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Afya levanta R$ 1 bilhão na Nasdaq

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O grupo brasileiro de educação Afya levantou US$ 300 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) na Nasdaq. A empresa, especializada em cursos de medicina, estreou na última sexta-feira (19) na bolsa norte-americana abrindo seu capital.

A demanda dos investidores superou a oferta em 15 vezes. Dessa forma, o preço de cada ação da Afya ficou em US$ 19. Um valor superior ao da faixa indicativa de preço, de US$ 16 a US$ 18. Por isso, a captação foi superior ao montante previsto inicialmente.

“Tivemos uma demanda alta vinda de todos os tipos de investidores, como os dedicados à tecnologia, saúde e educação”, declarou Virgílio Gibbon, presidente da empresa. Para o executivo, a demanda ficou entre três e quatro vezes maior na Nasdaq em relação a aquela que teriam na Bolsa de Valores de São Paulo.

“O modelo de negócios da Afya chamou a atenção dos investidores”, explicou Gibbon. O executivo estava presente em Nova York no momento da abertura de capital.

A empresa se inspirou em sua abertura de capital em outro grupo brasileiro do setor de educação, o Arco. Esse último também é negociado na Nasdaq desde 2018.

A Afya foi criada com a união da NRE Educacional, maior grupo de faculdade de medicina do Brasil, e da Medcel, marca de cursos digitais preparatórios para provas de residência médica. A empresa surgiu quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, fazia parte do fundo Bozano (atual Crescera), que mantêm participação no negócio junto a família Esteves, controladora da empresa. Guedes teria tido papel ativo nessa fusão.

Saiba mais: Afya pode levantar US$ 269 mi com IPO em Nova York 

A Afya estaria projetando se expandir durante 2019, com pelo menos duas aquisições. A empresa já estaria negociando com grupos de ensino superior focados em medicina.

Futuros projetos

O grupo projeta criar uma parceria com médicos ao longo de todas suas carreiras. A Afya quer seguir o profissional da graduação, passando por cursos preparatórios, chegando até a especializações. “Nosso relacionamento com o médico pode durar 40 anos”, disse Gibbon.

A Afya tem uma plataforma digital utilizada no processo de aprendizagem dos médicos. A ferramente foi licenciada também para outras entidades de ensino. E foi exatamente esse ativo tecnológico que atraiu os investidores do Nasdaq, a bolsa norte-americana dedicada as empresas de tecnologia.

A oferta da Afya na Nasdaq foi liderada pelos bancos:

  • Bank of America Merrill Lynch
  • Goldman Sachs
  • UBS
  • Itaú BBA
  • Morgan Stanley
  • BTG Pactual
  • XP Investimentos

Esse foi o primeiro IPO de uma empresa brasileira nos Estados Unidos em 2019. No ano passado, foram realizados três aberturas de capital de empresas nacionais no mercado norte-americano. Elas foram:

  • Arco
  • Stone
  • PagSeguro

Essa preferência para Nova York gerou preocupação na B3. A Bolsa de Valores de São Paulo está tentando entender como atrair mais empresas, especialmente do setor de tecnologia, eliminando os entraves para sua listagem.

Resultados em crescimento

A receita da Afya em 2018 foi de R$ 334 milhões, um crescimento de 55% em relação ao de 2017. Por sua vez, o lucro foi de R$ 94,7 milhões, chegando quase ao dobro em relação ao ano anterior. O grupo atualmente tem 36 mil alunos, dos quais 25 mil estão na graduação. A Afya está presente em 19 cidades de oito Estados brasileiros, e planeja se expandir em quatro novos estados da região Norte.

A expansão foi possível depois que a empresa venceu sete editais do Programa Mais Médicos. Graças ao programa do governo federal, a Afya está autorizada a ofertar 50 vagas por ano em cada unidade para o vestibular de medicina.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.