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Banco Inter: não há decisão sobre oferta subsequente de ações

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O Banco Inter informou nesta quarta-feira (12) que não há decisão sobre a oferta subsequente de ações (follow on).  A informação foi divulgada pelo banco digital após ser questionado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a notícia que o banco trabalha para levantar cerca de R$ 1 bilhão.

O Banco Inter divulgou uma nota em que salientou como existe a alternativa de uma negociação direta com um investidor estratégico. Entretanto, segundo o banco, no momento a maior probabilidade é mesmo de realizar um follow on.

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Na última terça-feira (11), o Inter divulgou sua intenção de implementar uma série de medidas para melhorar sua governança e a liquidez das suas
ações. Além disso, o banco confirmou que estuda realizar um follow on ou aceitar o ingresso de um investidor estratégico no seu capital.

Entretanto, na resposta ao questionamento da CVM, o banco informou que não foi tomada qualquer decisão por parte dos órgãos de administração sobre a realização do follow on.

“Nenhum movimento de capital foi objeto de deliberação do conselho de administração do banco e também não será objeto de deliberação pela Assembléia Geral Extraordinária (AGE)”, infirmou o banco. A AGE foi convocada para aprovar a listagem de ações ON, o desdobramento dos papéis do banco e a migração para o Nível 2 de governança da B3.

“A partir da evolução das etapas acima, a composição do capital social do Banco Inter poderá estar mais adequada para eventuais movimentos futuros”, informou o banco na nota.

Aumento de capital de até R$ 1 bi

A agência “Reuters” informou nesta quarta-feira (12) que o Banco Inter estaria trabalhando para levantar entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão em um aumento de capital. Esses recursos seriam utilizados para financiar atividades de crescimento do banco.

Entre elas, a expansão das ferramentas do aplicativo de celular e oferecer aos clientes novos serviços e produtos. Esses iriam além de ofertas financeiras, como viagens, serviços de alimentação, saúde e entretenimento, e seriam realizados através parcerias.

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O banco digital quer criar um modelo de banco que se aproxime daquele do russo Tinkoff Bank, que faz parte do grupo de financiamento ao consumo TCS Group.

Banco quer aumentar oferta de serviços

O banco tinha informado no dia 4 de junho que estava considerando realizar um aumento de capital. Entretanto, o banco digital não mencionou o montante que quer levantar. O Inter estaria decidindo se levantar capital em uma oferta formal de ações ou se ter como alvo um novo investidor específico. Nesse último caso, o investidor poderia comprar novas ações e se tornar um acionista relevante. A preferência, nesse momento, seria por uma oferta subsequente de ações.

Em nota, o banco informou que listará na Bolsa de Valores units formadas por uma ação ordinária e duas ações preferenciais. Em abril de 2018 o Banco Inter tinha realizado uma oferta inicial de ações.

A busca de aumento de capital do Inter acontece em um momento de acirramento da concorrência no setor financeiro. Um aumento da competição que vai além da área bancária. Outras empresas de segmentos diferentes, como Mercado Livre, Magazine Luiza e Via Varejo também lançaram serviços financeiros. Eles começaram a oferecer contas correntes, empréstimos e cartões de crédito para seus clientes.

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Por isso, o Banco Inter também quer acelerar o desembolso de empréstimos. O banco digital está trabalhando para ampliar a oferta de crédito para seus 2,2 milhões de correntistas digitais. Isso ocorreria através da pré-aprovação automática de limites para empréstimos graças ao uso de dados.

Por exemplo, em junho o Inter anunciou R$ 2 bilhões em limites para financiamento imobiliários. Em março, a carteira de crédito total do Inter tinha atingido R$ 3,5 bilhões.

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O Banco Inter estaria negociando com os bancos Bradesco e Citigroup para assessorá-lo nos trabalhos de aumento de capital. O banco digital é controlado pela família Menin, fundadora da construtora MRV. Desde o começo de 2019, as ações do Inter subiram mais de 68%.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.