do mercado para a inflação deste ano é de 3,02%, com a meta para este ano em 4%. A estimativa do relatório do Banco Central (BC) para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020 chegou a ser de menos de 2%.

Portanto, para o investidor é importante proteger seu capital da inflação, que corrói o poder de compra ao longo do tempo. E isso pode ser feito de uma forma simples e democrática: títulos públicos indexados ao IPCA.

Ao investir em um título público você está, na prática, emprestando dinheiro ao governo. Aí que mora o risco desse investimento: risco de crédito do governo. No entanto, supondo que o governo não irá falir, uma vez que no limite ele detém o monopólio da impressão de moeda, o risco é pequeno.

Nessa hipótese, a criação de mais reais pode causar a inflação, e com a NTN-B o investidor estará protegido. O título agrega a inflação junto a uma taxa anual. No caso do IPCA+ 2026, é de 2,93% ao ano.

A conta realizada por Massaro considera a meta de inflação de 3,5%, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2023, para todo o período, mais 2,93% do título, já abatendo o IR.

Tesouro Selic

  • Montante total em cinco anos: R$ 654,94.

O Tesouro Selic, também chamado de LFT (Letra Financeira do Tesouro), é um investimento de renda fixa remunerado pela taxa básica de juros do país. Além de ter um rendimento maior do que a poupança, o capital é assegurado pelo Tesouro Nacional.

É considerado o investimento mais seguro do Brasil, uma vez que o fiador é o próprio governo e é uma taxa pós-fixada. Ou seja, o rendimento caminha conforme a determinação das autoridades monetárias, e não tem um rendimento negativo, salvo algumas exceções. Vale ressaltar que, com isso, a taxa anual também pode variar ao longo da vigência do papel.

lead suno imagem ilustrativa

Receba as principais notícias do mercado diariamente.

Receba Grátis conteúdo exclusivo sobre Poupança, Ações, Economia e muito mais!

Parabéns! Cadastro feito com sucesso.

Ops! Algo deu errado. Tente novamente.

lead suno background

Atualmente a Selic está em seu menor patamar na série histórica, não sendo o destino preferido dos investidores para o acúmulo de capital. No entanto, é uma ótima opção para a reserva de emergência ou reserva de liquidez, uma vez que a liquidez do título é diária. Para aqueles que estão em processo de formação do patrimônio e quitação de dívidas, o Tesouro Selic mostra-se ser uma boa opção.

Por mais que a Black Friday seja um momento propício para aproveitar descontos e realizar alguma tão sonhada aquisição, investimentos são sempre um caminho alternativo que beneficia os investidores de longo prazo. Em cinco anos o investidor terá mais dinheiro do que antes para usufruir como bem entender. Como pontuou Massaro, “os investidores de sucesso não são necessariamente aqueles que acertam em suas análises, mas são os investidores que são consistentes”.

Como consumir na Black Friday

A maior preocupação que os consumidores devem ter durante a Black Friday é não se endividarem, por mais que encontrem boas oportunidades de compra. Antes mesmo de conferir as ofertas, é preciso pensar se existe a necessidade de compra.

A Black Friday pode ser extremamente útil para quem for organizado e seletivo. Para isso, uma das dicas é manter o controle de todos as contas, fixas e variáveis. Isso pode ser feito com uma planilha financeira ou de qualquer forma que for mais cômoda.

Segundo Massaro, o ano conturbado que passamos reforça ainda mais essa ideia. Além disso, ele salienta a importância da reserva de emergência antes de sair às compras.

“Nós estamos em um ano atípico, de pandemia, que trouxe uma série de reflexos, como perda de emprego e comércios que fecharam”, disse o especialista. “Por isso, é importante adotar uma postura mais defensiva, de reforço da reserva de emergência, e colocar um pé no freio nos gastos.

“Por mais que muitas pessoas estejam frustradas com a taxa básica de juros da economia (Selic) a 2%, esse fundo serve apenas para emergências propriamente ditas, não rendimento. O importante é ter o recursos líquidos em eventualidades para ter folego financeiro”.

“A maior parte dos brasileiros não só não tem dinheiro guardado, como fazem dívidas. Ou seja, possuem um patrimônio negativo”, diz Massaro.

Paciência pode ser recompensadora

Massaro também lembra que “após o Natal, costumamos ver mais uma ‘nova Black Friday’ com os saldões de janeiro”. As varejistas podem realizar provisões agressivas para o evento, e as vendas não corresponderem. Com isso, o estoque excedente é vendido no início do ano, usualmente com preços ainda mais acessíveis.

“Caso o consumidor possa adiar os gastos, talvez consiga condições mais vantajosas do que agora”.

Celebre 2020, mas se prepare para 2021

O educador financeiro lembra que sempre é questionado sobre como chegar ao fim do ano com dinheiro para aproveitar as férias e o período festivo. Massaro sempre dá um alerta: “A melhor forma de você chegar no final do ano com as contas em ordem, é começar o ano com as contas em ordem. É importante que, para quem chegou nos meses finais do ano de forma conturbada, tome cuidado para não comprometer 2021 com as contas deste ano”.

Tradicionalmente, o início de cada ano é estressante financeiramente. Para quem tem filhos, trata-se da rematrícula e material escolar, além de impostos como IPVA e IPTU (que podem ser pagos à vista com desconto).

Portanto, o especialista ressalta que “é fundamental para uma situação desafiadora, como este ano, que a pessoa mantenha-se preparada para imprevistos”, não dando um passo maior que a perna na Black Friday.

Jader Lazarini

Compartilhe sua opinião