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Bancos públicos possuem autonomia para lidar com dívida da Odebrecht

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Os bancos públicos possuem autonomia para lidar com as negociações relacionadas a Odebrecht. Dessa forma, não há preocupação por parte do governo em ajudar a salvar a empresa do ramo de engenharia e construção. As informações são de uma fonte próxima ao assunto, ouvida pelo “Valor Econômico”.

A Odebrecht está negociando a reestruturação de dívidas que chega a R$ 14,5 bilhões fora do processo de recuperação judicial. A negociação é feita com os cinco principais bancos credores. Entre eles, há instituições públicas e privadas.

O governo acredita que a recuperação judicial da empresa é um problema que cabe ao mercado resolver. “No máximo haverá algum impacto nos balanços dos bancos. Mas as instituições também já estão bem provisionadas para isso [falência da Odebrecht]”, afirmou a fonte.

O governo considera a situação da Odebrecht algo difícil de ser solucionado. Dessa forma, a petroquímica Braskem pode ser um dos únicos ativos do grupo com um valor considerável.

O Grupo Odebrecht possui dívidas de R$ 100 bilhões, contando compromissos com o Ministério Público Federal (MPF) e outros órgãos do País. A empresa, no entanto, precisa reorganizar aproximadamente R$ 65 bilhões, sendo esse valor dentro e fora da recuperação, sem contar dívidas entre empresas do conglomerado.

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De acordo com a fonte ouvida pelo “Valor Econômico”, os bancos públicos não estão satisfeitos com o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa. A Caixa é uma das instituições mais insatisfeitas com o negócio e chegou a apresentar à Justiça um pedido de decretação de falência da Odebrecht.

Odebrecht diz à Justiça que Caixa agiu de ‘má-fé’ ao pedir falência da construtora

No dia 9 de outubro, os advogados da Odebrecht afirmaram à Justiça que a Caixa Econômica Federal agiu de “má-fé” ao solicitar a falência da construtora.

“As recuperadas (Odebrecht e algumas subsidiárias) requerem que a Caixa Federal se abstenha de adotar o comportamento temerário destacado nesta manifestação (a defesa da construtora), sob pena de aplicações de sanções processuais cabíveis nos termos do artigo 81 do Código do Processo Civil”, informou o parecer enviado ao juiz no dia 7 de outubro.

A Odebrecht solicitou à Justiça que a Caixa pare de adotar posturas como essa.

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Juliano Passaro
Juliano Passaro escreve sobre política, economia e negócios para o portal da Suno Research. Antes da Suno, trabalhou no Portal da Band. É formado em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.