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Amazon faz 25 anos: relembre sua trajetória em 10 etapas

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Em julho de 2019 a gigante varejista norte-americana Amazon faz 25 anos. Em menos de um quarto de século, a empresa fundada por Jeff Bezos passou do zero a ser a numero um do mundo, com US$ 233 bilhões de receita por ano.

Entretanto, o percurso de crescimento da Amazon não foi linear, mas cheio de mudanças e aversidades. Confira quais foram as 10 etapas da criação do grupo com o maior valor acionário do planeta.

1 – A criação

Quando, em 1994, Bezos decidiu iniciar um negócio de comércio eletrônico, ele pediu as contas da D. E. Shaw & Co. Uma gestora de investimentos onde trabalhava na época e onde ganhava cerca de US $ 200 mil por ano. Decidiu partir para a venda de livros on line. E, naquele momento, não foram poucos a lhe dizer que estava maluco.

Bezos não deu ouvidos as críticas e investiu US $ 10.000 de seu próprio bolso. Registrou a empresa no estado norte-americano de Washington, mas iniciou suas operações somente em julho de 1995.

A nova companhia foi chamada originalmente com o nome “Cadabra”. Quando o primeiro consultor jurídico o leu pela primeira vez, alertou Bezos que esse nome soava muito semelhante a palavra “cadáver” Por isso, podia parecer um pouco macabro.

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Bezos se convenceu, mudou o nome para Relentless.com, mas depois escolheu Amazon, o nome americano da Amazônia. O rio Amazonas também entrou no primeiro logotipo da empresa: um “A” atravessado por um riacho.

2 – Início difícil

Em seus discursos, Bezos costuma dizer que os inícios não são simples. Ele e sua esposa MacKenzie Tuttle (da qual se separou recentemente) acabaram lidando com tudo, desde a contabilidade até o envio dos livros para os clientes.

A foto de Bezos em seu escritório, sozinho, um tanto acabado, com a mesa invadida por fios e um painel de plástico com a escrita “amazon.com” feita com um spray acabou se tornando um “meme” motivacional. Porque soa mais ou menos assim: quando você pensa em desistir, lembre-se de que esse senhor se tornou o homem mais rico do mundo. Embora, na realidade, Bezos acabou não ficando naquele escritório por muito tempo.

3 – A primeira vez on line

Quando o site foi online pela primeira vez, em julho de 1995, um alarme emitia um sinal sonoro a cada pedido. Para evitar de enlouquecer, os poucos funcionários da Amazon o desativam depois de alguns dias.

Em seu primeiro mês de vida, o site vende livros em 50 estados dos EUA e 45 países em todo o mundo. Em 1996, durante um jantar, os chefes da Barnes & Noble, a maior rede americana de livrarias, dizem que sim, a Amazon parecia um projeto sensato. Entretanto, eles sentiam muito, mas a startup teria sido superada pelo novo site da empresa, que seria lançado em breve.

O próprio Bezos está convencido de que qualquer um poeria duplicar seu modelo. Mas a pergunta que se fazia sempre era: “A Amazon pode se tornar uma grande marca antes que a Barnesandnoble.com compre, construa, adquira ou aprenda as habilidades necessárias para se tornar um excelente varejista on-line?” Hoje sabemos a resposta.

4 – A estreia na Bolsa de Valores

Em 15 de maio de 1997, menos de três anos após a fundação e dois anos após o lançamento do site, a Amazon estreou na Bolsa de Valores de Nova York. Valor de mercado: 300 milhões de dólares. Naquele momento, o site se definia como “a maior livraria do mundo”.

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Os diretores da Barnes & Noble (sempre eles) não gostaram e processaram a Amazon na Justiça. Segundo eles, a definição de “maior livraria do mundo” seria falsa porque a Amazon é um site, e não uma loja. Portanto, seria apenas um intermediário entre as livrarias e os clientes.

A questão termina alguns meses depois com um acordo, mas sem pagamentos: ambos simplesmente permitem que a contraparte se defina como a maior livraria do planeta.

Bezos tem coisas mais importantes para cuidar: a expansão da empresa. A Amazon começa a plantar suas bandeiras em todo o território dos Estados Unidos, multiplicando seus centros de distribuição.

Em 1998 deixa de vender apenas livros e começa a comercializar CDs. Em 1999 mais um grande passo: Amazon se torna o revendedor de outros varejistas. No começo é uma maneira de encontrar e comprar livros raros. Em seguida, para comprar merchandising ligado a alguns títulos. Logo se torna o maior revendedor do Ocidente.

5 – Bezos o homem do ano

Bezos, aos 35 anos, ganha a capa da revista “Time” como o homem do ano. A publicação o chama de “o rei do comércio digital”. Nunca nenhum CEO tinha ganhado a capa da revista mais importante do mundo. Era uma homenagem reservada apenas a papas, ativistas e presidentes.
Entretanto, no momento em que seu rosto vai para as bancas de jornais, sua empresa está sob pressão. Em meados de 2000 explode a bolha do “.com” estourou de vez, e as ações da Amazon caíram rapidamente. A cotação passou de mais de US$ 100 para menos de US$ 10. Demoraria mais de dez anos para voltar aos níveis de 1999. Desde então, porém, a valorização tem sido contínua, exceto pela queda registrada no final de 2018, quando a crise dos subprime acabou influenciando também o setor tecnológico.
6 – Os fracassos
A trajetória de Bezos, entretanto, também enfrentou fracassos. Se o lançamento do Kindle em 2007 foi um sucesso, o Fire Phone acabou se tornando um fracasso.

O smartphone da Amazon foi pensado para ser uma revolução para o mundo dos celulares. Entretanto, foi um fracasso no qual a empresa gastou cerca de US$ 170 milhões entre produção e marketing. Migalhas, comparadas com o patrimônio de Bezos, que chegou a números espantosos.

7 – O lema de Bezos

O crescimento do grupo foi muito rápido. Em 2018, a Amazon registrou um faturamento de US$ 233 bilhões. Em 2005, ainda estava faturando menos de US$ 10 bilhões. A meta de US$ 100 bilhões foi superada em 2015.
Nos últimos anos, os lucros também aumentaram. A Amazon sempre tentou mantê-los baixos para garantir preços agressivos. Até três anos atrás, os lucros haviam superado um bilhão de dólares apenas uma vez, em 2010. Em 2016 chegaram a US$ 2,3 bilhões e em 2017 a US$ 3 bilhões.  No ano passado, passaram de US$ 10 bilhões.

Bezos preferiu, e em parte ainda prefere, reinvestir os lucros na expansão da empresa do que ganhar no curto prazo. E é precisamente essa estratégia que produziu um efeito aparentemente paradoxal: mesmo sem embolsar os lucros Bezos tornou-se o homem mais rico do planeta. Isso graças às ações da Amazon, que levaram, por um curto período, a capitalização para mais de US$ 1 trilhão.
Tudo isso é coerente com a filosofia de Bezos, explicada em uma carta aos acionistas em 1997: “Experimente com paciência, aceite os erros, plante sementes, proteja as árvores e aumente a aposta quando verá a satisfação do cliente”. Uma filosofia ligada ao lema do primeiro dia da Amazon: “guie sua empresa como se ela tivesse acabado de nascer”.

8 – As lojas físicas

Quando a Amazon impôs seu domínio, muitos pensaram que as lojas físicas iriam morrer. Muitos, mas não Bezos. Desde 2015, o CEO juntou jolas físicas ao seu império digital. Começando, novamente, com páginas e papel: o empresário abriu a primeira livraria física da Amazon em Seattle.
A importância que Bezos dedica às lojas é confirmada pelo fato de que a maior aquisição da empresa foi de prateleiras e não softwares. Em 2017 a Amazon pagou US$ 13,7 bilhões para comprar a rede de supermercados WholeFoods. Também foram criados a Amazon 4-star (que vendem itens com críticas positivas feitas online) e a Amazon Go (supermercados sem caixas).
Essa rede física, junto com centros de distribuição cada vez mais difundidos, tem um duplo propósito. Por um lado, abre novos canais de receita. Por outro, cria um sistema de “sentinelas” que no futuro poderiam ser usadas como postos avançados de e-commerce, para entregas super rápidas ou para pedidos on-line e retirada no caixa.
Embora o negócio envolva cada vez mais setores, como entrega de alimentos, Bezos não perde de vista o comércio eletrônico. O coração da sociedade precisa de estímulo contínuo. No último trimestre, as vendas cresceram “apenas” em 14% ano a ano. É por isso que em Seattle já estão tomando providências, testando entregas com drones e robôs, reduzindo em um dia o tempo de entrega para assinantes Prime e iniciando a construção de um aeroporto que permitirá gerenciar toda a cadeia logística.

9 – Pequenos passos

O crescimento da Amazon lento, cuidadoso, com uma estratégia que rejeitou o ganho fácil e imediato. O objetivo era uma consolidação feita de pequenos passos, porém constantes. Assim, enquanto muitos dos protagonistas da revolução da internet nos anos 1990 e início dos anos 2000 tiveram um final ruim, a Amazon sobreviveu, prosperou e eliminou quase todos os concorrentes originais no mercado do comércio eletrônico.

Começando pelos livros, a varejista começou a vender DVDs, depois CDs e, em seguida, roupas, brinquedos e móveis. Os primeiros lucros vieram apenas alguns anos após a cotação na Bolsa de Valores. Mas desde então tem sido um crescendo surpreendente.
10 – O futuro
As atividades atuais da Amazon vão muito além do negócio original das vendas online. Graças a eles, Bezos criou uma fortuna, tornando-se o protagonista absoluto em vários setores: desde a publicação do Washington Post até a produção de filmes em Hollywood, fundando a Amazon Studios para competir com Netflix e Hulu. Até a corrida no espaço com a criação da Blue Origin. Entretanto, o grande sucesso foi nos no varejo.
Desde o início de 2017, os investimentos da Amazon para adquirir novas empresas somam mais de US$ 20 bilhões, valor que supera os US$ 23 bilhões dos anos anteriores.
Essa enorme expansão alarmou as autoridades de Washington que querem entender cada vez mais para onde a Amazon está indo. Como para os outros gigantes da web – do Google ao Facebook – a preocupação está ligada ao enorme poder que as empresas de alta tecnologia estão conquistando. Muitos parlamentares no Congresso dos EUA exigem regras mais rigorosas.

Uma questão que também está animando a campanha eleitoral para as eleições presidenciais americanas de 2020, com Bezos espremido entre Donald Trump, que quer fazer a Amazon pagar mais impostos, e candidatos democráticos como Elizabeth Warren, que gostariam de dividir as atividades do gigante de Seattle. Veremos como serão os próximos 25 anos da empresa mais valiosa do mundo.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.