Fusões e aquisições devem voltar no segundo semestre, diz Duff & Phelps

Fusões e aquisições devem voltar no segundo semestre, diz Duff & Phelps
Fusões e Aquisições no Brasil têm redução de 28% até maio

As captações realizadas por meio de IPOs (ofertas públicas de ações, em inglês) e follow-ons devem anabolizar as fusões e aquisições no segundo semestre e fazer o Brasil alcançar, em 2020, o patamar do ano passado -ano sem os impactos do coronavírus (covid-19).

A avaliação é de Alexandre Pierantoni, diretor responsável pelos serviços de fusões e aquisições (M&A) da Duff & Phelps no Brasil. De acordo com o executivo, as paralisações do início do ano afetaram, mas o interesse dos investidores já retornou.

“Já estamos vendo todo uma recuperação do mercado de capitais bastante expressivo. Obviamente, tivemos um primeiro semestre em que foi dado uma paralisada por causa da incerteza. Mas já vimos um múltiplo que sairá no segundo trimestre e já estamos vendo um aumento forte de interesse de investidores para o segundo semestre”, disse.

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Para Pierantoni, o Brasil deverá fechar 2020 com até 700 operações de fusões e aquisições.

“Talvez entre 400 e 500 negócios no segundo semestre, o que levaria o número, para este ano, em algo em torno de 600 e 700 operações”, afirmou.

Confira a entrevista do SUNO Notícias com Alexandre Pierantoni, diretor responsável pelos serviços de fusões e aquisições (M&A) da Duff & Phelps no Brasil.

-Como está o mercado de M&A no Brasil e no mundo?
Já estamos vendo todo uma recuperação do mercado de capitais bastante expressivo. Obviamente, tivemos um primeiro semestre em que foi dado uma paralisada por causa da incerteza. Mas já vimos um múltiplo que sairá no segundo trimestre e já estamos vendo um aumento forte de interesse de investidores para o segundo semestre.

O próprio desenvolvimento do mercado de capitais afeta bastante o mercado, então a expectativa é alta. Talvez entre 400 e 500 negócios no segundo semestre, o que levaria o número, para este ano, em algo em torno de 600 e 700 operações.

-Muitas companhias vem aproveitando a alta do mercado e captando mais dinheiro em novas emissões. Essas captações podem aumentar o número de fusões e aquisições?
Na minha visão eles têm um efeito multiplicador. Quando você pega o contexto atual, é uma política expansionista e de crescimento do ambiente de negócios, com liquidez e taxa de juros baixa.

Oportunidade, hoje, é na economia real. Como a estratégia muitas vezes está baseada em fortalecimento e consolidação ou mesmo em estrutura por exemplo, há muito espaço [para M&A]. A minha visão é que esses 400 ou 500 novos negócios já estão positivamente impactados [pela alta das captações]. Isso vai acontecer em vários setores, consumo, varejo, logística, entre outros.

-Os prazos dos negócios parecem ter sido alongados no começo da pandemia. Isso também deverá ser uma característica a partir de agora?
A partir do momento que tem mais previsibilidade, as transações devem voltar ao seu curso normal em termos normais de processo. Obviamente, há uma variável a mais de uma curva que se recupera, mas não acredito que o tempo a mais será colocada. Pelo contrário, algumas afetadas por condições específicas já voltam nesse momento.

-Com a queda do real ante o dólar, os ativos brasileiros estão baratos?
A questão cambial afeta a perspectiva de valor. Com o câmbio nesse patamar, você reduz a exposição cambial. Se fosse R$ 4, R$ 4,50, o cenário seria de expansão e hoje é outro. O mais importante é pensar que os resultados são gerados em reais. Então se você não tem exposição cambial, você acaba tendo condições mais fortes.

Além disso, o momento de investimento, com a exposição cambial, se mostra bastante interessante. Por isso a tendência é voltar a ser um forte investimento do estrangeiro, seja no M&A ou no de capitais, com dois perfis, financeiro e private. Com o aumento de liquidez, o private vai ser uma grande parceiro das empresas.

Existe uma perspectiva positiva de recuperação da economia mundial e isso tem um efeito multiplicador de M&A. O que deve ocorrer é que o patamar deve dobrar em relação ao primeiro semestre.

Para o ano que vem, o governo brasileiro deve começar a endereçar novamente na agenda de reformas nas questões estruturais, então você pode voltar com uma curva em 2021 bastante positivo e, aí sim, nos mudar de patamar.

-Na sua percepção, quais setores devem ter mais fusões e aquisições a partir de agora?
As características são multissetorial. Essa é uma grande vantagem pois não há um setor que lidera. Obviamente, o setor que dispara é o de tecnologia, porém, quando você olha o todo existe a oportunidade de crescimento e consolidação em diversos setores.

O mercado de capitais está esperando construtoras, por exemplo. Isso não tira o mérito de varejo. Não diria um setor, mas todos os setores devem crescer nesses termos.

Vinicius Pereira

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