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Acionistas de minoria da Embraer tentam investida contra a Boeing

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Um grupo de acionistas de minoria da Embraer realizará nos próximo dias uma investida contra a fusão com a Boeing. O grupo quer pressionar o governo para tentar impedir a união das duas fabricantes de aviões.

Segundo a revista “EXAME”, os acionistas minoritários da Embraer se juntarão com um grupo de advogados. Juntos, eles tentarão pressionar a ala militar do governo, salientando como essa fusão beneficiaria apenas a Boeing.

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Segundo eles, essa operação levará toda a equipe de pesquisa e desenvolvimento a ser transferida para a joint venture controlada pela Boeing. Isso tiraria de uma das mais inovadoras empresas brasileiras sua capacidade de crescer.

Um dos principais objetivos da Boeing seria a Eleb, empresa subsidiaria da Embraer. A Ele projeta trens de pouso e é considerada uma empresa líder em nível mundial.

Relembre o caso

A Embraer aprovou com a Boeing os termos do acordo de fusão em julho de 2018. O contrato prevê a criação de uma joint venture, ou seja, uma nova empresa de aviação comercial no Brasil.

A nova sociedade tem o nome provisório de JV Aviação Comercial ou Nova Sociedade. Entretanto, a empresa, avaliada em US$ 5,26 bilhões, não terá esse nome após a conclusão de operação.

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Inicialmente, quando as duas fabricantes de aeronaves assinaram um memorando, o valor era estimado em US$ 4,75 bilhões. Entretanto, a Boeing aumentou seu aporte financeiro na nova empresa.  Nos termos do acordo, a Boeing ficará com 80% do negócio, enquanto a Embraer, os 20% restantes.

A Boeing pagará US$ 4,2 bilhões (ou R$ 16,4 bilhões), cerca de 10% a mais do que era previsto. No entanto, este valor supera em mais de 7% o valor de mercado total da fabricante brasileira. O maior valor de mercado já registrado pela Embraer foi em novembro de 2015, quando a companhia atingiu R$ 22,39 bilhões.

Além disso, os 20% de propriedade da fabricante brasileira poderão ser vendidos para a Boeing a qualquer momento, por meio de uma opção de venda.

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Nova empresa

A Boeing fará o controle operacional e de gestão da nova empresa. Os executivos da jointventure responderão diretamente ao presidente e CEO da Boeing, Dennis Muilenburg. Todavia, a operação, se aprovada, será liderada por uma equipe de executivos no Brasil.

A Embraer manterá o poder de decisão para temas específicos que foram definidos em conjunto, como a transferência das operações do Brasil.

Em 2017, a área de aviação comercial da fabricante brasileira representava 57,6% da receita líquida da empresa. Essa área foi responsável por US$ 10,7 bilhões de um total de US$ 18,7 bilhões da receita da Embraer.

No entanto, a Boeing apresenta uma receita anual cerca de 16 vezes mais alta que a da Embraer. Em 2017, a brasileira faturou US$ 5,8 bilhões, enquanto a fabricante norte-americana US$ 93,3 bilhões.

A Boeing é a principal fabricante de aviões comerciais para voos de longo alcance. Por outro lado, a Embraer lidera o mercado de jatos regionais, com aeronaves para vôos a distâncias menores.

A Embraer (EMBR3.SA) espera um resultado de aproximadamente US$ 3 bilhões na fusão com a Boeing (BOEI34.SA), descontados os custos de separação.

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Carlo Cauti
Editor-chefe da SUNO Notícias. Formado em Ciências Políticas pela universidade LUISS G. Carli de Roma e mestre cum laude em Relações Internacionais, Jornalismo Internacional e de Guerra e em Economia Internacional. No Brasil, teve passagem por veículos de comunicação como O Estado de S.Paulo, G1, Veja e EXAME. Também trabalhou nas agências de notícias italianas ANSA e NOVA.