Alianza não vê mudança radical no mercado de FIIs no pós-coronavírus

Alianza não vê mudança radical no mercado de FIIs no pós-coronavírus
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Novo normal. Home office eterno. Fim dos shoppings. Dentre estas as previsões realizadas por alguns especialistas em meio a pandemia causada pelo coronavírus (covid-19), a Alianza não crê em nenhuma. Para a gestora, os fundos imobiliários (FIIs) não devem passar por uma revolução no pós-pandemia. Mudanças, sim, deverão ocorrer, mas sem exageros.

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“Eu não gosto de exageros. Shoppings vão voltar? Eu acho que sim. Escritório vai acabar? Acho que não. Exageros não fazem sentido. No mundo real, o ser humano não muda de um dia para o outro. Acho que nada radical vai acontecer. Acho que teremos um intermediário. Vai ter mais home office? Sim, mas não mudanças profundas”, disse Fábio Carvalho.

Para o sócio da Alianza, a queda recente das cotações, após a alta do fim de 2019, inclusive abre novas oportunidades para os investidores.

“Acho que a crise deu um pouco de oportunidade. Na virada do ano, os preços estavam muito puxados. Em termos de ganho de capital, a crise criou oportunidades”, disse o sócio da Alianza.

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Além disso, segundo Carvalho, a crise também deve ter um papel educador para os investidores recém chegados no mercado.

“Talvez a mudança é para os investidores novos verem que não dá para colocar reserva de emergência em FII e também diferenciação dos ativos, ajudando o pessoal a colocar mais análise em cada caso”, afirmou.

Confira a entrevista do SUNO Notícias com Fábio Carvalho, sócio da gestora Alianza:

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-Como vocês viram o desempenho dos FIIs durante a pandemia?
Foi uma época interessante para entender como os fundos e os investidores iriam reagir. Foi a primeira crise desse tipo, dessa magnitude, nessa nova era dos FIIs. A última crise meio similar foi lá em 2008, com poucos fundos, pouca liquidez, o que não dá para comparar com a atual.

A crise do governo Dilma foi mais longa e mais gradual, mas nunca houve uma crise como essa. Tem um elemento especial que essa crise não começou puramente financeira, mas sim com um um elemento sanitário forte e o elemento sanitário acaba afetando os fundos de maneira especial.

Em 18 de março e na manhã do dia 19 de março, vimos FIIs grandes caindo 30% em um dia, o pessoal em pânico com os de shopping, mas o pânico espalhou para todos e acabou afetando todo mundo.

O que ocorreu depois, quando acalma o mercado, começa a separar os ativos por fundamento. Os shoppings recuperaram um pouco, os escritórios recuperaram pouco mais, mas alguns abaixo dos patamares antigos, logística recuperaram bastante [desde o início da queda].

Foi um período bem radical, mas acho que os investidores reagiram bem. Claro que teve gente que se machucou, se assustou, tinha muito investidor novo, com o FIIs sendo porta de entrada em ativos, mas deu um certo susto.

-Daqui para frente, como será?
O mercado está super bem. Passou bem pelo teste, os fundos estão aproveitando oportunidades para fazer aquisições. O mercado é muito cíclico, os ciclos fazem parte do mercado e são saudáveis. Em novembro e dezembro teve um rali exagerado, então essa queda recente e que o gatilho foi um vírus, mas ocorreu uma certa correção de preços saudável.

O mercado segue na mesma: atraindo mais investidores, com a liquidez de volta, com a trajetória normal, com novos fundos, novos investidores. Talvez a mudança é para os investidores novos verem que não dá para colocar reserva de emergência em FII e também diferenciação dos ativos, ajudando o pessoal a colocar mais análise em cada caso.

-Há algum setor que sofrerá mais?
Eu não gosto de exageros. Shoppings vão voltar? Eu acho que sim. Escritório vai acabar? Acho que não. Exageros não fazem sentido. No mundo real, o ser humano não muda de um dia para o outro. Acho que nada radical vai acontecer. Acho que teremos um intermediário. Vai ter mais home office? Sim, mas não mudanças profundas.

Acho que no geral, o maior uso de home office vai ajudar a condensar o adensamento. Antigamente era uma sala por pessoa. Agora, os layouts, que eram o auge do adensamento, encostando ombro, devem mudar para algo mais espaçado.

Crédito, sim, tem potenciais problemas. Crédito tem gente com perfis muito diferentes, então um cara focado no AAA, financiando corporativas, como CRIs, para grandes empresas. Mas alguns com spread maior deve sofrer mais.

Então acho que crédito menos high grade que não é AAA deve sofrer um pouco mais. A economia deve estar passando por uma recessão, empresas médias sofrendo muito, então teremos ondas de impacto sim. Acho que é mais uma questão de ser cuidadoso na seleção. Há créditos muito bons na Bolsa a preços consideráveis. Não houve uma devida análise da diferença de qualidade. Os bons caíram junto com os ruins e ficaram interessantes.

E a logística é só não pagar um preço muito absurdo que fica interessante, gostamos bastante disso e é uma das nossas preferências gerais, não vejo problema nenhum, terá uma demanda cada vez maior. Como logística já se recuperou bastante, um assunto quente, tem fundo que já está até um pouco caro, mas aí é análise normal de preço.

-No nosso último bate papo o senhor me disse que os fundos dependiam de uma alta da economia real para continuarem a crescer. Qual a avaliação para agora?
Acho que a crise deu um pouco de oportunidade. Na virada do ano, os preços estavam muito puxados. A alta do IFIX no ano passado foi bem vinda, eles estavam baratos no geral, no agregado estavam baratos, mas aí entramos neste ano nos patamares de preço que para ter novos ganhos eles precisam incorporar novos ganhos.

A crise ajudou um pouco isso porque tem preços que não voltaram. Então, se você tiver uma tese de que os shoppings vão voltar a ser o que já foram estão bem baratos. Ou não. Mas aí é uma tese de investimento de cada um. Em termos de ganho de capital, a crise criou oportunidades.

Entrevista com Fábio Carvalho, sócio da gestora Alianza

Vinicius Pereira

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